<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[fogo baixo: 🎙️ ENTREVISTAS]]></title><description><![CDATA[as entrevistas em português são publicadas todo dia 15 do mês.]]></description><link>https://flaviaschiochet.substack.com/s/entrevistas</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!UI0v!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3f0867ef-6b17-4d11-a746-feb32069b1d8_1024x1024.png</url><title>fogo baixo: 🎙️ ENTREVISTAS</title><link>https://flaviaschiochet.substack.com/s/entrevistas</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Tue, 21 Apr 2026 17:18:40 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://flaviaschiochet.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Flávia Schiochet]]></copyright><language><![CDATA[en]]></language><webMaster><![CDATA[flaviaschiochet@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[flaviaschiochet@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Flávia Schiochet]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Flávia Schiochet]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[flaviaschiochet@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[flaviaschiochet@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Flávia Schiochet]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[[entrevista: Guilherme Lobão] gastronomia em transe, bulimia da percepção e recozinha]]></title><description><![CDATA[num mundo hiperconectado, em que a comida virou m&#237;dia, olhar e paladar procuram avidamente novas experi&#234;ncias em ciclos cada vez mais curtos (e cronicamente insatisfat&#243;rios)]]></description><link>https://flaviaschiochet.substack.com/p/entrevista-guilherme-lobao</link><guid isPermaLink="false">https://flaviaschiochet.substack.com/p/entrevista-guilherme-lobao</guid><dc:creator><![CDATA[Flávia Schiochet]]></dc:creator><pubDate>Mon, 13 Feb 2023 22:54:05 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F727cbcdd-2381-4a80-bd65-8e6a05777be8_1620x1080.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Vi um <a href="https://www.instagram.com/p/CnZp-QZLiO7/">cartum do Bruno Maron</a> outro dia com o seguinte di&#225;logo:</p><p>&#8211;&nbsp;Comecei a ouvir o tal do "Bala Desejo"</p><p>&#8211; Aff, Bala Desejo &#233; t&#227;aaaao 2022</p><p>Em dez anos cobrindo gastronomia, eu j&#225; fui essa interlocutora incont&#225;veis vezes &#8211;&nbsp;a que responde de forma blas&#233;, evidentemente. Petit g&#226;teau de doce de leite? Gema curada? Prime rib dry aged? <em>So last season</em>. A novidade no mundo jornal&#237;stico sempre durou pouco e tem durado cada vez menos.</p><p>Em restaurantes de alta cozinha, em que uma bocada cont&#233;m informa&#231;&#245;es suficientes sobre a sinergia de sabores e contrastes de texturas, a novidade pode durar uma temporada. O <em>storytelling</em> de card&#225;pios tem que ser atualizado constantemente, mesmo que signifique repetir os temas produtor local e t&#233;cnica artesanal. Isso tamb&#233;m n&#227;o significa que a barraquinha de cachorro-quente seja atemporal e imune &#224;s modas e &#224; press&#227;o de <em>performance</em> do s&#233;culo 21 &#8211; no Instagram, o menor dos carrinhos de <em>hot dog</em> pode informar a um numeroso s&#233;quito de seguidores suas inven&#231;&#245;es entre p&#227;o e salsicha.</p><p>Esses sucessivos encantos e desencantos pela comida s&#227;o parte de um ciclo de crise est&#233;tica que se repete, no qual a gastronomia &#233; "um fen&#244;meno em estado de particular instabilidade, tr&#226;nsito e inquieta&#231;&#227;o", como coloca Guilherme Lob&#227;o em sua tese <a href="https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/44961/1/2022_GuilhermeLob%C3%A3odeQueiroz.pdf">"Gastronomia em transe: Itiner&#225;rios de crise est&#233;tica da comida contempor&#226;nea"</a>. Lob&#227;o &#233; colega de imprensa e professor, e defendeu seu doutorado em maio no programa de Comunica&#231;&#227;o na linha de Imagem, Est&#233;tica e Cultura Contempor&#226;nea.&nbsp;</p><blockquote><p><em>"O fim do ElBulli em 2011 trouxe tamb&#233;m um azedume para a gastronomia molecular, que come&#231;a a ser considerada uma express&#227;o kitsch da cozinha moderna. As crises est&#233;ticas tamb&#233;m determinam o fim das pr&#243;prias express&#245;es que criou. Em seu lugar, vieram movimentos nem t&#227;o homog&#234;neos. A cozinha peruana nikkei e fusion, que come&#231;a a combinar elementos de diferentes culturas culin&#225;rias; a gastronomia de rua norte-americana, com a premissa de oferecer a express&#227;o &#8220;aut&#234;ntica&#8221; das cozinhas de imigrantes; e chefs brasileiros que exploram ingredientes nativos de regi&#245;es ind&#237;genas e quilombolas aut&#243;ctones com a finalidade de exp&#244;-los como iguaria ex&#243;tica no menu-degusta&#231;&#227;o de restaurantes car&#237;ssimos, para um p&#250;blico urbano".&nbsp;</em></p><p>[<a href="https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/44961/1/2022_GuilhermeLob&#227;odeQueiroz.pdf">p&#225;gina 28</a>]</p></blockquote><p>Para analisar a rela&#231;&#227;o humana com a frui&#231;&#227;o, compreens&#227;o e ingest&#227;o (material e virtual) da comida na contemporaneidade, Lob&#227;o cunha a categoria sujeito gastronomizado. "Temos v&#225;rios sujeitos historicamente. O sociol&#243;gico, o hist&#243;rico, o p&#243;s-moderno, o iluminista. S&#227;o sujeitos configurados a partir das rela&#231;&#245;es sociais. O sujeito gastronomizado &#233; uma elabora&#231;&#227;o para dar nome a esse sujeito que nas pesquisas de gastronomia chamamos de comensal e cliente. Eu precisava de um nome com mais profundidade, principalmente por conta da ret&#243;rica e do fundamento da discuss&#227;o", explica.</p><p>O debate passa pelo uso de plataformas digitais e sua oferta crescente de imagens e v&#237;deos em um mundo globalizado, hiperconectado, de tend&#234;ncia &#224; homogeneiza&#231;&#227;o de representa&#231;&#245;es e de consumo. Mesmo o menos interessado em realities shows gastron&#244;micos, redes sociais de chefs, restaurantes ou bares estrelados;&nbsp;mesmo esses tipos t&#234;m <em>expectativas de uma experi&#234;ncia</em> ao comer, nem que seja o ponto do churrasco do cunhado no domingo.&nbsp;</p><p>O consumo vertiginoso da comida como g&#234;nero narrativo, comida com os olhos, seria o que Lob&#227;o definiu como &#8220;binge tasting&#8221; e &#8220;bulimia da percep&#231;&#227;o&#8221;.&nbsp;</p><blockquote><p><em>Os anos 2000 &#8211; e mais ainda os 2010 com suas receitas ultrapr&#225;ticas, de montagem din&#226;mica e menos de 30 segundos &#8211; transformaram a sociedade de consumo em voraz consumidora de comidas virtuais.</em></p><p>[<a href="https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/44961/1/2022_GuilhermeLob&#227;odeQueiroz.pdf">p&#225;gina 91</a>]</p></blockquote><p>Estamos todos, em alguma medida, dessensibilizados pela alta exposi&#231;&#227;o imag&#233;tica e de discuss&#227;o acerca da comida. Ela pr&#243;pria vira um ve&#237;culo de informa&#231;&#227;o e discurso, um preparo que estamos consumindo muito mais virtualmente que &#224; mesa. Lob&#227;o cita <a href="https://tede2.pucsp.br/handle/handle/4497?mode=full">Helena Jacob e sua tese de 2013</a>, na qual investiga como os ambientes televisivos e digitais afetam a rela&#231;&#227;o simb&#243;lica das pessoas com o alimento. "A experi&#234;ncia est&#233;tica da comida n&#227;o &#233; s&#243; o que est&#225; dentro de um menu degusta&#231;&#227;o que quer contar uma hist&#243;ria. Um mero de chupar bala &#233; uma experi&#234;ncia est&#233;tica", ilustra Lob&#227;o.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!TNY5!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F92430977-1d8b-46b8-84eb-098d0b5e6dfd_1100x40.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!TNY5!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F92430977-1d8b-46b8-84eb-098d0b5e6dfd_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!TNY5!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F92430977-1d8b-46b8-84eb-098d0b5e6dfd_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!TNY5!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F92430977-1d8b-46b8-84eb-098d0b5e6dfd_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!TNY5!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F92430977-1d8b-46b8-84eb-098d0b5e6dfd_1100x40.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!TNY5!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F92430977-1d8b-46b8-84eb-098d0b5e6dfd_1100x40.png" width="1100" height="40" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/92430977-1d8b-46b8-84eb-098d0b5e6dfd_1100x40.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:40,&quot;width&quot;:1100,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!TNY5!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F92430977-1d8b-46b8-84eb-098d0b5e6dfd_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!TNY5!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F92430977-1d8b-46b8-84eb-098d0b5e6dfd_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!TNY5!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F92430977-1d8b-46b8-84eb-098d0b5e6dfd_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!TNY5!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F92430977-1d8b-46b8-84eb-098d0b5e6dfd_1100x40.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><p>N&#227;o faltam predicados a Guilherme Lob&#227;o: &#233; professor universit&#225;rio, jornalista cultural, cr&#237;tico de cinema filiado &#224; Abraccine e cr&#237;tico gastron&#244;mico. Trabalhou no Jornal de Bras&#237;lia, Correio Braziliense, BandNews FM, Veja Bras&#237;lia e Metr&#243;poles. Atualmente, est&#225; com o quadro CBN Sabores, no programa CBN Bras&#237;lia. Lecionou nos cursos de Gastronomia, Jornalismo, Cinema e Publicidade no Instituto de Educa&#231;&#227;o Superior de Bras&#237;lia e atualmente &#233; professor no Centro Universit&#225;rio do Distrito Federal.&nbsp;</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2dRJ!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F727cbcdd-2381-4a80-bd65-8e6a05777be8_1620x1080.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2dRJ!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F727cbcdd-2381-4a80-bd65-8e6a05777be8_1620x1080.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2dRJ!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F727cbcdd-2381-4a80-bd65-8e6a05777be8_1620x1080.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2dRJ!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F727cbcdd-2381-4a80-bd65-8e6a05777be8_1620x1080.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2dRJ!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F727cbcdd-2381-4a80-bd65-8e6a05777be8_1620x1080.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2dRJ!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F727cbcdd-2381-4a80-bd65-8e6a05777be8_1620x1080.jpeg" width="1456" height="971" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/727cbcdd-2381-4a80-bd65-8e6a05777be8_1620x1080.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:971,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:988000,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2dRJ!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F727cbcdd-2381-4a80-bd65-8e6a05777be8_1620x1080.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2dRJ!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F727cbcdd-2381-4a80-bd65-8e6a05777be8_1620x1080.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2dRJ!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F727cbcdd-2381-4a80-bd65-8e6a05777be8_1620x1080.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2dRJ!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F727cbcdd-2381-4a80-bd65-8e6a05777be8_1620x1080.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Guilherme Lob&#227;o e seu &#8220;garfo do cr&#237;tico&#8221;. Foto: Telmo Ximenes/Divulga&#231;&#227;o</figcaption></figure></div><p>Eu o conheci pelo hub <a href="https://www.comidadepensar.com.br/">Comida de Pensar</a>, iniciativa de Lob&#227;o que re&#250;ne as frentes de educa&#231;&#227;o, conte&#250;do e curadoria, com um curso de forma&#231;&#227;o (<a href="https://www.comidadepensar.com.br/cursocomidadepensar">turma de fevereiro: ainda tem vaga!</a>), comunica&#231;&#227;o e curadoria. &#201; de sua autoria a <a href="https://coffice.substack.com/">newsletter Coffice</a>, que sai fresquinha toda segunda de manh&#227;, com os temas caf&#233; e trabalho, uma abordagem original sobre a jun&#231;&#227;o dos universos. No in&#237;cio de fevereiro, colocou no ar o blog <a href="https://www.comidadepensar.com.br/garfodocritico">Garfo do Cr&#237;tico</a>, sua volta ao mundo da cr&#237;tica gastron&#244;mica em texto.</p><p>Sei que ando em corda bamba ao tentar escrever sobre o trabalho de Lob&#227;o, mas &#233; preciso correr o risco de tentar exemplificar de maneira simples algumas coisas para que elas cheguem mais longe. "Eu trago exemplos na tese, mas me forcei a fugir deles baseado no que o professor Pedro Russi fala sobre explicar o conceito, mais do que exemplific&#225;-lo. Explicar o conceito para encontrar algo novo, porque exemplos n&#227;o d&#227;o conta da complexidade do conceito", disse Lob&#227;o. Arruinei esse plano dele ao conversarmos por telefone por quase uma hora e meia. Abaixo, a conversa editada e reorganizada para melhor compreens&#227;o:</p><h4>Logo na introdu&#231;&#227;o voc&#234; escreve que <em>"Comer pode ser [...] um ato est&#233;tico. Reconhec&#234;-lo como tal na contemporaneidade n&#227;o pode se limitar ao valor do belo" </em>[<a href="https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/44961/1/2022_GuilhermeLob&#227;odeQueiroz.pdf">p&#225;gina 23</a>]<em>. </em>Qual o conceito de est&#233;tica adotado na tese?&nbsp;</h4><p>Todo mundo fica perdido quando se traz est&#233;tica para o campo da gastronomia, que &#233; um campo dominado pela est&#233;tica pr&#225;tica, a visual. Para boa parte dos te&#243;ricos e fil&#243;sofos, a comida n&#227;o poderia estar no campo da est&#233;tica porque n&#227;o se apresenta de uma forma que se possa fru&#237;-la pelo audiovisual. Carolyn Korsmeyer, em 1990, na Universidade de Chicago, rompe com essa tradi&#231;&#227;o; o pr&#243;prio Epicuro entendia isso tamb&#233;m, de que o valor da comida est&#225; al&#233;m do fisiol&#243;gico. A comida na boca e no olfato quer dizer algo. Essa constru&#231;&#227;o de sentido n&#227;o era considerada quando fal&#225;vamos de est&#233;tica.</p><p>Trabalhar a est&#233;tica da comida &#233; uma tradi&#231;&#227;o muito nova no Brasil. Ningu&#233;m abordou isso diretamente. Tem coisas que batem na trave, como Raul Lody, C&#226;mara Cascudo e Carlos Alberto D&#243;ria. Mas n&#227;o citam isso de forma dedicada. O que proponho &#233; a representa&#231;&#227;o dos sentidos, dos sentimentos ligados aos sentidos, e o aspecto de frui&#231;&#227;o sensorial usando todos os sentidos que vem a partir do nosso contato com a comida.&nbsp;</p><p>Tem alguns caras que entendem a est&#233;tica como um fen&#244;meno cotidiano. Uso muito o Gumbrecht na tese, que fala de pequenos arroubos est&#233;ticos e exemplos mais corriqueiros: quando voc&#234; pisa em folhas secas e elas estalam, h&#225; uma admira&#231;&#227;o do pr&#243;prio belo. Na comida, isso vai acontecer como o [Marcel] Proust j&#225; trouxe anteriormente [no livro <em>Em busca do tempo perdido</em>], com o efeito das madeleines e ch&#225; na vida adulta, ele lembra da mordida na sua inf&#226;ncia. E esse efeito foi bem traduzido com o filme <em>Ratatouille</em> para os novos tempos. &#201; uma abertura para essa epifania.</p><p>Existe uma capacidade da comida de revelar emo&#231;&#245;es e caracter&#237;sticas para al&#233;m de beleza, que envolve outros aspectos. <strong>A comida n&#227;o &#233; uma obra de arte, mas sim um lugar de experimenta&#231;&#227;o ou de revela&#231;&#227;o est&#233;tica.</strong></p><h4>Ent&#227;o por estarmos vivendo em um per&#237;odo de diversidade de experi&#234;ncias e de acesso a diferentes alimentos, temos menos consenso sobre o que &#233; o "belo"?</h4><p>Sim, bem menos consensos. Temos a experi&#234;ncia com a comida maculada. N&#227;o existe mais a comida nua; voc&#234; n&#227;o <em>experimenta</em> mais a comida. &#201; uma comida carregada de aspectos simb&#243;licos culturais e at&#233; midi&#225;ticos. As informa&#231;&#245;es midi&#225;ticas mudam nossa percep&#231;&#227;o e recepta&#231;&#227;o do alimento. Podemos achar legal ou n&#227;o, gostar ou n&#227;o. A est&#233;tica n&#227;o se resume &#224; epifania do Proust. Quando pensamos no mundo contempor&#226;neo, o grande neg&#243;cio da est&#233;tica &#233; estar no fato de o belo n&#227;o ser um estatuto, n&#227;o ser a beleza cl&#225;ssica. O belo est&#225; em disputa. O campo da est&#233;tica &#233; um terreno em disputa.&nbsp;</p><h4>Voc&#234; cita uma s&#233;rie de momentos importantes na gastronomia mundial em poucos anos, desde o fechamento do ElBulli at&#233; a cria&#231;&#227;o do <em>slow food</em>, que pauta uma "nova est&#233;tica", do bom, limpo e justo. As crises na gastronomia e as quebras de paradigmas s&#227;o mais frequentes na contemporaneidade?</h4><p>H&#225; uma efemeridade dos ciclos na gastronomia. O <em>slow food</em> tamb&#233;m &#233; mais um desses ciclos, o que ele pode ter promovido foi uma ruptura na quest&#227;o &#233;tica. Quando falo sobre a crise est&#233;tica, eu n&#227;o uso o termo para me referir ao feio. As crises est&#233;ticas s&#227;o as quebras que alimentam esses ciclos da gastronomia, e os ciclos s&#227;o pistas do que est&#225; acontecendo. A gastronomia vive em crise.&nbsp;</p><p>Na contemporaneidade, esses ciclos est&#227;o mais pr&#243;ximos e acontecem o tempo inteiro. Mas isto sempre aconteceu. Do banquete de Lu&#237;s XIV at&#233; o in&#237;cio da gastronomia profissional francesa da Revolu&#231;&#227;o, os ciclos foram ficando cada vez mais pr&#243;ximos um do outro. Hoje, a trend do TikTok pode durar uma semana. <strong>A crise est&#225; no nosso relacionamento com a comida.</strong> &#201; uma crise mais ampla do que pensar s&#243; na dura&#231;&#227;o das modas.&nbsp;</p><p>A gastronom&#237;dia, termo da Helena Jacob, &#233; justamente a gastronomia, ela pr&#243;pria, sendo uma m&#237;dia. Ela que pauta o debate e traz sabores e as coisas que queremos comer. Hoje os restaurantes trabalham no que se v&#234; na internet. &#201; o marketing.&nbsp;</p><h4>A hiperconectividade e a "gastronom&#237;dia" est&#227;o enfraquecendo a nossa rela&#231;&#227;o com a comida?&nbsp;</h4><p>Quanto mais acelerado, mais fraca a rela&#231;&#227;o. Quanto mais fraca a rela&#231;&#227;o com a comida, maior a necessidade de um novo ciclo. [Byung-Chul] Han, autor de <em>A sociedade do cansa&#231;o</em>, escreveu outro livro que uso na tese, <em>A salva&#231;&#227;o do belo</em>. Ele traz uma chave para entender isso. No ciclo das artes, da nossa vida cotidiana, h&#225; uma busca, uma predi&#231;&#227;o do que vai ser belo ou o que podemos fazer para nos integrarmos na sociedade da beleza. Uma delas &#233; a tecnologia. O exemplo do iPhone, segundo Han, foi o <em>touchscreen</em>, que elimina qualquer barreira de est&#233;tica do tato com o deslizar do dedo no telefone. Antes era o bot&#227;o, a negatividade.</p><p>Na gastronomia &#233; o mesmo. A comida precisa estar absolutamente integrada ao conceito e &#224; expectativa de "ser surpreendido" de quem vai comer. A salva&#231;&#227;o do belo na gastronomia n&#227;o est&#225; com quem est&#225; inovando. Quem inova trabalha na perspectiva de se integrar a essa sociedade que &#233; positivista, como o filme "O Menu". O filme traz essa quest&#227;o curiosa no personagem: a expectativa do camarada precisa ser atendida, e a expectativa dele &#233; que <em>tudo vai ser sensacional</em>. Qualquer experi&#234;ncia.&nbsp;</p><p>At&#233; a comida estranha &#233; uma comida mais f&#225;cil de ser aceita e compreendida do que a comida que nos escapa. O <em>slow food </em>e PANC, por exemplo, trazem mais legibilidade a esses ingredientes usando as artimanhas do processo midi&#225;tico ao transformar uma planta comum daquele bioma em uma "coisa estranha". Nomeia-se "n&#227;o convencional" para que ela seja aceita de volta. Com um novo nome, ganha um novo predicado de aceita&#231;&#227;o.</p><h4>A gente consome muito mais o discurso, a imagem da comida, do que a comida de fato. &#201; isso? Estamos vivendo do que o marketing fala e n&#227;o do que estamos provando?&nbsp;</h4><p>O <em>binge tasting</em> &#233; uma das grandes descobertas da tese, pelo <em>feedback</em> da banca. As pessoas est&#227;o provando o vinho que voc&#234; coloca na sua timeline. Elas est&#227;o conhecendo o produto por ali e emitindo opini&#227;o a partir da opini&#227;o que voc&#234; compartilhou. Sem nem ter visto ao vivo, nem provado o vinho. &#201; tudo fict&#237;cio.&nbsp;</p><p>H&#225; um consumo exacerbado de imagens que n&#227;o vai fazer t&#227;o mal quanto a compuls&#227;o alimentar de fato, mas &#233; uma alimenta&#231;&#227;o visual. Os efeitos desse <em>binge tasting</em> s&#227;o menos graves, mas no longo prazo traz um problema, como todo processo de <em>binge watching</em> ou de <em>doom scrolling.</em><strong> </strong>Estamos nos alimentando de algo que n&#227;o existe nos termos gastron&#244;micos, em termos de textura, sabor, olfato e audi&#231;&#227;o, tato, tudo. </p><blockquote><h4><em>Estamos comendo mais com os olhos, mas dando aten&#231;&#227;o a uma comida fict&#237;cia.</em></h4></blockquote><p>Consumimos apenas pelos olhos e talvez pela audi&#231;&#227;o, quando passam a faca sobre a pururuca para mostrar o quanto t&#225; crocante. Isso desperta o senso de "eu conhe&#231;o esse sabor", mesmo sem voc&#234; ter comido. Isso se projeta na sua mente como se voc&#234; tivesse provado. <strong>A gente t&#225; perdendo a compreens&#227;o do que de fato estamos nos alimentando. </strong>Um exemplo bem curioso que ilustra isso &#233; quem come pipoca ou miojo enquanto assiste ao Masterchef.</p><h4>O sujeito gastronomizado seria o p&#243;s-modernismo &#224; mesa?&nbsp;</h4><p>O sujeito gastronomizado &#233; um departamento dentro do sujeito p&#243;s-moderno. Ele age, pensa, atua e vive sua vida capturado pelo senso da gastronomiza&#231;&#227;o, do entendimento do sentido gastron&#244;mico. Ele vai reconhecer isso em todos os n&#237;veis da sua vida. Esse &#233; um grande sintoma desse sujeito. Ele tem suas predile&#231;&#245;es pautadas pela m&#237;dia gastron&#244;mica, o imperativo gastron&#244;mico molda sua concep&#231;&#227;o de mundo desse sujeito. O termo &#233; uma forma de dar nome a esse sujeito, que seria quem come, e n&#227;o categorizar um comportamento individual.&nbsp;</p><h4>Em um trecho da sua tese, voc&#234; escreve que <em>"a quest&#227;o da gastronomia contempor&#226;nea n&#227;o pode se limitar &#224; compreens&#227;o de uma elitiza&#231;&#227;o da experi&#234;ncia com a comida, sen&#227;o tamb&#233;m observando a intempestividade, sintoma m&#225;ximo do contempor&#226;neo (...) [em que] o intempestivo remonta &#224; condi&#231;&#227;o de uma recusa em se engajar no tempo presente"</em> [<a href="https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/44961/1/2022_GuilhermeLob&#227;odeQueiroz.pdf">p&#225;gina 30</a>]. Quais s&#227;o as express&#245;es gastron&#244;micas que voc&#234; identifica que n&#227;o querem se engajar no momento presente?&nbsp;</h4><p>Estamos falando de um universo que est&#225; dentro do algoritmo e de uma busca perene de renova&#231;&#227;o e de novo <em>status quo</em>. Isso est&#225; acontecendo com todo mundo. Hoje tem grupos ind&#237;genas trabalhando com sua pr&#243;pria gastronomia para contexto urbano, mas eles precisam do contexto da m&#237;dia para criar relev&#226;ncia e chegar &#224;s pessoas. N&#227;o me interessa criticar esses processos. Mas existe uma quest&#227;o que &#233; a comida nua [do discurso midi&#225;tico; a frui&#231;&#227;o "inocente" de uma refei&#231;&#227;o]. Nunca mais vamos ter comida nua. Eu concluo a tese dizendo que devemos buscar o caminho de volta. N&#227;o significa que vamos encontrar essa comida nua. Chegamos at&#233; aqui e deu errado, vamos voltar. A&#237; chego na recozinha.</p><h4>Onde se manifesta a recozinha hoje?&nbsp;</h4><p>Voc&#234; n&#227;o sai de si. Esse &#233; o grande lance do restauro: as coisas foram se quebrando e agora temos a chance de n&#227;o passar apenas por uma dem&#227;o de tinta, mas de discutir tudo da gastronomia, que agora est&#225; se fazendo de um jeito e precisa ver outro jeito. A caminhada do ser humano &#233; essa, o Sankofa: olhar para tr&#225;s e ressignificar o futuro. Assim tamb&#233;m na gastronomia. <strong>A recozinha compreende uma dial&#233;tica da mem&#243;ria que opera a transforma&#231;&#227;o pela pr&#243;pria redund&#226;ncia.&nbsp;</strong></p><p>Quando o Han fala sobre como vamos fazer para resgatar e salvar o belo, para que ele possa significar algo que n&#227;o seja o positivismo, a resposta que ele traz &#233; a salva&#231;&#227;o do outro. <strong>Salvar o outro &#233; salvar o belo.</strong> <strong>Os lugares onde conseguimos encontrar a recozinha est&#227;o, por exemplo, nos processos e projetos em que voc&#234; serve ao outro.</strong> A hospitalidade, a d&#225;diva, voc&#234; reconhecer o outro e dar valor a ele. </p><blockquote><h4><em><strong>Quando a gastronomia perde a dimens&#227;o de servir o outro e se elitiza ou se banaliza, tudo come&#231;a a escoar pelo ralo. E para a gastronomia se fazer relevante de novo, ela precisa se conectar com as pessoas.</strong> </em></h4></blockquote><p>N&#227;o de forma rom&#226;ntica "isso aqui me lembra a minha av&#243;", mas de se conectar &#224;s pessoas.&nbsp;O exemplo que dou no meu curso &#233; o <a href="https://ghettogastro.com/">Ghetto Gastro</a>, um coletivo de produ&#231;&#227;o de comida identit&#225;ria negra da periferia de Nova York. Eles usam isso para que os negros em posi&#231;&#227;o de trabalho, de subemprego, de atendimento, de cargos menores da cozinha, preparem a comida que eles fazem em casa, a cozinha que eles conhecem, e ver que essa comida pode ser servida para outras pessoas. O <a href="https://www.instagram.com/veganoperiferico/">Vegano Perif&#233;rico</a>, de S&#227;o Paulo, tamb&#233;m. O veganismo &#233; uma pauta que se tornou elitizada, e eles provam que n&#227;o precisa ser assim. Tem uma quest&#227;o ali de fortalecer e favorecer as pessoas que est&#227;o precisando e que podem ser donas do pr&#243;prio destino e das pr&#243;prias escolhas para que elas n&#227;o fiquem sob o jugo de que "para comer bem precisa de dinheiro". O Edson Leite, que trabalha com o aproveitamento total do ingrediente. At&#233; a Rita Lobo, Bela Gil e os chefs estrelados fazem parte desse fen&#244;meno, que &#233; usar a gastronomia para produ&#231;&#227;o do oportunismo social. Faz parte do jogo. </p><div><hr></div><h3>APOIE A FOGO BAIXO</h3><h5>A newsletter<strong> FOGO BAIXO</strong> &#233; uma publica&#231;&#227;o independente da jornalista <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/sobre-a-autora">Fl&#225;via Schiochet</a>, financiada pelos seus leitores. 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Enquanto o futuro &#233; visto como algo pass&#237;vel de ser moldado e direcionado, o passado estaria cristalizado e imut&#225;vel &#8211; quando, na verdade, todo passado &#233; uma costura de retalhos selecionados. N&#227;o os dispon&#237;veis ou os encontrados pelo caminho: os escolhidos.</p><p>&#201; praxe afirmar que a Hist&#243;ria &#233; escrita pela m&#227;o de quem domina. E o que essa m&#227;o faz &#233; abafar e remover da vers&#227;o final o que lhe parece pouco lisonjeiro. Aprender a olhar para o passado e reinterpretar a Hist&#243;ria n&#227;o &#233; uma tarefa f&#225;cil. Cerzir as partes pu&#237;das que foram escondidas, reintegrar &#224; linha do tempo fatos que foram ignorados, desafiar o c&#226;none &#8211; como a historiadora, gastr&#244;noma e doutora em nutri&#231;&#227;o, alimenta&#231;&#227;o e sa&#250;de <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/extra-entrevista-lourence-alves">Lourence Alves falou nesta entrevista</a> &#8211;&nbsp;tem seu pre&#231;o. Geralmente, o descr&#233;dito de quem questiona o <em>status quo</em>.</p><p>A transforma&#231;&#227;o dessa Hist&#243;ria oficial, que ganha mais vieses e narrativas justapostas, &#233; algo novo, tecnologicamente falando. Hoje, n&#227;o precisamos escrever em papel, traduzir e esperar meses at&#233; que ele cruze oceanos para se dispersar pelo mundo. A colcha de retalhos da Hist&#243;ria est&#225; sendo costurada ao vivo, em m&#250;ltiplas frentes &#8211;&nbsp;na academia, na sociedade civil e especialmente no cotidiano. Trazer a leitura a contrapelo da Hist&#243;ria oficial para o dia a dia &#8211;&nbsp;o <a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/carnaval/2019/noticia/2019/03/08/conheca-os-herois-citados-no-samba-e-no-enredo-da-mangueira-no-carnaval-de-2019.ghtml">samba-enredo da Mangueira em 2019</a> &#233; um exemplo disso &#8211;, nas conversas ao vivo ou virtuais, &#233; a nossa forma de alinhavar o novo entendimento &#224; colcha de retalhos hist&#243;rica.&nbsp;</p><p>Raphael Brand&#227;o tem 30 anos e se aproximou do mundo do caf&#233; por acaso, em 2019, ao trabalhar em uma microtorrefadora como assistente &#8211;&nbsp;embalava os gr&#227;os torrados e colava adesivos. Em quest&#227;o de meses, sorveu o que pode do entorno e come&#231;ou a fazer suas pr&#243;prias pesquisas. Entendeu que "negro" e "caf&#233;" foram retalhos historicamente arrematados ao redor de escravid&#227;o. E quis rasgar a fazenda.</p><p>Criou a marca <a href="https://cafedipreto.com.br">Caf&#233; di Preto</a> em dezembro de 2020, realocando sua ra&#231;a e classe em outra posi&#231;&#227;o no mundo. Na pr&#225;tica, como faz <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/entrevista-regina-tchelly">Regina Tchelly</a>, ele aponta novos caminhos tentando mudar seu entorno.&nbsp;</p><p>A realidade do caf&#233; especial &#233; a de <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/7-preco-cafe-especial-valor-barista">sacas caras e sal&#225;rios baratos</a>. E a realidade do mercado de trabalho brasileira &#233; de <a href="https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101681_informativo.pdf">pessoas brancas recebendo cerca de 45% a mais do que as pretas e pardas</a>. Donos de fazenda e s&#237;tios s&#227;o <a href="https://sidra.ibge.gov.br/tabela/6882#resultado">majoritariamente brancos</a>: 46,65% versus 8,28% pretos. Pardos s&#227;o 44% dos propriet&#225;rios rurais.&nbsp;</p><p>"Todo caf&#233; produzido por pessoas pretas acaba sendo um microlote", definiu Raphael, em meio a uma digress&#227;o enquanto convers&#225;vamos por telefone. Foi dif&#237;cil transcrever essa conversa. Entre contextualiza&#231;&#245;es, desabafos e muitas interfer&#234;ncias no sinal da operadora (a liga&#231;&#227;o caiu tr&#234;s ou quatro vezes), a entrevista virou uma conversa. Mantive, na transcri&#231;&#227;o, apenas as perguntas principais, sem as minhas falas e coment&#225;rios entremeados nas respostas de Raphael, deixando o texto seguir um fluxo de consci&#234;ncia.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!eBpb!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F27608a50-583c-477b-91ec-6d6a4f1606a2_1100x40.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!eBpb!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F27608a50-583c-477b-91ec-6d6a4f1606a2_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!eBpb!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F27608a50-583c-477b-91ec-6d6a4f1606a2_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!eBpb!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F27608a50-583c-477b-91ec-6d6a4f1606a2_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!eBpb!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F27608a50-583c-477b-91ec-6d6a4f1606a2_1100x40.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!eBpb!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F27608a50-583c-477b-91ec-6d6a4f1606a2_1100x40.png" width="1100" height="40" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://bucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com/public/images/27608a50-583c-477b-91ec-6d6a4f1606a2_1100x40.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:40,&quot;width&quot;:1100,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!eBpb!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F27608a50-583c-477b-91ec-6d6a4f1606a2_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!eBpb!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F27608a50-583c-477b-91ec-6d6a4f1606a2_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!eBpb!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F27608a50-583c-477b-91ec-6d6a4f1606a2_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!eBpb!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F27608a50-583c-477b-91ec-6d6a4f1606a2_1100x40.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><p>Entre 2020 e 2021, Raphael usou o torrefador da empresa nas horas vagas e lan&#231;ou os caf&#233;s Dandara e Esperan&#231;a, homenagens a mulheres negras que s&#227;o refer&#234;ncias hist&#243;ricas: Dandara de Palmares e <a href="http://flaviaschiochet.substack.com/p/entrevista-tais-santanna-machado">Esperan&#231;a Garcia, a cozinheira que escreveu uma carta-peti&#231;&#227;o em 1770</a>. &#192; &#233;poca, Raphael n&#227;o conhecia o mercado de caf&#233; t&#227;o a fundo, e os fornecedores ao qual tinha acesso eram brancos.</p><p>O primeiro volume, previsto para durar tr&#234;s meses, <a href="https://www.instagram.com/p/CQHUsjtpXei/">esgotou-se em pouco mais de um m&#234;s</a>, em junho de 2021. Por quest&#245;es de estrutura, teve de parar de usar o torrador do local em que trabalhava e a marca entrou em lat&#234;ncia em setembro. Em outubro, ele come&#231;ou uma campanha em plataforma de financiamento coletivo para comprar o equipamento e come&#231;ar a trabalhar exclusivamente para sua marca.</p><p>As coisas n&#227;o sa&#237;ram como o esperado: depois de seis meses de campanha, ele arrecadou R$ 14.800 e teve de desmontar seu computador &#8211;&nbsp;o melhor equipamento que ele tinha em m&#227;os &#8211;&nbsp;para rifar as pe&#231;as. Conseguiu mais de R$ 10 mil. Mais as doa&#231;&#245;es pontuais vindas de amigos e desconhecidos, chegou a R$ 40 mil e pode dar uma entrada no equipamento.</p><p>&#8220;Continuei trabalhando onde eu estava, sa&#237; em fevereiro deste ano, porque eu n&#227;o tinha <em>backup</em> financeiro para pagar as contas. O que me deu seguran&#231;a para sair do trabalho foi porque&nbsp;moro na casa de um amigo que se mudou da cidade, o M&#225;rio. Ele me isentou do aluguel se eu tivesse algum problema de dinheiro&#8221;, relembra. Outro amigo da &#233;poca da faculdade de Engenharia de Controle e Automa&#231;&#227;o, Rafael, viu sua geladeira vazia e abasteceu sua despensa no in&#237;cio de 2022. &#8220;Por tr&#234;s meses eu sabia que ia fazer dar certo, porque tinha onde morar e o que comer. M&#225;rio e Rafael s&#227;o dois amigos pretos. Na &#233;poca que eu a gente se conheceu, eu n&#227;o tinha essa consci&#234;ncia racial. Eles me ajudaram no comecinho da faculdade e me ajudam hoje em dia. O Caf&#233; di Preto existe hoje porque tenho essa rede de apoio, essas amizades&#8221;, diz.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!-SeE!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4a00e0d6-db37-451e-bcd5-c963c007856d_1374x2080.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!-SeE!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4a00e0d6-db37-451e-bcd5-c963c007856d_1374x2080.jpeg 424w, 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Foto: <a href="https://www.instagram.com/anab.trzz/">AnaB.</a>/Arquivo pessoal Raphael Brand&#227;o</figcaption></figure></div><p>Nascido na Regi&#227;o dos Lagos do estado do Rio de Janeiro, Raphael est&#225; h&#225; 11 anos em Nova Igua&#231;u, na Baixada Fluminense, tendo morado na capital e em Niter&#243;i por curtos per&#237;odos. Raphael come&#231;ou a nova fase do Caf&#233; di Preto com um torrefador na sala de casa, em Nova Igua&#231;u, no dia 19 de abril de 2022, tendo em m&#227;os caf&#233;s de quatro fornecedores negros. Em agosto de 2022, chegou &#224; marca de uma tonelada de caf&#233; comprado.</p><p>O Caf&#233; di Preto &#233; o que se pode chamar de "eupresa". Raphael trabalha sozinho em compras, torrefa&#231;&#227;o, venda e envio por transportadora, aproveitando momentos em que o estoque esgota para resolver burocracias.&nbsp;</p><blockquote><h4>"Quando comecei, torrei e vendi 240 kg em oito meses, mas na &#233;poca eu ainda n&#227;o tinha fornecedores pretos.&nbsp;M&#234;s passado [julho de 2022] fez quatro meses que estou trabalhando s&#243; com pessoas pretas. E a&#237; foram 240 kg em tr&#234;s meses!", comparou. Estou torrando em m&#233;dia 80 kg por m&#234;s. &#201; pequeno, mas est&#225; crescendo", comemora.</h4></blockquote><p>Os 90 minutos de entrevista foram editados e reorganizados para melhor leitura.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oWts!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd07ff910-e1ed-4311-8829-1cf8441c21a2_1100x40.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oWts!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd07ff910-e1ed-4311-8829-1cf8441c21a2_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oWts!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd07ff910-e1ed-4311-8829-1cf8441c21a2_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oWts!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd07ff910-e1ed-4311-8829-1cf8441c21a2_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oWts!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd07ff910-e1ed-4311-8829-1cf8441c21a2_1100x40.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oWts!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd07ff910-e1ed-4311-8829-1cf8441c21a2_1100x40.png" width="1100" height="40" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://bucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com/public/images/d07ff910-e1ed-4311-8829-1cf8441c21a2_1100x40.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:40,&quot;width&quot;:1100,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:2685,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oWts!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd07ff910-e1ed-4311-8829-1cf8441c21a2_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oWts!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd07ff910-e1ed-4311-8829-1cf8441c21a2_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oWts!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd07ff910-e1ed-4311-8829-1cf8441c21a2_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oWts!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd07ff910-e1ed-4311-8829-1cf8441c21a2_1100x40.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><h4>Como est&#225; funcionando a sua rotina no Caf&#233; di Preto atualmente?&nbsp;</h4><p>Como acabou o primeiro estoque, estou resolvendo burocracia. A parte da rotina que eu mais gosto &#233; torrar caf&#233;. Agora estou definindo o perfil de torra do Dandara, do seu Ivan Santana. A parte da torra, por mais que seja um processo repetitivo depois que se fixa o perfil sensorial&#8230;&nbsp; eu gosto muito de ver o caf&#233; entrando cru e saindo torrado. Vejo qu&#227;o recompensadora &#233; a luta. T&#244; torrando na sala de casa ainda, preciso reformar os fundos para receber as pessoas e dar cursos. Mas &#233; muito gratificante saber que foi algu&#233;m que cultivou, que beneficiou e a&#237; chegou at&#233; mim. Por mais que torrar seja a mesma coisa, tem sempre um gosto especial de conquistar algo que &#233; meu.&nbsp;</p><p>Essa semana mesmo eu tava lembrando. [Torrar caf&#233;] tem um gosto mais especial ainda porque eu trabalhei [em uma cafeteria] sem receber nem sal&#225;rio m&#237;nimo. Na &#233;poca, eu achava que aquelas pessoas eram minhas amigas. A partir do momento que viram meu crescimento [com a marca Caf&#233; di Preto], parece que queriam colocar um cabresto para que eu continuasse sendo s&#243; empregado. Sa&#237; sem nada certo da cafeteria, eu nem tinha torrador. Abri m&#227;o de muita coisa, do pouco que eu tinha, para conquistar isso aqui. &#201; uma parada que fico com medo, de virar exemplo de supera&#231;&#227;o. <a href="https://g1.globo.com/economia/agronegocios/agro-de-gente-pra-gente/noticia/2022/08/04/gente-do-campo-agricultor-compra-fazenda-que-trabalhou-na-infancia-e-muda-vida-da-familia-com-cafe-especial.ghtml">Saiu uma mat&#233;ria com o [fornecedor de caf&#233;] Ivan Santana no g1</a>. Ele comprou uma parte da fazenda em que trabalhou dos 11 aos 13 anos de idade na produ&#231;&#227;o de caf&#233;. E a&#237; tem pessoas que acham que &#233; meritocracia, que se voc&#234; n&#227;o desistir, voc&#234; consegue. Quantas pessoas pretas hoje tem uma propriedade? Quantas lutam e n&#227;o tem uma cafeteria, um torrefador? Eu fico com p&#233; atr&#225;s de usarem assim minha hist&#243;ria tamb&#233;m. Eu sei que dei sorte, porque tive uma grande rede de apoio. Tive sa&#250;de mental abalada, tive momentos que eu ia chorando trabalhar, era desgastante e muitas vezes outras pessoas n&#227;o conseguem superar essas barreiras. A taxa de suic&#237;dio &#233; maior em homens pretos.</p><blockquote><h4><em>Eu sempre falo que superei, mas n&#227;o quero ser um exemplo de hist&#243;ria de supera&#231;&#227;o. Eu acredito que tem que ser f&#225;cil pra todo mundo. N&#227;o existe meritocracia na sociedade que a gente vive, n&#227;o existe meritocracia no caf&#233;.</em></h4></blockquote><p>Para adentrar o mundo do caf&#233; tive que adentrar numa jornada de trabalho do caf&#233; que n&#227;o era necess&#225;rio. O caf&#233; &#233; uma ferramenta transformadora para abrir portas. <a href="https://open.spotify.com/episode/2eTloWb3Nrjmog0RkUnCPr?si=96c9950011aa4ddb">&#201; como a Sueli Carneiro fala na entrevista com o Mano Brown</a>: <strong>h&#225; mais pessoas que lutam do que pessoas que vencem.&nbsp;</strong></p><h4>Voc&#234; presta servi&#231;o para outras marcas de caf&#233;s ou para cafeterias?&nbsp;</h4><p>Estava fornecendo o gr&#227;o Dandara para espresso de uma cafeteria no Rio de Janeiro, mas como tive que repassar o aumento [de gasolina, de caf&#233;, etc], a parceria descontinuou. Quando eu comecei, eu precifiquei errado, porque tava com medo de n&#227;o vender. Precifiquei sem margem de crescimento para a empresa. S&#243; pra sair no empate todo m&#234;s. Eu ficava preso &#224; democratiza&#231;&#227;o do caf&#233; especial, mas n&#227;o adiantava meu produto ser barato e a empresa fechar. A&#237; as coisas n&#227;o rodam. T&#244; deixando um pouco de lado a democratiza&#231;&#227;o do caf&#233; para fazer a empresa crescer, e a&#237; l&#225; na frente consigo democratizar. </p><blockquote><h4><em>No caf&#233; especial, tem muito microlote de R$ 70 o pacote de 250 gramas. Mas parando para pensar, praticamente todo caf&#233; feito por uma pessoa preta &#233; microlote: o Seu Rom&#227;o s&#243; tem tr&#234;s sacas, no m&#225;ximo, pra mandar. O Caf&#233; di Preto &#233; uma parcela de uma parcela [do caf&#233; especial]: al&#233;m de ter sido plantado por uma pessoa preta, a torrefa&#231;&#227;o tamb&#233;m &#233;. As pessoas precisam enxergar que o caf&#233; &#233; caro por raridade.&nbsp;</em></h4></blockquote><h4>Nesse novo momento da marca, voc&#234; est&#225; com fornecedores negros. Quem s&#227;o as pessoas que trabalham com voc&#234; agora e quais s&#227;o os caf&#233;s produzidos?</h4><p>Estou com gr&#227;os da Fam&#237;lia Peixoto (Santo Ant&#244;nio do Amparo &#8211;&nbsp;MG), Fam&#237;lia Rom&#227;o (Perd&#245;es &#8211;&nbsp;MG), Ivan Santana (Cabo Verde &#8211;&nbsp;MG), e Lu&#237;s Carlos Gomes (Santa Tereza &#8211;&nbsp;ES). Os caf&#233;s estavam em pr&#233;-venda [at&#233; 12 de agosto] e t&#234;m os mesmos nomes da primeira fase da marca, Esperan&#231;a e Dandara, mas s&#227;o bebidas de perfis diferentes dos que foram torrados para a primeira leva. S&#227;o homenagens &#224; Esperan&#231;a Garcia e &#224; Dandara de Palmares.</p><p>O <strong>Dandara</strong> estou fazendo com um <strong>moca catua&#237; amarelo do Ivan Santana</strong>. &#201; um caf&#233; de entrada, ent&#227;o procuro gr&#227;os com perfil sensorial de caramelo, de chocolate, um sensorial mais sens&#237;vel e amistoso para ser a porta de entrada. Quem nunca bebeu caf&#233; especial, se come&#231;ar por um fermentado com notas de maracuj&#225;&#8230; [n&#227;o completa]. Quem come&#231;a a beber meus caf&#233;s come&#231;a pelo Dandara.</p><p>O <strong>Esperan&#231;a</strong> &#233; um <strong>catua&#237; 99 vermelho</strong>, processo natural, do <strong>Luiz Carlos Rom&#227;o</strong>. &#201; mais frutado, um passo &#224; frente do Dandara. Tem caramelo, mas o que se destaque &#233; a nota de fruta amarela, como p&#234;ssego, damasco. Tem [notas de] rapadura, muito doce e frutado. Acho at&#233; enjoativo quando torro e esque&#231;o os baldes abertos.&nbsp;</p><p>Agora tenho um caf&#233; novo que &#233; um <strong>conilon especial Rita de C&#225;ssia</strong>, um <em>canephora</em> clone 153, do seu <strong>Lu&#237;s Carlos Gomes</strong>. O nome &#233; uma homenagem &#224; irm&#227; dele. Esse caf&#233; tem as caracter&#237;sticas do conilon, &#233; mais amendoado, mais fechado. Tem nozes, cacau. Fui at&#233; l&#225; torrar com eles uma vez. Esse &#233; o caf&#233; que tem tudo para ser o caf&#233; base junto do Dandara. O seu Lu&#237;s Carlos confiou em mim e me mandou as sacas para mim sendo que eu s&#243; tinha para pagar o frete. S&#243; de ouvir minha hist&#243;ria, ele confiou em mim. Eu nunca tinha falado com ele na vida.&nbsp;</p><p>O quarto caf&#233; &#233; o <strong>Auxiliadora</strong>, que no momento &#233; um <strong>catua&#237; amarelo natural</strong> da <strong>fam&#237;lia Peixoto</strong>. O nome &#233; uma homenagem &#224; cunhada da dona Neide, com quem trato dos caf&#233;s. A Auxiliadora ajuda no cultivo e na colheita dos gr&#227;os. Esse caf&#233; &#233; mais delicado, com notas mais florais e fruta amarela. Comprei pouco dele, n&#227;o sei se vai ser o mesmo gr&#227;o sempre.&nbsp;</p><p>E tem a <strong>Dona Edilaine</strong>, esposa do <strong>Rom&#227;o</strong> que &#233; homenageada no <strong>caf&#233; fermentado</strong>. Tem oito anos a propriedade deles. Ele ganhou na loteria e comprou esse pedacinho de terra e produz <strong>gr&#227;os de 87 pontos para o Esperan&#231;a e Edilaine</strong>. Este &#233; um <strong>catua&#237; 99 vermelho fermentado e seco em terreiro suspenso</strong>. Tem notas &#225;cidas, como bala de tamarindo, maracuj&#225; e mel com lim&#227;o. A primeira safra teve s&#243; 30 kg e todo mundo elogia muito. Vamos tentar colocar esse no <em>Coffee of the Year</em> esse ano.&nbsp;</p><p>O Edilaine, pela hist&#243;ria da propriedade e pelo perfil sensorial, &#233; o meu preferido. At&#233; quem n&#227;o entende muito de caf&#233; sabe que tem <em>algo</em> nesse caf&#233;. O casal Rom&#227;o faz tudo, desde a colheita, beneficiamento e tudo o mais. O trabalho deles &#233; pequeninho, de formiguinha, e est&#227;o fazendo uma parada incr&#237;vel. &#201; uma grandiosidade de caf&#233;s que fazem com as ferramentas que eles t&#234;m.<strong> Eu sou s&#243; a ponta da lan&#231;a. A torra &#233; importante, mas o trabalho que h&#225; antes de mim &#233; incr&#237;vel.&nbsp;</strong></p><h4>A hist&#243;ria do caf&#233; no Brasil &#233; de fazendeiros que come&#231;aram a investir na produ&#231;&#227;o depois de outros ciclos econ&#244;micos enfraquecerem, como o da cana-de-a&#231;&#250;car. As pessoas escravizadas, no entanto, eram quem detinham a tecnologia, o <em>know-how</em> para trabalhar com aquele produto. Ainda hoje, a m&#227;o de obra de pessoas negras nos p&#243;los de produ&#231;&#227;o de caf&#233; s&#227;o contratadas para trabalhos f&#237;sicos, como na colheita. Mas na outra ponta da cadeia, no barismo e na torra, n&#227;o se v&#234; pessoas negras, pelo que li em entrevistas suas.&nbsp;</h4><p>Tem uma fazenda que vai sediar um evento e que produz caf&#233; desde 1852. O conhecimento do evento seria enriquecedor, mas n&#227;o estou preparado para ambientes que s&#227;o ambientes de sangue e dor. &#201; algo que me d&#243;i ainda. N&#227;o consigo ir. A estrutura est&#225; l&#225; de p&#233;, a casa colonial, a senzala. Essas pessoas que est&#227;o &#224; frente tem uma preocupa&#231;&#227;o com o meio ambiente, mas n&#227;o se v&#234; uma preocupa&#231;&#227;o racial, literalmente. Tem que haver uma repara&#231;&#227;o. As fazendas de caf&#233; de sucesso, toda a hist&#243;ria dos caras come&#231;a no per&#237;odo da escravid&#227;o.&nbsp;</p><blockquote><h4><em>Essas pessoas n&#227;o t&#234;m culpa que seus trisav&#243;s enriqueceram atrav&#233;s da m&#227;o de obra for&#231;ada de pessoas pretas e ind&#237;genas, mas n&#227;o existe por parte dessas pessoas uma iniciativa de repara&#231;&#227;o, de botar a m&#227;o na consci&#234;ncia, de criar um fundo para incentivar o ingresso de pessoas no mundo do caf&#233;. N&#227;o existe esse debate. Todo mundo tem orgulho de falar que &#233; a quinta gera&#231;&#227;o a produzir caf&#233;, mas isso &#233; quest&#227;o de matem&#225;tica: n&#227;o tem como produzir desde 1850 e n&#227;o ter usado trabalho escravo em algum momento.&nbsp;</em></h4></blockquote><p>O &#250;nico programa no Brasil que visa dar oportunidade para pessoas pretas se especializarem no ramo de caf&#233; &#233; dos EUA, da Phyllis Johnson [cofundadora e diretora da BD Imports]. No total, recebi um aporte de R$ 10 mil [da bolsa <a href="https://coffeeforequity.org/dona-ivone-scholarship">Dona Ivone</a>, do Coffee for Equity] para fazer curso, para me deslocar para S&#227;o Paulo para fazer cursos que s&#227;o fora da minha realidade.&nbsp;</p><p>Minhas ambi&#231;&#245;es com o Caf&#233; di Preto &#233; para al&#233;m de ficar rico e ter condi&#231;&#245;es de comprar casa e carro. Quero ser um agente de transforma&#231;&#227;o para que outras pessoas pretas fa&#231;am curso de torra, de barismo e outras coisas. Pra tudo isso precisa de dinheiro. &#201; um passado tr&#225;gico, as pessoas deveriam procurar limpar isso de alguma forma. Aqui no Brasil eu n&#227;o encontrei nenhuma iniciativa assim [como da Coffe for Equity].</p><p>Tem algumas iniciativas, como o incentivo de grupos ind&#237;genas e de g&#234;nero, mas de pessoas pretas n&#227;o se fala. <strong>Teve uma reportagem do g1 que falou do ciclo do caf&#233; e todas as pessoas que falam na mat&#233;ria s&#227;o brancas.</strong> E quando aparecem duas pessoas pretas nos oito minutos de v&#237;deo, elas est&#227;o carregando saca e passando rodo no terreiro. <strong>Continua tudo igual: pessoas brancas na condi&#231;&#227;o de poder e as pretas na condi&#231;&#227;o de m&#227;o de obra barata e sem qualifica&#231;&#227;o, porque n&#227;o h&#225; essa preocupa&#231;&#227;o de inseri-las e qualific&#225;-las. A preocupa&#231;&#227;o &#233; de ser sustent&#225;vel, ecologicamente correta. </strong></p><p>At&#233; mesmo a quest&#227;o do povo africano que veio, tinha cultivo de caf&#233; que &#233; da Eti&#243;pia, talvez alguns povos tivessem expertise de outro tipo de produ&#231;&#227;o agr&#237;cola [similar ao manejo do caf&#233;]. <strong>Trocou-se a m&#227;o de obra preta porque era preta e n&#227;o porque era de baixa qualidade. Quem torrava os caf&#233;s [no per&#237;odo da escravatura] eram as pessoas negras. </strong>Quando fui ao <a href="http://www.museuafrobrasil.org.br/programacao-cultural/exposicoes/longa-duracao">Museu Afro Brasil</a>, tinha uma exposi&#231;&#227;o sobre cana-de-a&#231;&#250;car. E tinha a parte que falava de caf&#233;. Tinha um torrador tipo o bolinha, mas grande. <strong>O que me separa daquele torrefador negro? A estrutura de poder e racial &#233; a mesma.</strong> <strong>Eu sou uma pessoa preta que torra caf&#233; pras pessoas brancas. </strong>O cara hoje que &#233; rico e dono de supermercado, por exemplo, n&#227;o enriqueceu diretamente pela m&#227;o de obra escrava, mas a fam&#237;lia de uma fazenda de caf&#233;, sim. O herdeiro do caf&#233; &#233; diretamente beneficiado pela escravid&#227;o. A divis&#227;o &#233; a mesma: pessoas brancas com posse, poder e terras e pessoas pretas como m&#227;o de obra de esfor&#231;o. Isso me deixava muito mal de pensar no come&#231;o. Aos poucos me sinto um agente de mudan&#231;a, mas n&#227;o ainda como eu queria. Quando eu dou um Google em <em>"negro" + "caf&#233;"</em> agora aparece umas duas fotos minhas, e n&#227;o s&#243; imagens que retratam a escravid&#227;o.&nbsp;</p><h4>E hoje, um ano e meio depois, voc&#234; tem encontrado mais pessoas pretas estudando e preparando caf&#233;?</h4><p>A maioria das pessoas que me seguem s&#227;o pretas e trabalham com caf&#233;. Donos de cafeterias pretos, ou que trabalham de alguma maneira com caf&#233; e querem vender ou servir meu caf&#233;. &#192;s vezes, o que falta &#233; a gente se enxergar. A m&#227;e de um amigo meu pediu para contar a minha hist&#243;ria para as crian&#231;as que ela d&#225; aula: "elas precisam ver que est&#227;o na sua realidade, que voc&#234; est&#225; perto delas". O que mais me pega at&#233; hoje s&#227;o mensagens que agradecem pela marca existir ou por eu n&#227;o ter desistido. &#201; uma ferramenta de mudan&#231;a e virada de chave. Sei que n&#227;o sou a primeira torrefa&#231;&#227;o negra no Brasil, mas coloquei isso no financiamento coletivo para chamar a aten&#231;&#227;o. A Concei&#231;&#227;o Evaristo fala: "n&#227;o importa se voc&#234; &#233; o primeiro, o que importa &#233; abrir portas".&nbsp;</p><p>Eu quero saber o que o Caf&#233; di Preto pode gerar de oportunidade para outras pessoas. <strong>O caf&#233; pode transformar vidas, mas desde 1727 vem transformando a vida das mesmas pessoas: as brancas.</strong> Eu quero que as pessoas pretas tamb&#233;m sejam contempladas com isso. Pode ser como agr&#244;nomo, barista, torrefador. As pessoas pretas enxergarem oportunidade em ser m&#227;o de obra qualificada, ou abrir uma pequena marca, trabalhar numa cafeteria ou abrir uma. Vai muito al&#233;m de ficar rico. Minha maior riqueza ser&#225; daqui 20 anos ter impactado positivamente a vida de outras pessoas.&nbsp;</p><p>Ano que vem quero prestar servi&#231;o de torra, de ter uma linha de caf&#233; para espresso de cafeterias. Mas ainda fico apertado pela quest&#227;o do estoque. Eu tenho problemas que todas as torrefa&#231;&#245;es tem, s&#243; que eu tamb&#233;m tenho problemas &#250;nicos. <strong>Quantas fazendas pretas produzem mais de mil sacas de caf&#233;?</strong> As [fazendas de pessoas brancas] grandes sempre produzem mais que mil. Para o Caf&#233; di Preto crescer tem um gargalo, que &#233; o volume produzido em uma fazenda preta. <strong>Se me derem um milh&#227;o de reais n&#227;o consigo comprar um milh&#227;o de reais de caf&#233; de pretos.</strong> <strong>E eu n&#227;o quero abrir m&#227;o de trabalhar s&#243; com gr&#227;os feitos por pessoas pretas.</strong> Desde que comecei [a comprar apenas de fazendas de pessoas negras], &#233; uma satisfa&#231;&#227;o indescrit&#237;vel, saber que essas pessoas que me mandaram esses caf&#233;s lutaram muito pelas pequenas propriedades que elas t&#234;m. Preciso fomentar o ciclo que vem antes de mim.&nbsp;</p><p>Tudo &#233; pol&#237;tico. O caf&#233; &#233; pol&#237;tico, porque t&#225; muito ligado ao que aconteceu no passado. <strong>Assim como a riqueza foi herdada, a pobreza tamb&#233;m passa de gera&#231;&#227;o em gera&#231;&#227;o, como diz um amigo. </strong>&#201; dif&#237;cil quebrar o ciclo da pobreza. N&#227;o tem como a pessoa comprar um caf&#233; especial se o caf&#233; comum t&#225; R$ 20 o quilo, se t&#225; R$ 9 o litro de leite. Para pessoas pretas acessarem o caf&#233;, n&#227;o depende s&#243; de mim. A situa&#231;&#227;o do Brasil, al&#233;m de ferrar a pessoa preta e pobre, ela quebra o meu rol&#234;, porque o meu produto fica apenas na classe burguesa, que s&#227;o pessoas brancas. N&#227;o quero que fique nichado. Al&#233;m de toda a correria, precisa de um movimento pol&#237;tico do caf&#233; para fora, e de fora para o caf&#233;. </p><blockquote><h4><em>N&#227;o &#233; justo uma pessoa preta ter que ganhar na loteria para comprar uma terra se tem gente que herda uma fatia de capitania heredit&#225;ria at&#233; hoje.</em></h4></blockquote><h4><strong>A marca Caf&#233; di Preto tem menos de dois anos de hist&#243;ria, mas tem alguns marcos importantes, como o estoque de tr&#234;s meses vendido em pouco mais de 30 dias. Qual era o "funcionamento ideal" que voc&#234; desejava no in&#237;cio da marca? Era parecido com isso?</strong></h4><p>Como dessa vez vem mais [volume de] caf&#233;, achei melhor fazer pr&#233;-venda. O pre&#231;o dos caf&#233;s aumentou. Se eu pegasse R$ 10 mil em caf&#233;, seria um volume menor do que os R$ 10 mil de caf&#233; h&#225; uns meses. Comprei nove sacas, isso d&#225; quase 600 kg. Com a pr&#233;-venda consigo ter mais dinheiro em caixa para para pagar meus fornecedores, que s&#227;o de agricultura familiar. A pr&#233;-venda gera um <em>boom</em> e eu j&#225; pago uma parcela a mais do que tinha prometido na negocia&#231;&#227;o.</p><p>Aumentei o estoque para n&#227;o precisar quebrar a oferta. Comprei mais caf&#233; para conseguir vender os 12 meses do ano sem susto.&nbsp;</p><p>No in&#237;cio, eu queria ser uma marca para trazer representatividade, que vendesse o caf&#233; de pessoas pretas. Na &#233;poca, era s&#243; eu torrando, eu n&#227;o tinha ambi&#231;&#245;es, eu era a &#250;nica pessoa preta na cadeia de produ&#231;&#227;o. Eu ainda quero ser representativo, quero que seja democr&#225;tico, mas quero que o caf&#233; mude de maneira substancial a vida da pessoa. Dar um curso para ela e ela entrar na &#225;rea, na parte que for da cadeia de produ&#231;&#227;o. </p><blockquote><h4><em>As pessoas pretas ainda est&#227;o descobrindo o mundo do caf&#233;. Tem gente que ainda nem sabe que ter&#225; a vida mudada pelo caf&#233;. </em></h4></blockquote><div><hr></div><h4>APOIE A FOGO BAIXO</h4><h5>A newsletter<strong> fogo baixo</strong> &#233; uma publica&#231;&#227;o independente da jornalista <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/sobre-a-autora">Fl&#225;via Schiochet</a>, financiada pelos seus leitores. 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Se no final da d&#233;cada de 2010 o <a href="https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf">Guia Alimentar Para a Popula&#231;&#227;o Brasileira</a>, publicado em 2014, era um documento que poderia ficar nas entrelinhas da pauta, sendo a base que fundamentava um di&#225;logo, hoje precisamos reafirm&#225;-lo como o ponto de partida do debate p&#250;blico para que n&#227;o haja argumenta&#231;&#227;o falaciosa esvaziando a conversa.</p><p>Caso o <a href="https://jornal.usp.br/atualidades/aumenta-preocupacao-com-consumo-de-alimentos-ultraprocessados-durante-pandemia/">&#237;ndice de consumo de ultraprocessados no Brasil</a> n&#227;o tivesse subido, poder&#237;amos at&#233; dizer que o Guia cumpre sua fun&#231;&#227;o e por isso, traz&#234;-lo ao debate com tanta frequ&#234;ncia seria redundante. O passo, ent&#227;o, seria consolidar seu papel no embasamento de pol&#237;ticas p&#250;blicas para fortalecer a seguran&#231;a alimentar e nutricional do brasileiro; jamais afrouxar o entendimento do que &#233; alimento, igualando produtos ultraprocessados a refei&#231;&#245;es completas.</p><p><strong>Na impossibilidade de rasgar o Guia, o governo Bolsonaro destruiu o tabuleiro do jogo</strong>, come&#231;ando pela <a href="https://www.camara.leg.br/noticias/556204-extinto-pelo-governo-consea-e-essencial-para-combate-a-fome-diz-nacoes-unidas/">extin&#231;&#227;o do Conselho Nacional de Seguran&#231;a Alimentar (CONSEA) no primeiro dia de mandato</a>. Dois meses depois, a ministra da Agricultura, Pecu&#225;ria e Abastecimento, Tereza Cristina, anunciou a <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2019-02/tereza-cristina-anuncia-reestruturacao-da-conab-e-venda-de-armazens">venda de armaz&#233;ns p&#250;blicos</a> (de 180 unidades, 27 foram no primeiro ano de governo e postas &#224; venda) em fevereiro de 2019, o que implica, <a href="https://www.condsef.org.br/noticias/governo-bolsonaro-trabalha-pelo-desmonte-conab-politica-nacional-alimentos">entre outras consequ&#234;ncias</a>, a diminui&#231;&#227;o de capacidade de <a href="https://www.conab.gov.br/estoques/gestao-dos-estoques-publicos">armazenamento de arroz, feij&#227;o, milho, farinha de mandioca e caf&#233;</a> e a regula&#231;&#227;o dos pre&#231;os desses produtos para o consumidor final. A diminui&#231;&#227;o da estocagem de arroz por parte do Estado causou em 2021 a alta do pre&#231;o do arroz e uma <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/2-fragmento?s=w">pol&#234;mica sobre a venda de arroz quebrado</a>.&nbsp;</p><p><strong>Os passos em dire&#231;&#227;o &#224; inseguran&#231;a alimentar come&#231;aram no governo Temer</strong>, com a progressiva diminui&#231;&#227;o de or&#231;amento destinado ao Programa de Aquisi&#231;&#227;o de Alimentos (PAA), chegando a <a href="https://ojoioeotrigo.com.br/2022/03/como-a-reducao-historica-de-recursos-destinados-a-seguranca-alimentar-afeta-a-populacao-brasileira/">reduzir em 77,3% de 2014 a 2020</a>, bem como o programa de Cisternas, que teve seu pior desempenho em 2019, com uma <a href="https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/02/12/bolsonaro-menor-numero-cisternas-desde-origem-programa.htm">queda de 80% no n&#250;mero de cisternas constru&#237;das em cinco anos</a>. Um PAA e Programa Nacional de Alimenta&#231;&#227;o Escolar (PNAE) enfraquecidos resultam em pobreza rural, pois os <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/entrevista-nayla-almeida?s=w">agricultores familiares e pequenos produtores perdem canais de venda</a>. Como n&#227;o existe v&#225;cuo, quem toma o lugar das hortali&#231;as, legumes, verduras, p&#227;es, geleias e latic&#237;nios dos pequenos produtores &#233; a ind&#250;stria aliment&#237;cia, cuja mat&#233;ria-prima vem da <a href="https://diplomatique.org.br/ultraprocessados-ultraesfomeados-e-o-sistema-agroalimentar-moderno/">produ&#231;&#227;o de commodities</a>. O resultado: ultraprocessados vindos da ind&#250;stria substituindo a comida que poderia vir do campo.</p><p>O Guia Alimentar para a Popula&#231;&#227;o Brasileira recomenda uma alimenta&#231;&#227;o &#224; base de alimentos in natura ou minimamente processados (frescos, como frutas, legumes e hortali&#231;as; ou que passam por beneficiamento, como arroz, feij&#227;o, castanhas), ingredientes culin&#225;rios (tudo o que &#233; acrescentado na prepara&#231;&#227;o de alimentos, tais como sal, a&#231;&#250;car, &#243;leo, vinagre, etc.) e processados (que passam por algum processo, tais como queijos, p&#227;es, conservas, etc), evitando o consumo de ultraprocessados, formula&#231;&#245;es industriais que levam parte de ingredientes culin&#225;rios, geralmente com um teor de sal, a&#231;&#250;car e gordura mais alto do que quaisquer outros alimentos.&nbsp;</p><p>Os ultraprocessados podem ser prontos para consumo, como salgadinhos, bolachas recheadas, p&#227;es de forma ou bisnaguinha, ou que precisam ser "finalizados" pelo consumidor, como macarr&#227;o instant&#226;neo, salsichas, alimentos congelados como nuggets e lasanhas prontas. Em comum, todos s&#227;o hiperpalat&#225;veis, ou seja, t&#234;m um apelo ao paladar pelo sabor que produz um prazer imediato, n&#227;o sendo reconhecidos pelo corpo como n&#227;o-alimento, e sim como "saboroso". Por isso, seu teor de calorias &#233; alto, mas seus nutrientes e vitaminas, mesmo quando adicionados para "enriquecer" sua f&#243;rmula, n&#227;o s&#227;o absorvidos da mesma maneira que em um alimento in natura. Na d&#250;vida se um produto &#233; ultraprocessado ou n&#227;o, preste aten&#231;&#227;o nas embalagens e no discurso com que o apresentam. Ultraprocessados possuem uma grande campanha de marketing para promover seu consumo &#8211; coisa que uma cabe&#231;a de br&#243;colis ou um ma&#231;o de couve jamais teve.</p><p><a href="https://noticias.r7.com/economia/ultraprocessados-representam-20-das-calorias-consumidas-no-brasil-21082020">O brasileiro tem quase 20% de suas calorias provenientes de ultraprocessados</a>; em pa&#237;ses do Norte Global, como Canad&#225; e Estados Unidos, esse n&#250;mero se aproxima dos 50%. <strong>Uma popula&#231;&#227;o que come mal &#233; uma popula&#231;&#227;o que adoece. Em um pa&#237;s com um sistema p&#250;blico de sa&#250;de como o Brasil, isso significa onerar o setor com problemas que podem ser evitados a partir de investimento em seguran&#231;a alimentar e nutricional e educa&#231;&#227;o alimentar. </strong>A ferramenta existe e t&#237;nhamos uma s&#233;rie de pol&#237;ticas p&#250;blicas que deram um pontap&#233; para que a alimenta&#231;&#227;o baseada em alimentos in natura fosse promovida. O que temos agora &#233; um cen&#225;rio ainda pior que o da fome da d&#233;cada de 1990, quando os ultraprocessados ainda n&#227;o eram t&#227;o acess&#237;veis quanto atualmente. S&#227;o 33 milh&#245;es de pessoas passando fome no Brasil hoje, "gra&#231;as" a desarticula&#231;&#227;o e exclus&#227;o de programas voltados &#224; seguran&#231;a alimentar &#8211;&nbsp;o <a href="https://www.nexojornal.com.br/podcast/2022/06/08/A-fome-no-Brasil.-E-a-desarticula%C3%A7%C3%A3o-p%C3%BAblica-para-combat%C3%AA-la">Nexo Jornal fez um excelente resumo</a> de como sa&#237;mos de um cen&#225;rio de fome para outro em 30 anos.&nbsp;</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XxqV!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F32c3991c-d1af-43c2-aa5c-7c5dc001cbbf_1100x40.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XxqV!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F32c3991c-d1af-43c2-aa5c-7c5dc001cbbf_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XxqV!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F32c3991c-d1af-43c2-aa5c-7c5dc001cbbf_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XxqV!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F32c3991c-d1af-43c2-aa5c-7c5dc001cbbf_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XxqV!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F32c3991c-d1af-43c2-aa5c-7c5dc001cbbf_1100x40.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XxqV!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F32c3991c-d1af-43c2-aa5c-7c5dc001cbbf_1100x40.png" width="1100" height="40" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://bucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com/public/images/32c3991c-d1af-43c2-aa5c-7c5dc001cbbf_1100x40.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:40,&quot;width&quot;:1100,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XxqV!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F32c3991c-d1af-43c2-aa5c-7c5dc001cbbf_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XxqV!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F32c3991c-d1af-43c2-aa5c-7c5dc001cbbf_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XxqV!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F32c3991c-d1af-43c2-aa5c-7c5dc001cbbf_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XxqV!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F32c3991c-d1af-43c2-aa5c-7c5dc001cbbf_1100x40.png 1456w" sizes="100vw" fetchpriority="high"></picture><div></div></div></a></figure></div><p>O governo Bolsonaro <a href="http://www.fsp.usp.br/nupens/nota-oficial/">tentou alterar o Guia Alimentar</a>, alegando que a classifica&#231;&#227;o por n&#237;vel de processamento dos alimentos era confusa. A argumenta&#231;&#227;o &#233; a mesma das associa&#231;&#245;es de ind&#250;strias, que se posicionam como se as diretrizes do Guia fossem muito r&#237;gidas e inviabilizassem a alimenta&#231;&#227;o do povo &#8211;&nbsp;e n&#227;o as isen&#231;&#245;es fiscais para grandes ind&#250;strias e a <a href="https://www.ssph-journal.org/articles/10.3389/ijph.2022.1604103/full?&amp;utm_source=Email_to_authors_&amp;utm_medium=Email&amp;utm_content=T1_11.5e1_author&amp;utm_campaign=Email_publication&amp;field=&amp;journalName=International_Journal_of_Public_Health&amp;id=1604103">falta de regula&#231;&#245;es para o setor</a>. Ou, ainda, a falta de assist&#234;ncia e incentivo a quem realmente produz comida. Para ficar em dois exemplos, a <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/entrevista-nayla-almeida?s=w">entrevista com a engenheira agr&#244;noma Nayla Almeida</a> e a reportagem <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/11-queijos-no-lixo?s=w">#11 | queijos no lixo: o que dificulta a produ&#231;&#227;o em pequena escala no Brasil</a> d&#227;o um panorama.&nbsp;</p><blockquote><h4>O Guia permanece na ru&#237;na, ainda intocado, contendo diretrizes que n&#227;o podem ser seguidas pela estrutura p&#250;blica porque n&#227;o h&#225; onde execut&#225;-las.</h4></blockquote><p>Nesse contexto de escassez de alimentos por neglig&#234;ncia do Estado e publica&#231;&#245;es com evid&#234;ncias cada vez mais robustas de que o consumo de ultraprocessados est&#225; ligado ao aumento de doen&#231;as cr&#244;nicas n&#227;o transmiss&#237;veis, solicitei uma entrevista com o pesquisador Carlos Monteiro, que coordena o <a href="https://www.fsp.usp.br/nupens/">N&#250;cleo de Pesquisas Epidemiol&#243;gicas em Nutri&#231;&#227;o e Sa&#250;de (Nupens)</a>, da Universidade de S&#227;o Paulo (USP). Carlos sugeriu que a entrevista fosse feita junto de Patr&#237;cia Jaime, professora titular do Departamento de Nutri&#231;&#227;o da Faculdade de Sa&#250;de P&#250;blica da Universidade de S&#227;o Paulo, vice-coordenadora cient&#237;fica do Nupens e da C&#225;tedra Josu&#233; de Castro de Sistemas Alimentares Saud&#225;veis e Sustent&#225;veis, tamb&#233;m na USP. Fizemos por email, com a participa&#231;&#227;o da Patr&#237;cia especialmente na &#250;ltima quest&#227;o, que trata de pol&#237;ticas p&#250;blicas.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zHQT!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd175e50a-fc6f-4d78-a366-d4a49608c70d_840x600.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zHQT!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd175e50a-fc6f-4d78-a366-d4a49608c70d_840x600.png 424w, 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Foto: Nupens-USP/Divulga&#231;&#227;o</figcaption></figure></div><p>O Nupens, criado em 1990, &#233; uma estrutura interdisciplinar de produ&#231;&#227;o de conhecimento da USP, integrando pesquisadores de diferentes &#225;reas, como economia, medicina, nutri&#231;&#227;o, e tamb&#233;m outras universidades, como a Federal de Minas Gerais e a Estadual do Rio de Janeiro, e de outros pa&#237;ses. Seu foco &#233; produzir conhecimento sobre sa&#250;de p&#250;blica e nutri&#231;&#227;o, desenvolvendo m&#233;todos de pesquisa para estudar como o brasileiro se alimenta e produzindo an&#225;lises e diagn&#243;sticos para orientar pol&#237;ticas p&#250;blicas.</p><p>O n&#250;cleo &#233; a vanguarda da pesquisa cient&#237;fica epidemiol&#243;gica em nutri&#231;&#227;o e sa&#250;de. Em 2010, com a publica&#231;&#227;o da classifica&#231;&#227;o Nova de alimentos, o Nupens <a href="https://apjcn.nhri.org.tw/server/APJCN/31/1/1.pdf">atualizou o paradigma</a> vigente, que levava em considera&#231;&#227;o a pir&#226;mide de alimentos. Em 2014, publicou junto do Minist&#233;rio da Sa&#250;de o Guia Alimentar para a Popula&#231;&#227;o Brasileira, em que &#233; usada a classifica&#231;&#227;o Nova. O Guia &#233; um documento endossado como exemplo a ser seguido pela Organiza&#231;&#227;o das Na&#231;&#245;es Unidas para a Alimenta&#231;&#227;o e a Agricultura, Organiza&#231;&#227;o Mundial da Sa&#250;de e Unicef, e <a href="http://www.periodicos.ufc.br/eu/article/view/63758">serviu de modelo para os guias alimentares</a> do Canad&#225;, da Fran&#231;a, do Uruguai, do Peru e do Equador.</p><p><a href="https://jornal.usp.br/institucional/sete-pesquisadores-da-usp-estao-entre-os-mais-influentes-do-mundo/">Monteiro foi listado como um dos cientistas mais influentes do mundo</a> por quatro vezes pela consultoria brit&#226;nica <a href="https://recognition.webofscience.com/awards/highly-cited/2021/?utm_source=HCR&amp;utm_medium=recognition_page&amp;utm_campaign=2020">Clarivate Analytics</a>, e do Nupens saem estudos <a href="https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2022/06/08/aumento-da-obesidade-e-causado-por-consumo-de-ultraprocessados-diz-estudo.htm">como o de Maria Laura Louzada</a>, que liga <a href="https://www.ssph-journal.org/articles/10.3389/ijph.2022.1604103/full?&amp;utm_source=Email_to_authors_&amp;utm_medium=Email&amp;utm_content=T1_11.5e1_author&amp;utm_campaign=Email_publication&amp;field=&amp;journalName=International_Journal_of_Public_Health&amp;id=1604103">o aumento da preval&#234;ncia de obesidade no Brasil ao aumento do consumo de ultraprocessados</a>. "Nos &#250;ltimos anos, a epidemiologia nutricional entrou em uma nova etapa de pesquisas, analisando a rela&#231;&#227;o de ultraprocessados com doen&#231;as que, inicialmente, n&#227;o estariam t&#227;o diretamente relacionadas &#224; alimenta&#231;&#227;o. Uma dessas novas linhas de pesquisa aborda transtornos de sa&#250;de mental. Alguns artigos j&#225; associam um maior consumo de ultraprocessados com um maior risco de desenvolvimento de depress&#227;o, por exemplo. S&#227;o ind&#237;cios de novos efeitos nocivos desses alimentos, mas que ainda devem ser investigados em detalhe para que se possa estabelecer uma associa&#231;&#227;o clara", escreveram Carlos Monteiro e Patr&#237;cia Jaime.</p><p>Abaixo, os principais trechos da entrevista feita por e-mail com os dois pesquisadores:</p><h4>O Guia Alimentar para a Popula&#231;&#227;o Brasileira foi constru&#237;do a partir da classifica&#231;&#227;o Nova dos alimentos, que substituiu a pir&#226;mide alimentar. Enquanto a pir&#226;mide categoriza por tipo de nutriente, a classifica&#231;&#227;o Nova considera o n&#237;vel de processamento dos alimentos. Quando se verificou a necessidade de mudar o tipo de categoriza&#231;&#227;o e como se identificou que deveria ser o n&#237;vel de processamento?&nbsp;</h4><p>Durante a maior parte do s&#233;culo passado, o maior problema nutricional registrado no Brasil era a desnutri&#231;&#227;o. As popula&#231;&#245;es mais vulner&#225;veis do pa&#237;s n&#227;o tinham consumo adequado de nutrientes importantes, como prote&#237;nas, vitaminas e minerais, o que levava a doen&#231;as como berib&#233;ri (defici&#234;ncia de vitamina B1) ou pelagra (defici&#234;ncia de vitamina B3), entre outras. Nesse contexto, a pir&#226;mide alimentar fazia sentido: ela organizava os alimentos por tipo de nutriente, informando a popula&#231;&#227;o sobre as fontes de carboidratos, gorduras, prote&#237;nas, vitaminas e minerais.</p><p><strong>Dos anos 1990 para c&#225;, no entanto, a epidemiologia nutricional percebeu uma redu&#231;&#227;o nos casos de desnutri&#231;&#227;o e um aumento na preval&#234;ncia de doen&#231;as cr&#244;nicas, como diabetes e hipertens&#227;o.</strong> <strong>&#201; o que chamamos de transi&#231;&#227;o epidemiol&#243;gica.</strong> Ao mesmo tempo, dados de compras de alimentos pela popula&#231;&#227;o brasileira indicavam queda na aquisi&#231;&#227;o de itens usados para cozinhar (&#243;leo, sal, a&#231;&#250;car) e um aumento na compra de alimentos semiprontos ou prontos para consumo &#8211; em geral, ultraprocessados. A esse processo, damos o nome de transi&#231;&#227;o nutricional. Com esse novo contexto, a pir&#226;mide alimentar perdeu o sentido, j&#225; que ela colocava alimentos como arroz integral e, por exemplo, batata chips de pacotinho numa mesma categoria ("carboidratos").</p><p>Pensando na transi&#231;&#227;o nutricional, percebemos que era necess&#225;rio orientar a popula&#231;&#227;o a partir de uma nova l&#243;gica, que &#233; a do processamento de alimentos, por meio da classifica&#231;&#227;o Nova. A Nova foi criada h&#225; pouco mais de dez anos, e teve seu impacto ampliado pelo Guia Alimentar para a Popula&#231;&#227;o Brasileira, lan&#231;ado em 2014.</p><h4>No momento, vivemos uma crise alimentar que se assemelha &#224; sofrida nos anos 1990, quando 32 milh&#245;es de brasileiros passavam fome. Atualmente, s&#227;o 33 milh&#245;es. Como falar de alimenta&#231;&#227;o adequada nutricionalmente em um momento em que o acesso a alimentos est&#225; dif&#237;cil e restrito? Como podemos come&#231;ar a "consertar" esse cen&#225;rio?</h4><p><strong>Em situa&#231;&#245;es de aumento de inseguran&#231;a alimentar, como vemos hoje no Brasil, &#233; realmente dif&#237;cil falar sobre a alimenta&#231;&#227;o adequada e saud&#225;vel. </strong>Grande parte da popula&#231;&#227;o enfrenta barreiras no acesso a alimentos frescos &#8211; e, ultimamente, a maior delas tem sido o pre&#231;o cada vez mais alto de itens b&#225;sicos, como arroz, feij&#227;o, &#243;leo, caf&#233; e hortali&#231;as.</p><p>&#201; necess&#225;rio lembrar, no entanto, que h&#225; menos de dez anos o Brasil comemorava ter sa&#237;do do Mapa da Fome da ONU, o que s&#243; foi poss&#237;vel com um conjunto amplo de pol&#237;ticas p&#250;blicas de alimenta&#231;&#227;o e nutri&#231;&#227;o. S&#227;o iniciativas que envolveram desde programa de transfer&#234;ncia de renda at&#233; a&#231;&#245;es dos conselhos de seguran&#231;a alimentar e nutricional. </p><blockquote><h4><em>Aprendemos que a fome &#233; combatida por pol&#237;ticas p&#250;blicas, e &#233;, seguramente, essa a melhor forma de consertar esse cen&#225;rio.</em></h4></blockquote><p>A epidemiologia nutricional tem papel fundamental nesse contexto, que &#233; o de gerar dados e an&#225;lises para orientar a constru&#231;&#227;o dessas pol&#237;ticas e as tomadas de decis&#245;es por meio de agentes do poder p&#250;blico.</p><h4>O Nupens &#233; refer&#234;ncia em pesquisas e h&#225; dois anos lan&#231;ou a Nutrinet, que tem por objetivo acompanhar o padr&#227;o alimentar de 200 mil brasileiros. Quantos brasileiros t&#234;m participado at&#233; agora? Existem resultados preliminares ou hip&#243;teses que os pesquisadores est&#227;o considerando neste in&#237;cio de pesquisa?&nbsp;</h4><p>Hoje, o NutriNet Brasil tem pouco mais de 100 mil participantes. S&#227;o volunt&#225;rios de todas as regi&#245;es do pa&#237;s, e de diferentes estratos sociais e n&#237;veis de escolaridade. Para participar, basta ter mais de 18 anos, ser residente no Brasil e responder a question&#225;rios enviados por e-mail a cada tr&#234;s meses. <a href="https://nutrinetbrasil.fsp.usp.br">As inscri&#231;&#245;es podem ser feitas pelo site</a>.&nbsp;</p><p>Ainda neste ano, os primeiros resultados da pesquisa come&#231;am a ser publicados. A ideia do estudo &#233; acompanhar a alimenta&#231;&#227;o da popula&#231;&#227;o brasileira, entendendo seus diferentes h&#225;bitos alimentares, suas rela&#231;&#245;es com perfis demogr&#225;ficos e, principalmente, suas associa&#231;&#245;es com diferentes desfechos de sa&#250;de.</p><h4>Quais s&#227;o os recortes de pesquisas sobre ultraprocessados que est&#227;o no horizonte do Nupens?</h4><p>As pr&#243;ximas pesquisas do Nupens devem envolver justamente a an&#225;lise de dados da coorte NutriNet Brasil. Ser&#225; poss&#237;vel observar as associa&#231;&#245;es entre o consumo de alimentos ultraprocessados e a ocorr&#234;ncia de doen&#231;as de grande frequ&#234;ncia no Brasil de maneira prospectiva &#8211; ou seja, coletamos as informa&#231;&#245;es no momento da exposi&#231;&#227;o e acompanhamos a evolu&#231;&#227;o dos participantes por um longo per&#237;odo. O NutriNet tamb&#233;m tem per&#237;odos relativamente curtos entre o momento em que os alimentos s&#227;o consumidos e o aparecimento de doen&#231;as. Obesidade, diabetes, dislipidemias e hipertens&#227;o arterial s&#227;o alguns dos quadros que vamos investigar.&nbsp;&nbsp;</p><h4>Durante uma coletiva organizada pela Ag&#234;ncia Bori e Nexo Jornal, Patr&#237;cia Jaime apresentou o estado da arte das pesquisas sobre o impacto do consumo de ultraprocessados na sa&#250;de p&#250;blica. Os estudos trazem evid&#234;ncias mais robustas que ligam o consumo de ultraprocessados ao aumento de doen&#231;as cr&#244;nicas n&#227;o transmiss&#237;veis, como obesidade, diabetes e s&#237;ndrome metab&#243;lica em diferentes pa&#237;ses, o que onera o custo do sistema p&#250;blico de sa&#250;de. Ao mesmo tempo, o Guia Alimentar para a Popula&#231;&#227;o Brasileira &#233; elogiado internacionalmente e serviu de base para guias alimentares de outros pa&#237;ses. Aqui no Brasil, no entanto, as estruturas que permitiriam que ele fosse colocado em pr&#225;tica foram desmontadas, como o CONSEA e o PAA. Que papel desempenha o Guia Alimentar para a Popula&#231;&#227;o Brasileira quando se extinguem e enfraquecem os &#243;rg&#227;os que colocariam as recomenda&#231;&#245;es do Guia na pr&#225;tica?</h4><p>&#201; fato que &#233; por meio de programas e pol&#237;ticas p&#250;blicas que as orienta&#231;&#245;es do Guia s&#227;o colocadas em pr&#225;tica. Um exemplo cl&#225;ssico &#233; o Programa Nacional de Alimenta&#231;&#227;o Escolar (PNAE), que limita a oferta de alimentos ultraprocessados e amplia a oferta de alimentos <em>in natura</em> e minimamente processados aos estudantes da rede p&#250;blica de ensino do pa&#237;s inteiro.</p><p>Ainda que tenhamos presenciado o desmonte de diversas pol&#237;ticas p&#250;blicas de alimenta&#231;&#227;o e nutri&#231;&#227;o, o Guia Alimentar, que &#233; um documento do Minist&#233;rio da Sa&#250;de, segue como fonte oficial de orienta&#231;&#227;o para a alimenta&#231;&#227;o adequada e saud&#225;vel da popula&#231;&#227;o brasileira. Em 2020, a tentativa de altera&#231;&#227;o do Guia gerou um amplo movimento de defesa por parte da popula&#231;&#227;o, principalmente por profissionais da sa&#250;de, e com boa cobertura de imprensa. Isso mostrou como os preceitos do documento vem sendo absorvidos pelo p&#250;blico.</p><p>Recentemente, como voc&#234; mencionou ao longo da entrevista, pesquisadoras do Nupens publicaram os "Protocolos de uso do Guia Alimentar". S&#227;o cinco fasc&#237;culos dedicados a diferentes popula&#231;&#245;es (adultos, idosos, gestantes, crian&#231;as e adolescentes) e que mostram aos profissionais da sa&#250;de como aplicar as orienta&#231;&#245;es do guia em consultas individuais no &#226;mbito da Aten&#231;&#227;o Prim&#225;ria &#224; Sa&#250;de, no SUS. Trata-se de um outro papel desempenhado pelo Guia no Brasil.</p><div><hr></div><h3>APOIE A FOGO BAIXO</h3><p>A newsletter<strong> fogo baixo</strong> &#233; uma publica&#231;&#227;o independente da jornalista <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/sobre-a-autora">Fl&#225;via Schiochet</a>, financiada pelos seus leitores. 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Tentei manter a ideia o mais barato poss&#237;vel: sendo a metade do tamanho de uma sulfite A4, o rendimento por impress&#227;o em A5 rende o dobro; imprimindo em papel colorido, o tamanho diminuto chama a aten&#231;&#227;o. 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Se voc&#234; &#233; apoiador pago da newsletter, fale comigo para garantir sua vaga com 10% de desconto! <a href="https://www.sympla.com.br/evento-online/como-escrever-sobre-comida-maio2022/1527434">Inscri&#231;&#245;es pelo Sympla</a>. Se voc&#234; quer fazer o curso, mas n&#227;o t&#234;m recursos financeiros, preencha o <a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfqDGjnq8YcHYLONX2PLPk3BSJb-tnN29IMZC7OlElANva7PA/viewform">formul&#225;rio para a bolsa integral</a>.&nbsp;&#127808;</h4><div><hr></div><p><a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/interview-regina-tchelly">click here to read this piece in English</a></p><p>Se as pol&#237;ticas p&#250;blicas de alimenta&#231;&#227;o ideais fossem uma pessoa, elas se pareceriam muito com Regina Tchelly: de f&#225;cil comunica&#231;&#227;o, capilarizadas, com senso pr&#225;tico e vis&#227;o de futuro, e voltadas para o coletivo.</p><p>Regina come&#231;ou o Favela Org&#226;nica em 2011, depois de <a href="https://www.uol.com.br/ecoa/reportagens-especiais/alimentacao---causadores-regina-tchelly/#cover">angariar R$ 140 entre seus vizinhos das comunidades Babil&#244;nia e Chap&#233;u Mangueira</a> e preparar uma oficina de aproveitamento integral dos alimentos. A primeira turma teve seis pessoas, mas o interesse escalonou, e Regina viajou o Brasil com suas receitas &#8211; dois anos depois, a conheci <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/bomgourmet/eventos/ate-a-ultima-folha-cozinhar-sem-desperdicar/">em Curitiba</a>, quando ela esteve na cidade para ministrar sua oficina. As aulas pr&#225;ticas com degusta&#231;&#227;o ao final s&#227;o a ess&#234;ncia do Favela Org&#226;nica, mas <strong>Regina sabe como ningu&#233;m diversificar a aplica&#231;&#227;o de seus conhecimentos.</strong></p><p>H&#225; quase 11 anos, o Favela Org&#226;nica trabalha para transformar seu entorno e a rela&#231;&#227;o das pessoas com a comida. "&#201; uma escola sobre o ciclo do alimento", define Regina. Atualmente, a iniciativa tem frentes com educa&#231;&#227;o alimentar para crian&#231;as; s&#233;ries de receitas e empreendedorismo para quem quer come&#231;ar a vender; uma parceria com nutricionistas para atender pessoas das comunidades Babil&#244;nia e Chap&#233;u Mangueira gratuitamente; uma <a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLezAfs8Mx10MP4Gbz7iaafr8YuDs7wHQI">webs&#233;rie educacional</a> com alimentos que comp&#245;em a cesta b&#225;sica; al&#233;m das oficinas e do restaurante, que atende <a href="https://www.instagram.com/favela_organica/">por reserva</a>.</p><p>Assim como as atividades do Favela Org&#226;nica, o reconhecimento desse trabalho tamb&#233;m aparece de maneira diversificada, da qual os <a href="https://favelaorganica.com.br/pt/reconhecimentos/">pr&#234;mios</a> s&#227;o uma valida&#231;&#227;o e marcos importantes para ampliar seu alcance. Em 2022, Regina recebeu o pr&#234;mio Nise da Silveira, promovido pela Secretaria da Mulher do Rio de Janeiro, que granjeou com mais de 51% dos votos na categoria Gastronomia e Culin&#225;ria. "Fiquei at&#233; tonta dessa vez, porque vieram umas dez pessoas falar que era uma honra estar perto de mim, que foi por causa de mim que come&#231;aram sua iniciativa com alimenta&#231;&#227;o, sustentabilidade. &#201; muito gratificante", disse sobre a noite de premia&#231;&#227;o. "A mulher do Lula, a Janja, falou assim pra mim esses tempos: &#8216;voc&#234; tem muitos clones&#8217;", relembrou. A&#237; est&#225; a beleza do trabalho de Regina: quanto mais a copiarem, melhor fica para todo mundo.&nbsp;</p><p>Os elogios recebidos por Regina v&#234;m de todas as partes do mundo, desde o in&#237;cio de suas atividades. Em 2012, o italiano Carlo Petrini, fundador do movimento internacional Slow Food, a conheceu em uma oficina durante o Rio+20 e repetiu sobre ela a mesma frase em muitas entrevistas: "&#201; a melhor chef do Brasil&#8221;.&nbsp;</p><p>Apesar de sua filosofia se adequar aos princ&#237;pios do Slow Food de que o alimento deve ser bom, limpo e justo, a base do pensamento de Regina n&#227;o vem de uma adequa&#231;&#227;o a algum movimento famoso ou moda da vez. Como bem exemplificou Sabrina Fernandes, do canal Tese Onze, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=PcojhlqBPb0">o Favela Org&#226;nica &#233; pr&#225;xis</a>.</p><p>Regina sempre preparou receitas sem carne, por exemplo. "H&#225; dez anos eu nem sabia desse movimento de vegetariano a&#237;", me respondeu na mais recente conversa. <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/bomgourmet/eventos/ate-a-ultima-folha-cozinhar-sem-desperdicar/">Em 2013, quando tive a oportunidade de entrevist&#225;-la</a> cara a cara, ela me deu a seguinte explica&#231;&#227;o:&nbsp;</p><blockquote><h4>"Eu me coloco no lugar daquelas pessoas que n&#227;o t&#234;m condi&#231;&#245;es de comprar carne sempre. Se eu conseguir desenvolver receitas simples e baratas, econ&#244;micas e saud&#225;veis, as pessoas v&#227;o se saciar sem precisar de um bife."</h4></blockquote><p>Este ano, ela tamb&#233;m protagonizou a webs&#233;rie <a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLezAfs8Mx10M6XXDmTVlN_F8oO7ZJKz19">Seu Neg&#243;cio T&#225; Na Feira</a>, com receitas para empreender aproveitando o que seria desperdi&#231;ado na feira. "Os feirantes est&#227;o super felizes. Eu j&#225; tinha falado para a Secretaria que eles podiam ter mais responsabilidade nas feiras, que &#233; o lugar onde tem comida e acaba tendo tamb&#233;m mais desperd&#237;cio. E tem gente passando fome!", conta. A webs&#233;rie apresenta 25 receitas: cinco com talos, cascas e folhas variadas e cinco que usam todas as partes da ab&#243;bora, banana e coco verde. "Depois de comer a carne do coco, d&#225; pra fazer um vasinho com a casca", ensina. E tudo pode ser vendido para gerar renda extra para quem assiste.</p><p>Seu Neg&#243;cio T&#225; Na Feira &#233; uma s&#237;ntese do que Regina aprendeu na pr&#225;tica ao come&#231;ar o Favela Org&#226;nica, quando coletava nas feiras talos e folhas para usar em oficinas. "Com essa parceria eu devolvo pra feira o que ela me d&#225;. Esse projeto ter o apoio da Secretaria de Meio Ambiente do Rio de Janeiro para diminuir o desperd&#237;cio &#233; um ganho cachorro da <em>mul&#233;stia</em>".</p><p>Nascida em Serraria, na Para&#237;ba, Regina mora na cidade do Rio de Janeiro h&#225; 21 anos; 20 deles no Morro da Babil&#244;nia, no Leme. "Quando eu cheguei no Rio de Janeiro pra ser cozinheira, fui comprar coisas na feira e vi quanto desperd&#237;cio tinha. Eu fiquei maluquinha. Fiquei inquieta, quis fazer algo diferente". &#201; no Morro da Babil&#244;nia que fica a sede do Favela Org&#226;nica desde sempre. H&#225; alguns anos, o espa&#231;o conta com sal&#227;o al&#233;m da cozinha, e 12 pessoas trabalham com Regina entre eventos, encomendas e refei&#231;&#245;es no local. "Cabe 40 pessoas sentadas pra comer ou pra ver palestra, e umas 80 se for um evento pra dan&#231;ar, um baile charme", brinca.&nbsp;</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!HG8B!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff79a7776-8fb5-4295-8681-5a1980c328e4_2048x1365.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!HG8B!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff79a7776-8fb5-4295-8681-5a1980c328e4_2048x1365.jpeg 424w, 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Foto: <a href="https://www.instagram.com/alanmiguelgoncalves/">Alan Miguel Gon&#231;alves</a>/Divulga&#231;&#227;o</figcaption></figure></div><p>&#201; f&#225;cil saber quando uma pessoa fala sorrindo s&#243; de ouvi-la. Assim soou a voz de Regina durante os nossos 40 minutos de conversa por telefone numa manh&#227; de abril, enquanto ela e a filha terminavam os preparativos de um evento. O tempo foi pouco para dar conta da minha lista de perguntas, ent&#227;o retomamos a conversa uma semana depois, por cerca de 15 minutos, quando Regina passou o telefone para a nutricionista Gabriela Ribeiro em dado momento. Abaixo est&#227;o os principais trechos da entrevista, editados e organizados para melhor entendimento.</p><h4>O Favela Org&#226;nica come&#231;ou em 2011 com aulas pr&#225;ticas, mas ganhou muitas frentes no decorrer dos anos. Um marco importante, imagino, &#233; a webs&#233;rie "Seu Neg&#243;cio T&#225; Na Feira", em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente. No que est&#225; trabalhando agora?&nbsp;</h4><p>Estou fazendo eventos, dando palestras e capacita&#231;&#245;es em empresas, e finalizando projetos para entregar. Nas capacita&#231;&#245;es, as pessoas me chamam para dar aulas de aproveitamento integral e consumo consciente de alimentos para os funcion&#225;rios. &#201; uma programa&#231;&#227;o pra dar motiva&#231;&#227;o, falar de qualidade de vida para as equipes.&nbsp;</p><p>Na pandemia, eu desenvolvi quatro coisas. Uma foi a webs&#233;rie <a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLezAfs8Mx10MP4Gbz7iaafr8YuDs7wHQI">Cesta B&#225;sica Educativa</a>, ensinando como aproveitar melhor cada ingrediente da cesta e multiplicar a quantidade de comida.&nbsp;</p><blockquote><h4>Uma cesta b&#225;sica que daria para dez dias eu ensino a fazer render para 15, 20 dias. Quando acontece alguma coisa todo mundo quer dar cesta b&#225;sica e se mobiliza para isso. Nesse pa&#237;s, a cesta b&#225;sica &#233; assistencialismo puro, ela &#233; dada sem ferramentas, sem receita.</h4></blockquote><p>Eu vi que as pessoas pegavam a cesta e s&#243; pensavam no imediato. Tinha gente que pegava mais de uma, se esquece que o outro tamb&#233;m precisa. Fiquei incomodada, reclamaram que estava acabando as cestas. Foi assim que surgiu a ideia de dar um direcionamento para as pessoas de como economizar e ter autonomia, porque ningu&#233;m sabia quando receberia [cesta b&#225;sica] de novo.&nbsp;</p><p>A segunda iniciativa foi o Nutrindo o Favela Org&#226;nica, em parceria com oito nutricionistas que trabalharam voluntariamente atendendo 35 pacientes das favelas da Babil&#244;nia e do Morro do Chap&#233;u. A gente fez uma combina&#231;&#227;o do atendimento com as minhas receitas baseadas nos ingredientes da cesta b&#225;sica, da feira e tamb&#233;m o uso de plantas aliment&#237;cias n&#227;o convencionais que a gente encontra na comunidade. Toda semana essas pessoas t&#234;m atendimento com a nutricionista e n&#243;s vemos como podemos melhorar sua alimenta&#231;&#227;o. Trabalhamos com a auto-estima delas, mostramos como elas podem fazer diferente. N&#243;s conseguimos a doa&#231;&#227;o de cestas b&#225;sicas e tamb&#233;m de alguns ingredientes de uma francesa que doou alimentos org&#226;nicos. N&#227;o teve um centavo investido, s&#243; parceria. Agora estamos procurando um investimento para atender mais gente, temos uma demanda de 200 pacientes.</p><p>Tamb&#233;m lancei o <a href="https://favelaorganica.com.br/pt/wp-content/uploads/2020/03/Favela-Organica-Curso-Faca-e-Venda-Online.pdf">Fa&#231;a e Venda Sem Desperd&#237;cio</a>, um curso online direcionado para capacitar 200 pessoas para elas montarem seus neg&#243;cios com o que elas tinham. Se elas tinham 1 kg de feij&#227;o, eu ensinava a plantar uma parte dos feij&#245;es, fazer os hamb&#250;rgueres para vender, e ter tamb&#233;m a parte que elas preparam para comer. Com um quilo ela consegue comer, plantar e vender cinco hamb&#250;rgueres. S&#227;o quatro aulas online simples que mudam o olhar da pessoa sobre a alimenta&#231;&#227;o.&nbsp;</p><p>E o quarto projeto &#233; o Favela Org&#226;nica nas Escolas, para 200 crian&#231;as de comunidades do Rio de Janeiro de uma escola filantr&#243;pica da Zona Sul, a Dom Cipriano Chagas. O foco &#233; mudar a cozinha, a sala de aula e ao redor, e o impacto t&#225; sendo t&#227;o massa!</p><p>Falamos de alimenta&#231;&#227;o, do ciclo dos alimentos. N&#243;s modificando o card&#225;pio com as cozinheiras e trabalhando ci&#234;ncias, geografia e outras mat&#233;rias junto das aulas. Por enquanto, esse est&#225; sendo o piloto. Tudo que fa&#231;o na escola eu j&#225; fa&#231;o aqui no meu espa&#231;o.&nbsp;</p><h4>A sua proposta sempre foi usar alimentos in natura e us&#225;-los inteiros, com todas as partes, desde casca, talos e folhas. Quais s&#227;o suas bases para cozinhar do jeito que voc&#234; cozinha? Quem ou o qu&#234; inspirou voc&#234; no in&#237;cio?&nbsp;</h4><p>Eu gosto muito de comer, gostava principalmente da comida da minha av&#243;. Eu comecei a cozinhar por necessidade, tive que aprender a cozinhar porque fui morar sozinha. Eu mesma criava as receitas, fazia algumas coisas de mem&#243;ria de ter visto minha av&#243; cozinhar. Algumas coisas eu aprendi a fazer depois que as pessoas perguntavam. Eu aprendo quando as pessoas explicam, mas tamb&#233;m pesquiso e leio as coisas quando precisa.&nbsp;</p><blockquote><h4>Eu cozinho tudo de cabe&#231;a, n&#227;o anoto. As nutricionistas ficam loucas porque eu n&#227;o facilito para passar as receitas. A&#237; eu falo "eu tenho culpa se eu sou org&#226;nica?" [risos]</h4></blockquote><p>Fala com a Gabriela aqui, ela te conta como &#233; [passa o telefone para a nutricionista Gabriela Ribeiro, coordenadora do Nutrindo o Favela Org&#226;nica].</p><p><em><strong>Gabriela Ribeiro, nutricionista:&nbsp;</strong></em></p><p><em>No curso ela vai fazendo e a gente fica anotando as medidas e observando como ela faz pra ter a receita escrita no final. D&#225; um trabalh&#227;o. O Nutrindo o Favela Org&#226;nica vai virar on-line agora. Teve o atendimento para os moradores das comunidades Babil&#244;nia e Chap&#233;u Mangueira unindo as receitas da Regina com a Nutri&#231;&#227;o e foi um sucesso, muitos pacientes querem mais, ent&#227;o esse ano vamos abrir 200 vagas gratuitas para os moradores e uma vers&#227;o paga on-line para ajudar a remunerar as consultas e ter um percentual do valor para o Favela Org&#226;nica. Aqui tem muita PANC e os moradores nem sempre t&#234;m conhecimento [de como us&#225;-las]. O que a gente faz &#233; proporcionar educa&#231;&#227;o nutricional de qualidade e com linguagem acess&#237;vel aos moradores, tamb&#233;m de acordo com a realidade deles. No momento estamos correndo atr&#225;s do patroc&#237;nio para essas 200 vagas gratuitas para os moradores, e j&#225; temos a experi&#234;ncia do piloto. A ideia &#233; que com o tempo v&#225; para outras comunidades.&nbsp;</em></p><h4>Como foi a escolha do nome Favela Org&#226;nica?</h4><p>A palavra "favela" porque eu moro na favela e porque aqui tem muito projeto bom e gente fazendo acontecer. E "org&#226;nica" no sentido de organiza&#231;&#227;o, de organizar minha vida, meu consumo, desse movimento de repensar nosso consumo de dentro pra fora.&nbsp;</p><h4>A iniciativa tem a palavra "org&#226;nico" no nome. Mas a maior parte dos seus fornecedores e das suas receitas n&#227;o valem apenas para alimentos certificados como org&#226;nico, certo?</h4><p>&#201;, &#233; geral. Ensinar esses preparos com o que tem na feira livre, que &#233; convencional, j&#225; &#233; um passo dado. Mesmo sendo convencional, a gente tem o jeito de higienizar com carv&#227;o vegetal ativado, usar bicarbonato de s&#243;dio, fazer uma higieniza&#231;&#227;o da casca para poder comer. O papel da Favela Org&#226;nica &#233; trabalhar com o ciclo dos alimentos. &#201; melhor trabalhar com o que j&#225; tem dispon&#237;vel do que dar toda uma volta e dizer para comer apenas org&#226;nico, que &#233; uma comida cara. Com a economia que voc&#234; faz usando todas&nbsp; as partes do alimento voc&#234; consegue comprar um a&#231;&#250;car org&#226;nico, um &#243;leo de coco.&nbsp;</p><p>Quando eu comecei, vi que a semente eu poderia devolver pra terra. E voc&#234; v&#234; a economia que t&#225; tendo, sua cabe&#231;a come&#231;a a mudar e o dinheiro come&#231;a a render. A&#237; engloba v&#225;rias coisas, como fazer horta em pequenos espa&#231;os, fazer essa gastronomia alternativa [de talos, folhas e cascas]. Tem receitas que eu n&#227;o precisava comprar quase nada [no supermercado], [comprava] tudo na feira.&nbsp;</p><p>Se eu n&#227;o tenho dinheiro pra comprar mais ab&#243;bora, mas tenho a casca dela, posso higienizar e fazer esse alimento ficar mais seguro. Porque essa &#233; a realidade das pessoas, a falta de alimento. Ou &#233; melhor comer carne podre, pegar osso do caminh&#227;o? &#201; conscientizar sobre o que se tem e como aproveitar melhor os alimentos, &#233; dar condi&#231;&#245;es para a pessoa saber escolher o que ela quer comer.</p><p>A realidade de comer apenas org&#226;nicos &#233; distante, mas h&#225; uma possibilidade grande. Nesse ecossistema com esse consumo fren&#233;tico a gente precisa de uma linguagem popular para conseguir explicar a import&#226;ncia de comer uma comida sem veneno.&nbsp;</p><h4>Quais foram as maiores dificuldades no in&#237;cio do Favela Org&#226;nica? Voc&#234; acredita que, atualmente, iniciativas similares ter&#227;o mais facilidade para se estabelecerem depois da sua trajet&#243;ria?</h4><p>O Favela Org&#226;nica come&#231;ou de um jeito muito genu&#237;no. J&#225; fui pedindo pros feirantes, alarmando e falando que tudo aquilo [talos e folhas descartados ao colocar as verduras &#224; venda] era comida. E os feirantes falando que nada daquilo se comia.</p><blockquote><h4>A realidade do feirante &#233; totalmente diferente do que a gente imagina. Ele sai 2 da manh&#227; de casa. Como que ele vai manter folha e talo se o pr&#243;prio cliente pede pra tirar as folhas? Como que ele vai guardar tudo aquilo depois de limpar para o cliente?&nbsp;</h4></blockquote><p>Eles come&#231;am limpando assim que chegam, na montagem, limpam de novo no meio da feira e mais uma vez ao final. &#201; muito desperd&#237;cio num mesmo lugar em um mesmo dia. O tempo de feira deve durar seis horas. Mas para eles s&#227;o dez, doze horas de trabalho.&nbsp;</p><h4>Qual voc&#234; considera ser sua principal contribui&#231;&#227;o?</h4><p>A coragem de acreditar em mim. Eu ia receber 10 mil reais no in&#237;cio, mas recebi um n&#227;o porque o projeto foi considerado muito complexo. E a&#237; eu comecei com R$ 140.</p><h4>Voc&#234; &#233; uma refer&#234;ncia para muitos cozinheiros vegetarianos. Como voc&#234; identifica sua influ&#234;ncia na alimenta&#231;&#227;o vegetariana?&nbsp;</h4><p>A minha comida sempre foi toda sem ingredientes de origem animal. Eu fiz assim porque as pessoas achavam que a comida s&#243; estava boa se tivesse carne. Na Para&#237;ba, se o feij&#227;o s&#243; tivesse legumes, se na mesa tivesse uma saladinha, mas n&#227;o tivesse carne, a pessoa acabava falando que a comida tava fraquinha.&nbsp;</p><p>Como sou audaciosa, eu queria fazer diferente, fui l&#225; e fiz. Tudo sem carne! As receitas para usar casca de banana, casca de melancia e fazer com gosto de frango ou camar&#227;o. De ab&#243;bora, a mesma coisa. A de banana e fazer com gosto de atum ou carne. Isso era o que eu queria mostrar. H&#225; dez anos eu nem sabia desse movimento de vegetariano a&#237;. O que eu fa&#231;o &#233; comida de verdade que &#233; acess&#237;vel pra todo mundo.</p><h4>Agora que a webs&#233;rie Seu Neg&#243;cio T&#225; Na Feira finalizou, como voc&#234; seguiria com essa iniciativa se pudesse escolher continu&#225;-la? O que voc&#234; colocaria em pr&#225;tica se dependesse s&#243; de voc&#234;?&nbsp;</h4><p>Eu faria um festival gastron&#244;mico nas feiras livres com degusta&#231;&#227;o ao vivo para as pessoas provarem tudo.</p><h4>Qual seu plano para o Favela Org&#226;nica a longo prazo?</h4><p>Que a gente consiga ser autossustent&#225;vel, que nossos projetos se autofinanciem. A gente est&#225; aberto para projetos, vendendo nossos servi&#231;os ou sendo patrocinados, mas at&#233; ser autossustent&#225;vel precisaria ter um investimento para que a gente desenvolva as iniciativas. <strong>Gostaria que a gente tivesse um espa&#231;o maior com uma escola de gastronomia para ensinar sobre todo o ciclo do alimento.</strong>&nbsp;</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://lh3.googleusercontent.com/Fb8bdEQ-qHsn1QUXChvZePSJiVhaKIYCAzmp4U1Zj3BUZ8sYi7xSsWcQdJMyNSOXGCJcqvWeWySEqmOxXm-0Gld5eiRl6XuVHZNc7HFr7IeMEAeMiAy_gXTSopFpytr9nI9j9Ixy" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://lh3.googleusercontent.com/Fb8bdEQ-qHsn1QUXChvZePSJiVhaKIYCAzmp4U1Zj3BUZ8sYi7xSsWcQdJMyNSOXGCJcqvWeWySEqmOxXm-0Gld5eiRl6XuVHZNc7HFr7IeMEAeMiAy_gXTSopFpytr9nI9j9Ixy 424w, https://lh3.googleusercontent.com/Fb8bdEQ-qHsn1QUXChvZePSJiVhaKIYCAzmp4U1Zj3BUZ8sYi7xSsWcQdJMyNSOXGCJcqvWeWySEqmOxXm-0Gld5eiRl6XuVHZNc7HFr7IeMEAeMiAy_gXTSopFpytr9nI9j9Ixy 848w, https://lh3.googleusercontent.com/Fb8bdEQ-qHsn1QUXChvZePSJiVhaKIYCAzmp4U1Zj3BUZ8sYi7xSsWcQdJMyNSOXGCJcqvWeWySEqmOxXm-0Gld5eiRl6XuVHZNc7HFr7IeMEAeMiAy_gXTSopFpytr9nI9j9Ixy 1272w, https://lh3.googleusercontent.com/Fb8bdEQ-qHsn1QUXChvZePSJiVhaKIYCAzmp4U1Zj3BUZ8sYi7xSsWcQdJMyNSOXGCJcqvWeWySEqmOxXm-0Gld5eiRl6XuVHZNc7HFr7IeMEAeMiAy_gXTSopFpytr9nI9j9Ixy 1456w" sizes="100vw"><img src="https://lh3.googleusercontent.com/Fb8bdEQ-qHsn1QUXChvZePSJiVhaKIYCAzmp4U1Zj3BUZ8sYi7xSsWcQdJMyNSOXGCJcqvWeWySEqmOxXm-0Gld5eiRl6XuVHZNc7HFr7IeMEAeMiAy_gXTSopFpytr9nI9j9Ixy" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://lh3.googleusercontent.com/Fb8bdEQ-qHsn1QUXChvZePSJiVhaKIYCAzmp4U1Zj3BUZ8sYi7xSsWcQdJMyNSOXGCJcqvWeWySEqmOxXm-0Gld5eiRl6XuVHZNc7HFr7IeMEAeMiAy_gXTSopFpytr9nI9j9Ixy&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:null,&quot;width&quot;:null,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://lh3.googleusercontent.com/Fb8bdEQ-qHsn1QUXChvZePSJiVhaKIYCAzmp4U1Zj3BUZ8sYi7xSsWcQdJMyNSOXGCJcqvWeWySEqmOxXm-0Gld5eiRl6XuVHZNc7HFr7IeMEAeMiAy_gXTSopFpytr9nI9j9Ixy 424w, https://lh3.googleusercontent.com/Fb8bdEQ-qHsn1QUXChvZePSJiVhaKIYCAzmp4U1Zj3BUZ8sYi7xSsWcQdJMyNSOXGCJcqvWeWySEqmOxXm-0Gld5eiRl6XuVHZNc7HFr7IeMEAeMiAy_gXTSopFpytr9nI9j9Ixy 848w, https://lh3.googleusercontent.com/Fb8bdEQ-qHsn1QUXChvZePSJiVhaKIYCAzmp4U1Zj3BUZ8sYi7xSsWcQdJMyNSOXGCJcqvWeWySEqmOxXm-0Gld5eiRl6XuVHZNc7HFr7IeMEAeMiAy_gXTSopFpytr9nI9j9Ixy 1272w, https://lh3.googleusercontent.com/Fb8bdEQ-qHsn1QUXChvZePSJiVhaKIYCAzmp4U1Zj3BUZ8sYi7xSsWcQdJMyNSOXGCJcqvWeWySEqmOxXm-0Gld5eiRl6XuVHZNc7HFr7IeMEAeMiAy_gXTSopFpytr9nI9j9Ixy 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><p>Acompanhe o trabalho da Regina Tchelly pelo <a href="https://favelaorganica.com.br/pt/">site do Favela Org&#226;nica</a>, <a href="https://www.instagram.com/favela_organica/">Instagram</a>, <a href="https://www.youtube.com/c/FavelaOrg%C3%A2nica">Youtube</a> e compre o ebook <em><a href="https://hotmart.com/product/ebook-na-cozinha-tudo-se-transforma/S51889992X">Na Cozinha Tudo se Transforma</a></em>. </p><div><hr></div><h4>RECONHECIMENTO</h4><p>Na noite do dia 6, fui &#224; premia&#231;&#227;o do Pr&#234;mio FIEP de Jornalismo, porque minha reportagem <em><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/bomgourmet/produtos-ingredientes/segunda-onda-da-erva-mate-toma-corpo-no-sul-do-brasil/">Segunda onda da erva-mate toma corpo no Sul do Brasil</a></em> foi finalista. Eu j&#225; estava muito feliz s&#243; de ter minha mat&#233;ria, publicada na editoria de gastronomia da revista e portal Pin&#243;, concorrendo com reportagens de economia.&nbsp;Mas a&#237; recebi o primeiro lugar da categoria internet e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=pH26GTuSxHM">n&#227;o consegui disfar&#231;ar a surpresa ao subir no palco</a> [a partir dos 25 minutos]. </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XQnA!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F281c813d-5119-4422-bc11-03bcf169e3e5_3568x2379.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 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Foto: Gelson Bampi/Divulga&#231;&#227;o Ag&#234;ncia FIEP</figcaption></figure></div><p>Alguns minutos depois, recebi tamb&#233;m o pr&#234;mio de Destaque regional &#8211; Curitiba e RMC (no trof&#233;u, descrito como regi&#227;o leste) [<a href="https://www.youtube.com/watch?v=pH26GTuSxHM">a partir dos 51 minutos</a>]. &#201; realmente uma satisfa&#231;&#227;o ter essa apura&#231;&#227;o reconhecida, e eu s&#243; tenho a agradecer &#224; Roberta Braga, da Literato Comunica&#231;&#227;o, que foi a editora que confiou na minha sugest&#227;o de pauta &#8211;&nbsp;e ela, ainda por cima, &#233; apoiadora paga dessa humilde newsletter. &#128150;</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!igTG!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F44cf1378-c6ad-478d-a20d-de85edc413f6_1024x682.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!igTG!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F44cf1378-c6ad-478d-a20d-de85edc413f6_1024x682.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!igTG!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F44cf1378-c6ad-478d-a20d-de85edc413f6_1024x682.jpeg 848w, 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role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Eu e Roberta Braga, editora da revista Pin&#243;. Foto: Gelson Bampi/Divulga&#231;&#227;o Ag&#234;ncia FIEP</figcaption></figure></div><div><hr></div><h4>ESCOLHA O QUE VOC&#202; QUER LER</h4><p>Para voc&#234; escolher quais se&#231;&#245;es da newsletter <strong>fogo baixo</strong> voc&#234; gostaria de receber na sua caixa de entrada, <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/account">clique aqui</a> e selecione as caixinhas que lhe interessam. Quem l&#234; apenas em portugu&#234;s pode deixar de fora a se&#231;&#227;o <strong>[EN] LOW HEAT</strong>, por exemplo, e assim n&#227;o receber&#225; a edi&#231;&#227;o em ingl&#234;s. Para receber todas as edi&#231;&#245;es, inclusive em ingl&#234;s, marque todas as caixinhas, como na imagem abaixo:</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://lh3.googleusercontent.com/Wmzw7ZcJb7ii_aH2dRSOW_ZZxzTJB6KsUfKLkK0iKzFdqawO_8G9U9lQ4g3vSpW2LyRCpdnGS1MC6WSUmx9vr1Z7Tz7wQ8cLHmv7_XRjP5uAj7U1JL4X_GKYOE0fUZ_yiuv7e9AN" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://lh3.googleusercontent.com/Wmzw7ZcJb7ii_aH2dRSOW_ZZxzTJB6KsUfKLkK0iKzFdqawO_8G9U9lQ4g3vSpW2LyRCpdnGS1MC6WSUmx9vr1Z7Tz7wQ8cLHmv7_XRjP5uAj7U1JL4X_GKYOE0fUZ_yiuv7e9AN 424w, https://lh3.googleusercontent.com/Wmzw7ZcJb7ii_aH2dRSOW_ZZxzTJB6KsUfKLkK0iKzFdqawO_8G9U9lQ4g3vSpW2LyRCpdnGS1MC6WSUmx9vr1Z7Tz7wQ8cLHmv7_XRjP5uAj7U1JL4X_GKYOE0fUZ_yiuv7e9AN 848w, https://lh3.googleusercontent.com/Wmzw7ZcJb7ii_aH2dRSOW_ZZxzTJB6KsUfKLkK0iKzFdqawO_8G9U9lQ4g3vSpW2LyRCpdnGS1MC6WSUmx9vr1Z7Tz7wQ8cLHmv7_XRjP5uAj7U1JL4X_GKYOE0fUZ_yiuv7e9AN 1272w, https://lh3.googleusercontent.com/Wmzw7ZcJb7ii_aH2dRSOW_ZZxzTJB6KsUfKLkK0iKzFdqawO_8G9U9lQ4g3vSpW2LyRCpdnGS1MC6WSUmx9vr1Z7Tz7wQ8cLHmv7_XRjP5uAj7U1JL4X_GKYOE0fUZ_yiuv7e9AN 1456w" sizes="100vw"><img src="https://lh3.googleusercontent.com/Wmzw7ZcJb7ii_aH2dRSOW_ZZxzTJB6KsUfKLkK0iKzFdqawO_8G9U9lQ4g3vSpW2LyRCpdnGS1MC6WSUmx9vr1Z7Tz7wQ8cLHmv7_XRjP5uAj7U1JL4X_GKYOE0fUZ_yiuv7e9AN" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://lh3.googleusercontent.com/Wmzw7ZcJb7ii_aH2dRSOW_ZZxzTJB6KsUfKLkK0iKzFdqawO_8G9U9lQ4g3vSpW2LyRCpdnGS1MC6WSUmx9vr1Z7Tz7wQ8cLHmv7_XRjP5uAj7U1JL4X_GKYOE0fUZ_yiuv7e9AN&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:null,&quot;width&quot;:null,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://lh3.googleusercontent.com/Wmzw7ZcJb7ii_aH2dRSOW_ZZxzTJB6KsUfKLkK0iKzFdqawO_8G9U9lQ4g3vSpW2LyRCpdnGS1MC6WSUmx9vr1Z7Tz7wQ8cLHmv7_XRjP5uAj7U1JL4X_GKYOE0fUZ_yiuv7e9AN 424w, https://lh3.googleusercontent.com/Wmzw7ZcJb7ii_aH2dRSOW_ZZxzTJB6KsUfKLkK0iKzFdqawO_8G9U9lQ4g3vSpW2LyRCpdnGS1MC6WSUmx9vr1Z7Tz7wQ8cLHmv7_XRjP5uAj7U1JL4X_GKYOE0fUZ_yiuv7e9AN 848w, https://lh3.googleusercontent.com/Wmzw7ZcJb7ii_aH2dRSOW_ZZxzTJB6KsUfKLkK0iKzFdqawO_8G9U9lQ4g3vSpW2LyRCpdnGS1MC6WSUmx9vr1Z7Tz7wQ8cLHmv7_XRjP5uAj7U1JL4X_GKYOE0fUZ_yiuv7e9AN 1272w, https://lh3.googleusercontent.com/Wmzw7ZcJb7ii_aH2dRSOW_ZZxzTJB6KsUfKLkK0iKzFdqawO_8G9U9lQ4g3vSpW2LyRCpdnGS1MC6WSUmx9vr1Z7Tz7wQ8cLHmv7_XRjP5uAj7U1JL4X_GKYOE0fUZ_yiuv7e9AN 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><div><hr></div><h4><strong>APOIE A FOGO BAIXO</strong></h4><p>A newsletter <strong>fogo baixo</strong> &#233; uma iniciativa independente da jornalista <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/sobre-a-autora">Fl&#225;via Schiochet</a>, financiada pelos seus leitores. 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Eu me lembro de ficar desconfort&#225;vel ao ler os trechos citados nas mat&#233;rias e de ver as opini&#245;es a favor de manter o livro de 1933 no PNBE "porque era assim que a maioria pensava naquela &#233;poca". Esqueceram-se de considerar que essa maioria era a maioria de brancos, claro.</p><p>O que n&#227;o estava em pauta na discuss&#227;o p&#250;blica na d&#233;cada de 2000 e in&#237;cio de 2010 era que <strong>Monteiro Lobato era declaradamente um eugenista</strong>, ou seja, que acreditava que havia pessoas melhores que as outras e que haveria uma hierarquia entre caracter&#237;sticas gen&#233;ticas, f&#237;sicas e mentais para valorar o ser humano.&nbsp;</p><p>Em 1914, Lobato enviou uma carta inflamada a um jornal de grande circula&#231;&#227;o, em que dizia, dentre outras coisas, que o <a href="http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1035&amp;sid=7">"caboclo" era "inadapt&#225;vel para a civiliza&#231;&#227;o"</a>. A carta acabou sendo publicada na se&#231;&#227;o de artigos, e ele passou a escrever com mais frequ&#234;ncia publicamente. O dito autor foi se dedicar &#224; literatura infantil &#8211; abertamente racista e com um subtexto bastante colonial, para dizer o m&#237;nimo &#8211;&nbsp;quase uma d&#233;cada depois. Toda a sua obra parte de um mesmo ide&#225;rio, f&#225;cil de perceber se voc&#234; se esfor&#231;a para analis&#225;-la tomando dist&#226;ncia da nostalgia e n&#227;o se deixando levar pela qualidade t&#233;cnica da escrita e da composi&#231;&#227;o textual. Assim como cor, erudi&#231;&#227;o n&#227;o &#233; sin&#244;nimo de virtude moral.</p><p>No in&#237;cio do s&#233;culo 20, eugenia, higienismo e sanitarismo andavam lado a lado e modulavam o debate p&#250;blico &#224; &#233;poca. Alguns avan&#231;os da medicina, como a vacina, se misturavam no notici&#225;rio junto de eventos como "Concurso do <a href="https://www.sbhc.org.br/arquivo/download?ID_ARQUIVO=74">Beb&#234; Eug&#234;nico</a>". Apesar de escancarado neste concurso de beleza infantil, o movimento pr&#243;-eugenia teve e tem v&#225;rias faces. Nem sempre suas a&#231;&#245;es e discursos s&#227;o facilmente reconhec&#237;veis. Para compreender a presen&#231;a dos discursos eug&#234;nicos no debate p&#250;blico, recomendo ouvir <a href="https://peloavesso.com/">a primeira temporada do podcast Pelo Avesso</a>, que trata precisamente do surgimento do movimento eug&#234;nico at&#233; o seu disfarce &#8211;&nbsp;e nunca a erradica&#231;&#227;o &#8211;&nbsp;dessa ideologia supremacista branca no Brasil.&nbsp;</p><p>Pensando na complexidade e nas disputas que comp&#245;em o campo pol&#237;tico desde que o ser humano se organizou em sociedade, a justificativa nos dias atuais a favor da obra de Lobato deixa de ser ing&#234;nua (como j&#225; acreditei que seria) para ser conivente. A obra, claro, poderia ser editada com coment&#225;rios cr&#237;ticos para contextualizar os estudantes e servir como algo transdisciplinar, envolvendo Hist&#243;ria e Literatura &#8211;&nbsp;seria esse um esfor&#231;o menor que editar novas obras, de novos autores, mais plurais e que reflitam os tempos atuais?&nbsp;</p><p>N&#227;o tenho cacife nem forma&#231;&#227;o para analisar o impacto que a retirada dos livros de Lobato causaria na reformula&#231;&#227;o de cartilhas e de conte&#250;do escolar a n&#237;vel federal, mas consigo ver o efeito que uma de suas personagens teve na forma&#231;&#227;o do estere&#243;tipo de cozinheira negra dom&#233;stica.</p><p>&#201; ciente de que essa mentalidade eugenista foi preponderante (e na maior parte do tempo, discreta) no debate p&#250;blico do s&#233;culo 20 &#8211;&nbsp;na produ&#231;&#227;o cultural, na manuten&#231;&#227;o de privil&#233;gios econ&#244;micos, e na mentalidade da elite colonial brasileira, que sempre teve muito espa&#231;o e eco na m&#237;dia tradicional &#8211;&nbsp;que eu espero que voc&#234; leia a entrevista da <strong>fogo baixo</strong> neste m&#234;s.&nbsp;</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qflJ!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3fa77396-9fcb-4e76-917a-75a642fcee1e_1100x40.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qflJ!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3fa77396-9fcb-4e76-917a-75a642fcee1e_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qflJ!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3fa77396-9fcb-4e76-917a-75a642fcee1e_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qflJ!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3fa77396-9fcb-4e76-917a-75a642fcee1e_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qflJ!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3fa77396-9fcb-4e76-917a-75a642fcee1e_1100x40.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qflJ!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3fa77396-9fcb-4e76-917a-75a642fcee1e_1100x40.png" width="1100" height="40" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://bucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com/public/images/3fa77396-9fcb-4e76-917a-75a642fcee1e_1100x40.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:40,&quot;width&quot;:1100,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qflJ!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3fa77396-9fcb-4e76-917a-75a642fcee1e_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qflJ!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3fa77396-9fcb-4e76-917a-75a642fcee1e_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qflJ!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3fa77396-9fcb-4e76-917a-75a642fcee1e_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qflJ!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3fa77396-9fcb-4e76-917a-75a642fcee1e_1100x40.png 1456w" sizes="100vw" fetchpriority="high"></picture><div></div></div></a></figure></div><p>Anotei pela primeira vez o nome <a href="https://twitter.com/taisando">Ta&#237;s de Sant'Anna Machado</a> em agosto do ano passado, enquanto entrevistava <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/extra-entrevista-lourence-alves?s=w">Lourence Alves</a>. Ouvi de Lourence que a tese de Ta&#237;s era um marco na academia, e que Ta&#237;s partia, assim como ela e outros pesquisadores, de uma epistemologia preta, que articula diferentes disciplinas para investigar quest&#245;es quase sempre tratadas a partir de uma &#243;tica distante, em que o "&#233;tnico" em quest&#227;o &#233; apenas o objeto, e n&#227;o sujeito produtor de conhecimento.&nbsp;</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!HKtl!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5386d2c4-650b-4a25-b735-01c6a57b36a9_1836x3264.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 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Foto: Ta&#237;s de Sant&#8217;Anna Machado/Arquivo pessoal</figcaption></figure></div><p>Ta&#237;s &#233; doutora em Sociologia pela Universidade de Bras&#237;lia e, em sua tese, intitulada <a href="https://repositorio.unb.br/handle/10482/42205">"Um p&#233; na cozinha: uma an&#225;lise s&#243;cio-hist&#243;rica do trabalho de cozinheiras negras no Brasil"</a>, resgata o trabalho de mulheres negras na cozinha do s&#233;culo 18 ao 21, da cozinheira Esperan&#231;a Garcia at&#233; chefs de cozinha e cozinheiras profissionais nos dias de hoje &#8211;&nbsp;estas, anonimizadas para proteg&#234;-las de retalia&#231;&#245;es. Ta&#237;s apresenta as condi&#231;&#245;es de trabalho nesse espa&#231;o e as diferentes maneiras que essas mulheres encontraram de resistir e de atuar mesmo sendo cotidianamente desrespeitadas ao longo destes mais de tr&#234;s s&#233;culos.</p><p>O trabalho acad&#234;mico ser&#225; editado no formato de livro e seu conte&#250;do, adaptado para uma linguagem menos acad&#234;mica. N&#227;o que o texto de Ta&#237;s precise: a leitura flui muito bem mesmo para o leitor leigo. "A linguagem foi um cuidado que tomei ao escrever a tese, porque queria que muita gente pudesse acessar esse trabalho. &#201; uma hist&#243;ria invisibilizada que toca a maior parte dos brasileiros", disse. Parte das 305 folhas da tese estar&#227;o sintetizadas em menos espa&#231;o, e a previs&#227;o &#233; que o livro seja lan&#231;ado no segundo semestre de 2022.&nbsp;</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!PlPv!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fdfef3d67-cb3e-4461-925a-a9180838d530_841x1189.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!PlPv!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fdfef3d67-cb3e-4461-925a-a9180838d530_841x1189.jpeg 424w, 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Imagem: <a href="https://www.instagram.com/daielygoncalves/">Daiely Gon&#231;alves</a>/Divulga&#231;&#227;o</figcaption></figure></div><p>Ta&#237;s conversou comigo por telefone por cerca de uma hora e meia na semana passada. Abaixo est&#227;o os principais trechos da nossa conversa, editados e organizados para melhor entendimento:&nbsp;</p><h4>Voc&#234; abre sua tese com um cap&#237;tulo em que narra a mudan&#231;a de perspectiva que voc&#234; teve quando as entrevistadas lhe mostraram que preferiam enfatizar suas conquistas a publicizar o preconceito que sofreram. Pensando na cozinha autoral e na proposta que essas mulheres apresentam ao mundo, que hist&#243;rias as chefs entrevistadas contam atrav&#233;s de sua gastronomia e pratos? Do que elas t&#234;m orgulho de criar?</h4><p>Que interessante, ningu&#233;m tinha me feito essa pergunta at&#233; agora. Isso est&#225; pouco na tese. O meu trabalho n&#227;o &#233; um comp&#234;ndio de receitas, como muita gente acha. Seria grandioso ter o rastreio dessas receitas sem o r&#243;tulo gen&#233;rico de "africano" ou "&#233;tnico", como rotulam tudo o que n&#227;o &#233; franc&#234;s e italiano. Mas esse n&#227;o era o foco da tese, o foco era o trabalho na cozinha.&nbsp;</p><p>Enquanto entrevistadora, eu vejo diversas contribui&#231;&#245;es e caminhos. Elas s&#227;o impelidas em estar em uma camisa-de-for&#231;a do que podem cozinhar, do que querem que elas fa&#231;am, ent&#227;o s&#227;o muito empurradas para a cozinha africana, brasileira, etc.&nbsp;</p><p>Mas enquanto trabalho autoral, elas cozinham muitas coisas diferentes entre elas. Tem uma que &#233; rainha da t&#233;cnica francesa. Tem outra que "deus-que-me-livre" fazer comida &#233;tnica, ela queria ser contempor&#226;nea e fazer <em>fusion cuisine</em>, a partir do que dava na telha, do que ela conhecia a partir das viagens dela, como um chef branco cl&#225;ssico quando volta da Tail&#226;ndia e incorporando ingredientes na sua cozinha. Quem cozinha com influ&#234;ncia africana tinha refer&#234;ncia de muitas regi&#245;es e pa&#237;ses do continente. Na cozinha brasileira, tem uma que trabalha com PANC.&nbsp;</p><p>Muitas delas t&#234;m de sair de seus repert&#243;rios autorais, fazem o que h&#225; de encomenda. Elas diziam: "eu sei que &#233; isso que esperam de mim [cozinha africana e brasileira], mas se eu n&#227;o fizer, quem vai fazer? Um branco?". Elas s&#227;o pessoas com muita experi&#234;ncia pr&#225;tica, circulam por muitos repert&#243;rios poss&#237;veis.</p><h4>Como as chefs e cozinheiras negras avaliam e se relacionam com esses estere&#243;tipos como a quituteira ou ainda o de uma cozinheira que domina apenas a comida &#233;tnica, que serve apenas para executar o card&#225;pio de outra pessoa?&nbsp;</h4><p>Essa &#233; uma das grandes frustra&#231;&#245;es delas. Eu discuto muito no terceiro cap&#237;tulo que, enquanto cozinheiras profissionais ou chefs de cozinha elas est&#227;o em um n&#227;o-lugar. &#201; complexo entender o aprisionamento da mulher negra na cozinha, mas esse lugar n&#227;o &#233; para ser chef, para ser primeiro ou segundo cozinheiro. &#201; para ser auxiliar ou lavar prato. Elas est&#227;o ocupando um lugar que n&#227;o deveriam ocupar. Analisando a hist&#243;ria da gastronomia a partir de perspectiva racial, de classe e g&#234;nero, <strong>a figura do chef de cozinha se constr&#243;i em contraponto a cozinheira dom&#233;stica,</strong> ele tem que ser tudo o que ela n&#227;o &#233;: se voc&#234; a enxerga como uma trabalhadora dom&#233;stica, voc&#234; n&#227;o vai enxergar ela como ela &#233;.&nbsp;</p><p>A <a href="https://www.brasildefato.com.br/2018/04/23/mulher-negra-e-chef-de-cozinha-bene-ricardo-presente">Bianca Briguglio</a> me cedeu a entrevista que ela fez com a <a href="https://tiagorogero.com/2019/09/18/episodio-03/">Ben&#234; Ricardo</a> [<a href="https://repositorio.unb.br/handle/10482/42205">p&#225;gina 151</a>], que faleceu em 2017. Ben&#234; foi a primeira chef formada do Brasil, e nessa entrevista ela fala sobre todo tipo de deslegitima&#231;&#227;o e boicote que sofreu em cozinhas profissionais. Teve at&#233; subordinados colocando vidro num molho de tomate que ela ia servir. Uma tentativa de criminaliz&#225;-la. &#201; todo tipo de artimanha que quer dizer "seu lugar n&#227;o &#233; aqui. Voc&#234; precisa voltar para <em>outra</em> fun&#231;&#227;o".&nbsp;</p><p>As viol&#234;ncias s&#227;o v&#225;rias: fornecedores n&#227;o te reconhecem, os clientes n&#227;o acreditam que voc&#234; &#233; a chef. Isso mina seu cotidiano. Ningu&#233;m as v&#234; como autoridade. Est&#227;o em lugares que n&#227;o deveriam estar. Elas falam: "porque veem a Fulana como chef e me veem como tia An&#225;stacia?", sendo a Fulana uma chef branca...&nbsp;</p><blockquote><h4>Estere&#243;tipos como o da tia Anast&#225;cia, que tem um repert&#243;rio s&#243; de executar e n&#227;o de pensar, s&#227;o constru&#237;dos enquanto projeto de na&#231;&#227;o, que coloca mulheres negras em lugares menores e subalternos de forma violenta, que faz com que o pa&#237;s funcione.&nbsp;</h4></blockquote><p>N&#227;o &#233; por acaso, &#233; intencional: mulheres negras aprisionadas nesses lugares mant&#234;m uma m&#227;o de obra barata para o trabalho dom&#233;stico. &#201; um projeto de supremacia branca, de viol&#234;ncia. Isso est&#225; no cerne da defini&#231;&#227;o do chef de cozinha. &#201; um papel que n&#227;o foi feito para elas. E elas est&#227;o brigando para ocupar.&nbsp;</p><h4>Voc&#234; afirma que, mesmo sem parecerem combativas e militantes, as mulheres negras usaram a cozinha como espa&#231;o de resist&#234;ncia e de a&#231;&#227;o, algo que o senso comum e at&#233; mesmo o meio acad&#234;mico pouco considera. Voc&#234; poderia exemplificar de que forma as chefs e cozinheiras negras t&#234;m articulado ag&#234;ncia e resist&#234;ncia na cozinha ao longo dos s&#233;culos?</h4><p>A cozinha &#233; um espa&#231;o extremamente racista. A simples presen&#231;a dessas mulheres, a insist&#234;ncia em ocupar esse espa&#231;o enquanto chefs e cozinheiras, j&#225; &#233; um lugar de ag&#234;ncia e resist&#234;ncia. O racismo, sexismo e classismo operam de diferentes jeitos e elas atuam a partir das brechas que t&#234;m: quem teve acesso a cursos internacionais ou trabalhou em restaurantes dentro de um circuito mais leg&#237;timo, consegue peitar determinadas estruturas, trazer outros profissionais negros para esses espa&#231;os. Quem n&#227;o teve esse acesso por causa de um racismo que afeta sua renda e as oportunidades, tem que ceder em muitas coisas.&nbsp;</p><p>Muitas coisas tiveram de ficar fora da minha tese, coisas que escutei e que n&#227;o pude colocar porque colocava em risco a trajet&#243;ria dessas profissionais. Se voc&#234; [enquanto cozinheira ou chef] fala sobre essas viol&#234;ncias, voc&#234; sofre as san&#231;&#245;es disso, passa a ser vista como encrenqueira.&nbsp;</p><p>Mas h&#225; tamb&#233;m uma forma&#231;&#227;o de redes entre elas, uma abertura para algum n&#237;vel de discuss&#227;o sobre racismo antinegritude que elas tentam mobilizar. Elas compartilham oportunidades entre si, montam projetos, brigam por determinados repert&#243;rios culin&#225;rios e pela autoria desses repert&#243;rios usurpados por chefs brancos, fortalecem quilombolas e comunidades ind&#237;genas para que eles sejam os donos desses repert&#243;rios.&nbsp;</p><blockquote><h4>A gastronomia &#233; um campo muito predat&#243;rio do conhecimento de povos tradicionais, quilombolas, ind&#237;genas, popula&#231;&#245;es de terreiro.</h4></blockquote><p>&#201; importante para mim pontuar que existem outras formas de resist&#234;ncia, porque pessoas negras precisam acess&#225;-las, porque as san&#231;&#245;es s&#227;o muito graves [para quem se contrap&#245;e publicamente como militante, por exemplo]. &#201; algo que pode tirar oportunidades de trabalho, como em todo o mercado de trabalho. Isso acontece em um campo [a cozinha profissional]<strong> </strong>que &#233; feito para homens brancos e no qual a pol&#237;tica de reconhecimento &#233; feita para reconhec&#234;-los. A gente sabe que alguns chefs famosos n&#227;o contratam mulheres e falam isso com pouco pudor. Quando voc&#234; &#233; mulher e ainda &#233; vista como encrenqueira, n&#227;o ter emprego pode significar n&#227;o-acesso &#224; subsist&#234;ncia. Ent&#227;o precisa-se de resist&#234;ncias menos diretas e mais silenciosas. E por isso a tese bate muito nisso: &#233; uma longa hist&#243;ria e tradi&#231;&#227;o de resist&#234;ncia, que come&#231;a com uma carta-peti&#231;&#227;o da cozinheira Esperan&#231;a Garcia, em 1770 [<a href="https://repositorio.unb.br/handle/10482/42205">p&#225;gina 45</a>].</p><h4>O &#226;ngulo pelo qual voc&#234; olha para o trabalho de mulheres negras na cozinha ainda &#233; pouco explorado pela academia. Voc&#234; mesma optou por esse &#226;ngulo depois de alguns anos de doutorado. O que voc&#234; destacaria como pesquisas poss&#237;veis a partir do seu trabalho?&nbsp;</h4><p>Minha tese &#233; uma gota no oceano. Fiz um enfoque em apenas um grupo na cozinha, mas &#233; importante pensar como &#233; relevante ter um olhar cr&#237;tico sobre a alimenta&#231;&#227;o.<strong> As pessoas se perdem nessa afirma&#231;&#227;o de que alimenta&#231;&#227;o &#233; cultura, e n&#227;o necessariamente cultura &#233; uma coisa boa. Pode ser violenta, como a tese mostra.</strong>&nbsp;</p><p><strong>Sempre se catalogam h&#225;bitos alimentares e receitas como se isso existisse separadamente da estrutura de poder, viol&#234;ncia e expropria&#231;&#227;o econ&#244;mica. </strong>As mulheres negras [que trabalharam ou trabalham como cozinheiras dom&#233;sticas] sempre foram submetidas a condi&#231;&#245;es imposs&#237;veis de sobreviv&#234;ncia na cozinha. <strong>Enquanto fam&#237;lias brancas tinham banquetes suntuosos, isso implicava necessariamente que fam&#237;lias de cozinheiras negras estivessem passando fome.</strong> O pagamento &#224;s vezes era o resto da comida.&nbsp;</p><p>Esse enfoque e olhar cr&#237;tico servem para todas as outras [pesquisas sobre o trabalho na cozinha]. &#201; uma proposta para olhar outras coisas: como a brancura &#233; olhada como o modelo, como os brancos "dominam" repert&#243;rios de cozinha que n&#227;o s&#227;o deles e se arvoram de uma certa neutralidade, como se pudessem fazer tudo e entender tudo.</p><p>No meu trabalho, estou tonalizando g&#234;nero e ra&#231;a. &#201; importante pensar que uma chef de cozinha negra ter&#225; uma experi&#234;ncia diferente e n&#227;o "s&#243;" pior. A conex&#227;o com o trabalho dom&#233;stico &#233; pior. Para mulheres brancas, a cozinha&nbsp;&#233; um lugar absurdo de viol&#234;ncia tamb&#233;m,&nbsp;mas &#233; uma experi&#234;ncia completamente diferente. Temos poucos estudos pensando em g&#234;nero e brancura, sobre feminilidade branca. H&#225; v&#225;rios caminhos poss&#237;veis e para que esse olhar possa ser ampliado e discutido.&nbsp;</p><h4>Seu trabalho traz muitos relatos orais e realidades que n&#227;o estavam escritas, documentadas e validadas pela academia. Como foi a avalia&#231;&#227;o disso na banca e entre seus pares?</h4><p>Eu n&#227;o acho que meu trabalho seja irretoc&#225;vel. Enquanto um trabalho com car&#225;ter precursor, eu sei que deixei de ver certas perspectivas. Quem vem a&#237; pode desenvolver olhares cr&#237;ticos, podemos pensar a hist&#243;ria da cozinha de maneira cr&#237;tica. N&#227;o sou historiadora e posso falhar [ao aplicar metodologias da Hist&#243;ria Oral, usadas em sua pesquisa], mas <strong>falar sobre uma Hist&#243;ria que foi intencionalmente apagada e invisibilizada significa ter que procur&#225;-la em diferentes lugares e de outras maneiras</strong>. Vou atr&#225;s de feminismos e de perspectivas negras, brasileira e estadunidense. &#201; uma an&#225;lise social, e estou me valendo de registros diferentes e de todo tipo: obitu&#225;rio, cartas, biografias, di&#225;rios, registro de arquivo, filmes.&nbsp;</p><p>&#201; preciso entender que, pelo car&#225;ter do que estou estudando, preciso considerar diferentes fontes, e que o trabalho dessa perspectiva negra e que est&#225; na parte te&#243;rico-metodol&#243;gica &#233; a defini&#231;&#227;o de um trabalho indisciplinado. <strong>O c&#226;none te&#243;rico da Sociologia n&#227;o d&#225; conta do que vou falar. A Hist&#243;ria n&#227;o daria conta tamb&#233;m. Por isso preciso articular diferentes &#225;reas para falar o que estou estudando. </strong>E vou fazendo esse am&#225;lgama.&nbsp;</p><p>Toda pesquisa est&#225; fadada a ser limitada, com certeza, mas na minha cabe&#231;a n&#227;o tem outro jeito de fazer isso. Eu estou fazendo um caminho metodol&#243;gico conforme eu ando. N&#227;o cheguei a ter cr&#237;tica disso na banca, mas <strong>eu n&#227;o estava preocupada em atender um rigor disciplinar de Hist&#243;ria ou Sociologia, mas tratar a hist&#243;ria das mulheres negras com respeito e da maneira que elas queriam contar.</strong> Eu n&#227;o dou voz a ningu&#233;m, eu evoco. Minha inten&#231;&#227;o &#233; servir de eco para hist&#243;rias que estavam silenciadas e que essas hist&#243;rias estejam no mundo com acesso facilitado.&nbsp;</p><h4>No p&#243;s-aboli&#231;&#227;o da escravatura, o espa&#231;o p&#250;blico, estar na rua e a comida de rua eram vistos como de dom&#237;nio negro. Ent&#227;o chegaram os restaurantes e hot&#233;is de inspira&#231;&#227;o na hospitalidade europeia e tomaram as vias p&#250;blicas. O que esse deslocamento e marginaliza&#231;&#227;o causou no trabalho das cozinheiras negras e na alimenta&#231;&#227;o da popula&#231;&#227;o?</h4><p>O processo p&#243;s-aboli&#231;&#227;o j&#225; &#233; dif&#237;cil porque eles saem sem nenhum tipo de repara&#231;&#227;o. O projeto era extinguir e dizimar. Voc&#234; tem uma s&#233;rie de tentativas de branquear a popula&#231;&#227;o, uma s&#233;rie de leis de terras que impedem o acesso &#224; terra, h&#225; um impedimento de acessar educa&#231;&#227;o, tem pol&#237;tica de criminaliza&#231;&#227;o do trabalho de cozinheiras negras nas ruas. Impedir acesso a determinados espa&#231;os de produ&#231;&#227;o de renda &#233; parte desse projeto:<strong> ent&#227;o o pa&#237;s civilizado europeu branco [como o Brasil se imaginava] precisa tornar a condi&#231;&#227;o de vida da popula&#231;&#227;o negra, que era desgra&#231;ada, em algo pior.</strong>&nbsp;</p><p>Ao mesmo tempo, as cidades dependem do trabalho negro. Tirar as cozinheiras negras da rua n&#227;o vai funcionar muito bem, vai precarizar mais algo que j&#225; era prec&#225;rio. O abastecimento continua dependendo da circula&#231;&#227;o de alimentos na cidade, na feira e na alimenta&#231;&#227;o de rua, que sempre foi comum no Brasil. Sempre vai ter uma mulher negra com uma banquinha. Elas s&#227;o retiradas de alguns espa&#231;os da cidade, &#224;s vezes retiradas &#224; for&#231;a, de centros que estavam se urbanizando e europeizado, mas v&#227;o trabalhar em outros lugares e em condi&#231;&#245;es prec&#225;rias, mas nunca saem da rua. A rua continua sendo um territ&#243;rio negro a despeito de toda a criminaliza&#231;&#227;o desse trabalho. Tem uma disserta&#231;&#227;o que cito na minha tese, da Bruna Portella de Novaes, <a href="https://repositorio.unb.br/handle/10482/24175">"Embranquecer a cidade negra: gest&#227;o do trabalho de rua em Salvador no in&#237;cio do s&#233;culo XX"</a>, que &#233; muito bom para pensar nisso, especialmente em Salvador.&nbsp;</p><h4>O que voc&#234; poderia apresentar sobre as diferen&#231;as de oportunidade entre campo e cidade para as cozinheiras negras no per&#237;odo p&#243;s-aboli&#231;&#227;o?</h4><p>A cidade &#233; a possibilidade de acessar outros trabalhos ou outros patr&#245;es. As cozinheiras s&#227;o astutas, conseguem enxergar como funciona a estrutura acima delas e encontram brechas para ocupar determinados espa&#231;os. <strong>A</strong> <strong>ideia de que o negro &#233; um trabalhador subserviente &#233; uma inven&#231;&#227;o dos brancos.</strong> Elas estavam procurando outros trabalhos, est&#227;o sempre tentando ter uma m&#237;nima condi&#231;&#227;o de trabalho &#8211; seja uma remunera&#231;&#227;o melhor, um tratamento melhor, poder levar os filhos&#8230; o que pode parecer pequeno de mudan&#231;a no cotidiano &#224;s vezes era muita coisa para elas.</p><p>No p&#243;s-aboli&#231;&#227;o, muitas mulheres ficaram presas &#224;s fam&#237;lias que tinham escravizado suas fam&#237;lias, e as fam&#237;lias consideravam que elas deviam algo a eles. A dona Risoleta vai trabalhar com a filha do homem que escravizou o pai dela [<a href="https://repositorio.unb.br/handle/10482/42205">p&#225;gina 107</a>]. Ela, com 8 anos, sendo ensinada a trabalhar. No campo, ela tinha menos possibilidade de circular e ter melhores condi&#231;&#245;es de vida, ent&#227;o ela vai para a cidade. Na cidade ela trabalha tamb&#233;m para uma fam&#237;lia, e a&#237; ela nota que pode trabalhar com uma estrutura de hospitalidade p&#250;blica que estava nascendo em S&#227;o Paulo.&nbsp;</p><p>Havia os grandes hot&#233;is, com os chefs de cozinha, e tamb&#233;m as pens&#245;es, que tinham pequenos restaurantes e que tamb&#233;m serviam a fam&#237;lias abastadas. Elas est&#227;o sempre circulando. <strong>H&#225; a migra&#231;&#227;o for&#231;ada do tr&#225;fico e depois uma migra&#231;&#227;o obrigada para conseguir melhores condi&#231;&#245;es de vida. Voc&#234; tem muita mudan&#231;a para condi&#231;&#245;es de trabalho do campo para a cidade: o &#234;xodo rural acontece porque precisavam e n&#227;o porque queriam. </strong>A cidade era um espa&#231;o para procurar mais oportunidades, como em S&#227;o Paulo e Rio de Janeiro. Voc&#234; circula e procura novas condi&#231;&#245;es, &#224;s vezes eram coisas como o tratamento, ou n&#227;o precisar dormir no trabalho.&nbsp;</p><h4>E nas cidades naquela &#233;poca, a cozinha do espa&#231;o p&#250;blico era um lugar de mais "autonomia e liberdade" (entre muitas aspas) do que o trabalho em uma cozinha privada?&nbsp;</h4><p>N&#227;o quero fazer coment&#225;rios generalistas. Muda de caso para caso. Entendendo as condi&#231;&#245;es de trabalho na cozinha naquele momento, era um ambiente insalubre, um trabalho considerado humilhante. Havia viol&#234;ncia f&#237;sica e sexual, era muito comum que elas fossem continuamente estupradas. Havia torturas de todo tipo, precisavam dormir no ch&#227;o da cozinha. Era a pior condi&#231;&#227;o dentro. Tem um relato em que uma mulher diz que a cozinha era onde ela colocava a escravizada de que n&#227;o gostava. A parte 1 da tese se chama "Cozinha n&#227;o era lugar de gente", porque se entendia que a cozinha era onde acontecia tudo de sujo.&nbsp;</p><p>Ao sair da cozinha dom&#233;stica para a cozinha no espa&#231;o p&#250;blico, voc&#234; poderia ficar com seus filhos, voc&#234; poderia ter um companheiro, visitar sua fam&#237;lia. Financeiramente, implicaria ter um tipo de renda melhor, al&#233;m de uma vida menos violenta e humilhante. Quando falo para n&#227;o generalizar, para n&#227;o entender a rua como espa&#231;o de liberdade e de tranquilidade total, &#233; porque a rua tamb&#233;m era espa&#231;o de viol&#234;ncia f&#237;sica e sexual. As mulheres que andavam na rua eram mal vistas. A rotina de trabalho era muito extensa tamb&#233;m.&nbsp;</p><p><strong>O trabalho na cozinha &#233; extremamente exaustivo em qualquer &#233;poca.</strong> &#192;s vezes, trabalhando na rua, voc&#234; consegue ter um espa&#231;o para deixar suas coisas, mas &#224;s vezes voc&#234; &#233; itinerante e tem que andar quil&#244;metros com comida e muita coisa apoiada na cabe&#231;a. Mas s&#243; de n&#227;o estar sob o jugo de algu&#233;m, de ser humilhada, de sofrer viol&#234;ncias f&#237;sicas e de correr o risco de n&#227;o receber a remunera&#231;&#227;o combinada j&#225; era um pouco menos pior.</p><p>Em "Di&#225;rio de Bitita", a Carolina Maria de Jesus mostra que tinha vontade de fruir de sua mocidade, mas ela n&#227;o tinha tempo. Era uma grande conquista para as mulheres negras ir ao baile. A dona Risoleta falava que chegava a passar seis meses sem ver a rua. S&#227;o muitas camadas, condi&#231;&#245;es de poder ser gente, viver minimamente a vida.&nbsp;</p><blockquote><h4>O que est&#225; colocado nas mem&#243;rias do in&#237;cio do s&#233;culo 20, dos bailes que as mulheres frequentavam &#8211; isso n&#227;o era realidade para as mulheres negras, que estavam confinadas e aprisionadas numa carga extenuante de trabalho. &#201; um trabalho que &#233; essencial para manter um cotidiano de classe m&#233;dia alta. E isso significa privar pessoas de serem pessoas.&nbsp;</h4></blockquote><p>Uma mulher negra em um trabalho extenuante e prec&#225;rio &#233; a condi&#231;&#227;o para manter a vida dessas pessoas brancas de classe m&#233;dia. Com a pandemia, &#233; ainda pior: h&#225; um aprofundamento de coisas que pareciam presas no passado e que agora v&#227;o retornar com toda for&#231;a. O projeto de n&#227;o garantir direitos b&#225;sicos &#233; um projeto para tornar isso realidade de novo. Essa condu&#231;&#227;o da pandemia da maneira como aconteceu &#233; um genoc&#237;dio de popula&#231;&#227;o negra e ind&#237;gena, de precariza&#231;&#227;o da vida e de aumento da desigualdade, de fazer as pessoas empobrecerem e assumirem essas fun&#231;&#245;es de novo, porque sempre h&#225; demanda para o trabalho dom&#233;stico.&nbsp;</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8sup!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9442561e-9e08-4f17-8ad3-56138b788cd0_1100x40.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8sup!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9442561e-9e08-4f17-8ad3-56138b788cd0_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8sup!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9442561e-9e08-4f17-8ad3-56138b788cd0_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8sup!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9442561e-9e08-4f17-8ad3-56138b788cd0_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8sup!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9442561e-9e08-4f17-8ad3-56138b788cd0_1100x40.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8sup!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9442561e-9e08-4f17-8ad3-56138b788cd0_1100x40.png" width="1100" height="40" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://bucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com/public/images/9442561e-9e08-4f17-8ad3-56138b788cd0_1100x40.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:40,&quot;width&quot;:1100,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8sup!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9442561e-9e08-4f17-8ad3-56138b788cd0_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8sup!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9442561e-9e08-4f17-8ad3-56138b788cd0_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8sup!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9442561e-9e08-4f17-8ad3-56138b788cd0_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8sup!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9442561e-9e08-4f17-8ad3-56138b788cd0_1100x40.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><p>Para ler artigos e conferir mais entrevistas da Ta&#237;s, confira <a href="https://twitter.com/taisando/status/1430283047765696514">essa thread no Twitter</a>.</p><div><hr></div><h4>ESCOLHA O QUE VOC&#202; QUER LER</h4><p>Para voc&#234; escolher quais se&#231;&#245;es da newsletter <strong>fogo baixo</strong> voc&#234; gostaria de receber na sua caixa de entrada, <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/account">clique aqui</a> e selecione as caixinhas que lhe interessam. 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Para receber todas as edi&#231;&#245;es, em portugu&#234;s e ingl&#234;s, marque todas as caixinhas, como na imagem abaixo:</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4Nk4!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0c881e85-5cad-4c99-aeda-19792bac3701_441x161.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4Nk4!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0c881e85-5cad-4c99-aeda-19792bac3701_441x161.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4Nk4!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0c881e85-5cad-4c99-aeda-19792bac3701_441x161.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4Nk4!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0c881e85-5cad-4c99-aeda-19792bac3701_441x161.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4Nk4!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0c881e85-5cad-4c99-aeda-19792bac3701_441x161.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4Nk4!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0c881e85-5cad-4c99-aeda-19792bac3701_441x161.png" width="441" height="161" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://bucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com/public/images/0c881e85-5cad-4c99-aeda-19792bac3701_441x161.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:161,&quot;width&quot;:441,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:19169,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4Nk4!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0c881e85-5cad-4c99-aeda-19792bac3701_441x161.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4Nk4!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0c881e85-5cad-4c99-aeda-19792bac3701_441x161.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4Nk4!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0c881e85-5cad-4c99-aeda-19792bac3701_441x161.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4Nk4!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0c881e85-5cad-4c99-aeda-19792bac3701_441x161.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><div><hr></div><h4>APOIE A FOGO BAIXO</h4><p>A newsletter fogo baixo &#233; uma iniciativa da jornalista <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/sobre-a-autora">Fl&#225;via Schiochet</a> financiada pelos seus leitores. 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Tentando se esconder debaixo da cama com a m&#227;e, o menino foi atingido depois de sete homens encapuzados terem atirado contra seu pai, que sobreviveu. Geovane da Silva Santos &#233; presidente da Associa&#231;&#227;o dos Agricultores Familiares de Engenho Roncadorzinho, no munic&#237;pio de Barreiros, em Pernambuco. Levou um tiro de rasp&#227;o no ombro, n&#227;o sabemos se por sorte ou por sadismo. Seu filho n&#227;o resistiu aos ferimentos ao chegar ao hospital.</p><p>A cidade de Barreiros &#233; min&#250;scula se comparada ao tamanho do Brasil e ao volume de comida que se produz diariamente em nosso territ&#243;rio. Em <a href="https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2022/02/13/entenda-o-conflito-agrario-em-area-onde-menino-de-9-anos-filho-de-lider-rural-foi-executado-entidades-cobram-apuracao-rigorosa.ghtml">reportagem do portal G1</a>, fala-se de uma disputa pelo terreno de 790 hectares pelas 70 fam&#237;lias de ex-trabalhadores da massa falida da Usina Santo Andr&#233;, que n&#227;o receberam seus direitos trabalhistas. Est&#227;o l&#225; h&#225; 40 anos. Ocorre que, h&#225; dez anos, o terreno foi arrendado (pelo pr&#243;prio Judici&#225;rio?) para a Agropecu&#225;ria Javari, que come&#231;ou a plantar cana-de-a&#231;&#250;car em monocultura. H&#225; pelo menos cinco anos come&#231;aram os conflitos: destrui&#231;&#227;o das lavouras dos agricultores familiares, o uso deliberado de agrot&#243;xico para contaminar a &#225;gua dessas fam&#237;lias e suas planta&#231;&#245;es.&nbsp;</p><p>O ass&#233;dio e as execu&#231;&#245;es no campo s&#227;o o retrato mais fiel do Brasil, do norte ao sul. Em <em><a href="https://amzn.to/3gM3Dr7">Vi&#250;vas da Terra</a></em>, o jornalista Kl&#233;ster Cavalcanti narra a hist&#243;ria de mulheres que perderam seus parceiros por lutas do campo e da floresta. Em <em><a href="https://amzn.to/3JjDkVA">Torto Arado</a></em>, a disputa por autonomia e autodetermina&#231;&#227;o da popula&#231;&#227;o quilombola aparece na trama de um jeito po&#233;tico primeiro e cru depois. Um &#233; jornalismo, o outro &#233; fic&#231;&#227;o. Ambos s&#227;o hist&#243;rias de verdade, que mostram de qu&#227;o longe vem a rotina de matar para desmobilizar. Para lembrar alguns nomes da regi&#227;o em que morreu o filho de Geovane, a Comiss&#227;o Pastoral da Terra Nordeste II mant&#233;m uma linha do tempo com o nome de todos os trabalhadores mortos por conflitos de terra de 1988 a 2016 <a href="https://www.cptne2.org.br/quem-somos/martires-da-terra">ao final desta p&#225;gina</a>.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gkED!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F723a7158-39f3-4495-81a8-cffdcd063d27_1100x40.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gkED!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F723a7158-39f3-4495-81a8-cffdcd063d27_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gkED!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F723a7158-39f3-4495-81a8-cffdcd063d27_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gkED!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F723a7158-39f3-4495-81a8-cffdcd063d27_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gkED!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F723a7158-39f3-4495-81a8-cffdcd063d27_1100x40.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gkED!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F723a7158-39f3-4495-81a8-cffdcd063d27_1100x40.png" width="1100" height="40" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://bucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com/public/images/723a7158-39f3-4495-81a8-cffdcd063d27_1100x40.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:40,&quot;width&quot;:1100,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gkED!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F723a7158-39f3-4495-81a8-cffdcd063d27_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gkED!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F723a7158-39f3-4495-81a8-cffdcd063d27_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gkED!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F723a7158-39f3-4495-81a8-cffdcd063d27_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gkED!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F723a7158-39f3-4495-81a8-cffdcd063d27_1100x40.png 1456w" sizes="100vw" fetchpriority="high"></picture><div></div></div></a></figure></div><p>Se ocupa&#231;&#245;es por direito, como &#233; o caso de Engenho Roncadorzinho, sofrem amea&#231;as diretas, a agricultura familiar "sem conflito de terra" (muitas aspas aqui) sofre outro tipo de cerco, tamb&#233;m debilitante para a soberania e seguran&#231;a nutricional e alimentar. S&#243; que essa &#233; limpinha e tem cara de legalidade. "Chamamos de 'aperto'", me contou Nayla Almeida, engenheira agr&#244;noma pela Universidade de S&#227;o Paulo (USP) e mestranda em Desenvolvimento Rural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que pesquisa mercados imersos. Conversamos no in&#237;cio de janeiro, por telefone e, provavelmente, enquanto voc&#234; l&#234; estas linhas, ela est&#225; prestes a defender sua disserta&#231;&#227;o.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!M2v-!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffa3aaff9-b946-4d17-820b-e5fc870f879d_769x896.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!M2v-!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffa3aaff9-b946-4d17-820b-e5fc870f879d_769x896.jpeg 424w, 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Foto: arquivo pessoal</figcaption></figure></div><p>Os pequenos agricultores costumam ter em sua propriedade uma diversidade de produ&#231;&#227;o, que pode ou n&#227;o ser comercializada. H&#225; um cultivo que pode ser predominante, vendido para as agroind&#250;strias, que vai pagar as contas, enquanto a ro&#231;a, &#224; parte, destina-se &#224; alimenta&#231;&#227;o da fam&#237;lia. Parece uma l&#243;gica sustent&#225;vel, se n&#227;o fosse cada vez mais comum que se pare de fazer sua pr&#243;pria ro&#231;a para aumentar a &#225;rea destinada ao cultivo comercial. No "aperto", as grandes ind&#250;strias pressionam economicamente esse pequeno produtor. "A remunera&#231;&#227;o fica menor, a demanda tamb&#233;m. Eles escanteiam o produtor e a produ&#231;&#227;o diversificada vai perdendo espa&#231;o. Nas &#225;reas rurais, os gastos com alimenta&#231;&#227;o est&#227;o muito altos, como mostra a <a href="https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101742.pdf">Pesquisa de Or&#231;amento Familiar</a>. Muito disso est&#225; ligado a essa press&#227;o, a uma situa&#231;&#227;o em que aquela propriedade est&#225; voltada para a produ&#231;&#227;o de uma mercadoria", disse.</p><p>&#201; a&#237; que entra a pesquisa de Nayla. O conceito de mercado imerso &#233; relativamente novo no Brasil, e se refere a canais de troca <em>imersos</em> em rela&#231;&#245;es sociais. Quem dita a din&#226;mica de um mercado imerso n&#227;o &#233; o produto, e sim os arranjos que configuram as trocas feitas nele.&nbsp;</p><p>"O mercado da soja pode acontecer em qualquer lugar do Brasil, porque tem tecnologia para isso. J&#225; o mercado imerso &#233; ligado a um contexto social e espacial espec&#237;ficos, constru&#237;dos por pessoas e ideias, e criados no espa&#231;o em que se desenvolveram", explica Nayla. Ou seja: a soja (e outras <em>commodities</em>) n&#227;o precisam ter uma rela&#231;&#227;o estabelecida entre territ&#243;rio, pessoas e o uso daquele produto.&nbsp;</p><p>Nunca &#233; demais lembrar que a soja, o milho, a cana-de-a&#231;&#250;car e demais produtos para exporta&#231;&#227;o cultivados em monocultura ou que cobrem grandes &#225;reas de uma pequena propriedade sempre est&#227;o tirando espa&#231;o para plantar alimento para a popula&#231;&#227;o do pa&#237;s. A terra &#233; finita, mas as bocas se multiplicam &#8211;&nbsp;somos 212,6 milh&#245;es de brasileiros &#8211;&nbsp; e a cont&#237;nua press&#227;o do agroneg&#243;cio para expandir campos de soja nos &#250;ltimos anos fez com que, em 2022, a <a href="https://mpabrasil.org.br/noticias/areas-plantadas-com-feijao-arroz-e-mandioca-no-brasil-em-2022-estao-entre-as-menores-de-serie-historica-da-conab-e-ibge/">&#225;rea plantada de arroz, feij&#227;o e mandioca seja a menor da s&#233;rie hist&#243;rica</a>. Vai faltar comida e os pre&#231;os desses produtos v&#227;o &#224;s alturas de novo.</p><p>No horizonte dos pesquisadores de mercados imersos est&#225; a ideia de ampliar a vis&#227;o da sociedade e governan&#231;a para a necessidade de a agricultura familiar ter acesso a outros espa&#231;os &#8211; vender na feira livre, para o centro de abastecimento ou para o supermercado s&#227;o canais dentro de um mercado imerso, mas n&#227;o podem ser os &#250;nicos.</p><p>"Tem de se viabilizar outro canal poss&#237;vel para a agricultura que n&#227;o seja s&#243; o mercado global. <strong>O agricultor n&#227;o pode ficar subordinado a um canal s&#243;. Ele precisa ter mais canais para ter autonomia no &#226;mbito da propriedade agr&#237;cola e poder escolher qual canal acessar</strong> dentro do espa&#231;o em que ele est&#225;", diz. Um &#250;nico caminho, como a venda de uma produ&#231;&#227;o agr&#237;cola para uma grande ind&#250;stria, &#233; deixar o agricultor nas m&#227;os do mercado, que n&#227;o olha para o todo, apenas para o produto. &#201; tamb&#233;m assim que acontece o "aperto".</p><p>As pol&#237;ticas p&#250;blicas como o Programa de Aquisi&#231;&#227;o de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimenta&#231;&#227;o Escolar (PNAE) garantiam canais extras (e vendas m&#237;nimas garantidas) aos agricultores familiares, e faziam com que eles tivessem diversidade de cultivo para abastecer escolas, hospitais, asilos, restaurantes populares, penitenci&#225;rias, estoques p&#250;blicos e demais aparatos. A vis&#227;o da pol&#237;tica p&#250;blica era nacional, mas acontecia de maneira territorial. Com a diversidade de produ&#231;&#227;o, a qualidade da alimenta&#231;&#227;o de todos os envolvidos aumenta &#8211;&nbsp;do agricultor e demais cidad&#227;os &#8211;, e o pre&#231;o da comida fica dentro do &#8220;pag&#225;vel&#8221; para todos.</p><p>H&#225; quem diga que o cultivo de frutas, cereais, leguminosas, hortali&#231;as, e produ&#231;&#227;o de carnes, latic&#237;nios e ovos da agricultura familiar &#233; pouco, mas &#233; somando quilos que se chegam &#224;s toneladas.</p><p>Um aumento de safra de <em>commodity</em> garante uma balan&#231;a comercial positiva? Sim. Mas o dinheiro proveniente da exporta&#231;&#227;o desses produtos mal entra nos cofres p&#250;blicos: o<a href="https://ojoioeotrigo.com.br/2021/10/os-numeros-mostram-agronegocio-recebe-muitos-recursos-e-contribui-pouco-para-o-pais/"> imposto pago pelo agroneg&#243;cio &#233; &#237;nfimo</a>, enquanto os valores em isen&#231;&#227;o fiscal e incentivo s&#227;o vultuosos. Usar o imposto que entra pela exporta&#231;&#227;o de commodity &#233; insuficiente para importar alimentos de outros pa&#237;ses, que vendem em d&#243;lar. <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/1-logistica?r=ac3jf">Como eu j&#225; disse antes</a>, &#233; o caminho mais longo da m&#227;o &#224; boca. Balan&#231;a comercial n&#227;o &#233; o &#250;nico indicativo da sa&#250;de de um pa&#237;s, muito menos em um pa&#237;s em que <a href="https://diplomatique.org.br/ultraprocessados-ultraesfomeados-e-o-sistema-agroalimentar-moderno/">agroneg&#243;cio e produtos ultraprocessados andam lado a lado</a>.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gkED!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F723a7158-39f3-4495-81a8-cffdcd063d27_1100x40.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gkED!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F723a7158-39f3-4495-81a8-cffdcd063d27_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gkED!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F723a7158-39f3-4495-81a8-cffdcd063d27_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gkED!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F723a7158-39f3-4495-81a8-cffdcd063d27_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gkED!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F723a7158-39f3-4495-81a8-cffdcd063d27_1100x40.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gkED!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F723a7158-39f3-4495-81a8-cffdcd063d27_1100x40.png" width="1100" height="40" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://bucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com/public/images/723a7158-39f3-4495-81a8-cffdcd063d27_1100x40.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:40,&quot;width&quot;:1100,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gkED!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F723a7158-39f3-4495-81a8-cffdcd063d27_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gkED!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F723a7158-39f3-4495-81a8-cffdcd063d27_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gkED!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F723a7158-39f3-4495-81a8-cffdcd063d27_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gkED!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F723a7158-39f3-4495-81a8-cffdcd063d27_1100x40.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><p>Nayla trabalhou com extens&#227;o rural voltada &#224; agricultura familiar em vez de grandes mercados, como &#233; de praxe nas faculdades de Agronomia. O grupo do qual fez parte auxiliava os agricultores com documenta&#231;&#227;o e intermediava contato com as prefeituras.<strong> "Vi que tinha muita coisa a compreender na agricultura familiar para al&#233;m de olhar os circuitos curtos"</strong>, relembra. "Cada lugar ter&#225; uma din&#226;mica espec&#237;fica de acordo com dispositivos governamentais e institucionais. Olhar para o mercado permite entender o agricultor dentro dessa din&#226;mica de compra e venda de produtos alimentares. At&#233; que ponto as rela&#231;&#245;es sociais permitem moldar um mercado favor&#225;vel para o agricultor, para que sejam melhor remunerados?", questiona.</p><p>Escrevi para a Nayla Almeida ap&#243;s ler <a href="https://abori.com.br/artigos/mercados-imersos-os-verdadeiros-supermercados/">seu artigo na Ag&#234;ncia Bori</a> sobre mercados imersos, em que grifei o seguinte trecho:</p><blockquote><p><em>&#201; claro que os sistemas alimentares globais continuar&#227;o existindo. O fluxo de alimentos continuar&#225; inundando os supermercados com mais do mesmo, com centenas de novos produtos aparentemente diversos. Mas, ao mesmo tempo e eventualmente num mesmo lugar, existem outros arranjos mercadol&#243;gicos poss&#237;veis: os mercados imersos podem ser op&#231;&#245;es de abastecimento para al&#233;m dos supermercados convencionais, enquanto estruturas centralizadoras do valor produzido por milhares de agricultores e agricultoras.</em></p></blockquote><p>A entrevista foi editada e organizada para melhor entendimento.</p><h4>Durante a pesquisa, houve algo que te surpreendeu?</h4><p>Eu trabalho na ideia de mercados territoriais, que s&#227;o trocas econ&#244;micas situadas num espa&#231;o, mas com caracter&#237;sticas como tradi&#231;&#245;es culturais, valores culturais, mecanismos de trocas econ&#244;micas espec&#237;ficas de lugares. Fui estudar a manga Ub&#225; em Minas Gerais, na cidade de Ub&#225;. &#201; uma variedade que n&#227;o tem padr&#245;es de mercado que vemos por a&#237;: ela &#233; pequena, muito amarela, muito fiapenta, muito doce. Tem uma festa tradicional, um doce tradicional chamado mangada. Os habitantes locais preferem essa manga &#224; outra. O mercado da manga Ub&#225; emerge desse territ&#243;rio. Voc&#234; vai ter esse produto na feira, nas casas das doceiras (que nem vendem no mercado), e existiu at&#233; um<a href="http://www.ipatrimonio.org/uba-manga-uba/#!/map=38329&amp;loc=-21.12151900000001,-42.937024,17"> processo de patrimonializa&#231;&#227;o por parte da prefeitura</a>.</p><p>Houve um movimento de agroind&#250;stria grande que se estabeleceu na regi&#227;o para comprar essa manga, porque ela &#233; t&#227;o doce que diminui a quantidade de a&#231;&#250;car para ado&#231;ar o suco. A ind&#250;stria mistura a manga Ub&#225; com outra manga para produzir esse suco. Nisso, a especificidade da manga se perde.&nbsp;</p><p>Os agricultores da regi&#227;o de Ub&#225; s&#227;o muito independentes, n&#227;o t&#234;m cooperativa e a assist&#234;ncia da Emater &#233; insuficiente para atend&#234;-los. [Desenvolver as especificidades deste mercado da manga Ub&#225;] Poderia trazer benef&#237;cios &#224; regi&#227;o que ainda est&#227;o latentes. Desse jeito, a demanda est&#225; atrelada e subordinada a um mercado global de sucos concentrados. Poderia ter, por exemplo, uma linha de cr&#233;dito para cooperativa, uma pol&#237;tica p&#250;blica que olhasse para a produ&#231;&#227;o de manga. Esse &#233; s&#243; o exemplo de uma situa&#231;&#227;o, mas tem v&#225;rios produtos espec&#237;ficos no Brasil que se baseiam em rela&#231;&#245;es sociais. <strong>N&#227;o &#233; s&#243; o mercado global pela lei da oferta e da demanda que vai reger as trocas econ&#244;micas.</strong> H&#225; muita troca de produto pela manga Ub&#225;, tem agricultor que doa a manga para as doceiras fazerem mangada. &#201; uma din&#226;mica territorial muito particular.&nbsp;</p><h4>Voc&#234; pesquisa agricultura familiar. Nesse momento, muitos de n&#243;s conseguem apenas dizer que tudo est&#225; desmontado. Voc&#234; poderia exemplificar o que significa esse desmanche do PAA e Conselho Nacional de Seguran&#231;a Alimentar e Nutricional (CONSEA), direta e indiretamente?&nbsp;</h4><p>Especificamente do PAA, h&#225; uma piora na qualidade dos alimentos fornecidos em escolas e hospitais. Sempre h&#225; cr&#237;ticas, porque era um pre&#231;o baixo, mas era venda garantida. Era um canal que n&#227;o existe mais. Essa produ&#231;&#227;o, o agricultor tenta destinar para outro canal ou deixar de produzir porque n&#227;o tem demanda. Ele inclusive pode vender mais barato do que seria para o PAA ou perder essa produ&#231;&#227;o.&nbsp;</p><blockquote><h4>O CONSEA era o principal lugar para debate sobre seguran&#231;a alimentar. Se estivesse atuante, teria pesquisadores para assessorar o governo federal e trazer esses dados para pensar pol&#237;ticas p&#250;blicas. Como n&#227;o existe mais esse intermedi&#225;rio entre a sociedade civil e o poder p&#250;blico, cortou-se o elo de pensar pol&#237;ticas p&#250;blicas que tenham a ver com a realidade.&nbsp;</h4></blockquote><p>A libera&#231;&#227;o de agrot&#243;xicos no Brasil e os n&#237;veis de agrot&#243;xicos, que est&#227;o fora do aceit&#225;vel, era o CONSEA que debatia. No PNAE, por exemplo, em que 30% da alimenta&#231;&#227;o escolar deveria ser proveniente da agricultura familiar, quando havia alguma irregularidade e percal&#231;os, era no conselho municipal que se resolvia isso. </p><p>O PAA tamb&#233;m tinha o papel de regular pre&#231;o pela compra de alimentos para manter em estoque p&#250;blico. Um resultado vis&#237;vel foi o <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/2-fragmento?r=ac3jf">pre&#231;o do arroz</a>, tanto por quest&#245;es agron&#244;micas e por consumirmos mais do que produzimos. Quando o estoque de alimentos ficou menor, n&#227;o tinha mais arroz [em estoque p&#250;blico para ser colocado no mercado] para regular o pre&#231;o, e tivemos que importar do Uruguai. Quem lucrou com isso foram tr&#234;s ind&#250;strias de arroz que tem no Brasil.&nbsp;</p><h4>Quando voc&#234; fala de mercados imersos, a din&#226;mica que o organiza &#233; pela demanda? Ou demandas, considerando diferentes grupos consumidores?</h4><p>O mercado imerso &#233; uma institui&#231;&#227;o social, e nem sempre entra na l&#243;gica da remunera&#231;&#227;o, porque n&#227;o tem no&#231;&#227;o de ganho. &#201; reciprocidade, s&#227;o trocas mesmo. O agricultor tem um p&#233; de manga abundante, n&#227;o vai fazer falta para ele se ele doar. Tem casos de doa&#231;&#227;o de lenha para as doceiras fazerem o doce no tacho. Essas for&#231;as sociais d&#227;o coes&#227;o &#224; popula&#231;&#227;o local e estruturam essa sociedade. &#201; isso que d&#225; a liga do territ&#243;rio e permeia as trocas econ&#244;micas.&nbsp;</p><p>Em todos os arranjos de comercializa&#231;&#227;o que s&#227;o informais, &#233; muito mais f&#225;cil de ver essas din&#226;micas. Chamamos de informal s&#243; porque n&#227;o tem prazo, contrato, porque tem menos media&#231;&#227;o por institui&#231;&#245;es, e n&#227;o &#233; s&#243; o pre&#231;o que media a troca.</p><p>O PAA &#233; um mercado que n&#227;o &#233; territorial, mas muitas vezes acontece a n&#237;vel de territ&#243;rio nacional. Tinha a modalidade de doa&#231;&#227;o simult&#226;nea, a compra institucional para escolas e hospitais e para institui&#231;&#245;es de caridade. Isso &#233; um mercado formal, mas tem uma atua&#231;&#227;o em n&#237;vel territorial.&nbsp;</p><p>Uma pol&#237;tica p&#250;blica como o PAA era a conex&#227;o entre a produ&#231;&#227;o agr&#237;cola e a popula&#231;&#227;o em vulnerabilidade alimentar. Se tiv&#233;ssemos uma pol&#237;tica p&#250;blica que mostrasse a liga&#231;&#227;o entre a terra e o territ&#243;rio &#224; comercializa&#231;&#227;o desses produtos, que mostrasse como essa terra foi adquirida, como &#233; o caso do selo da reforma agr&#225;ria do Movimento Sem Terra (MST), talvez esse fato saltasse aos olhos: de que <strong>a comida n&#227;o vem do v&#225;cuo, ela vem de um trabalho na terra. H&#225; pomares [de manga Ub&#225;] que est&#227;o sendo&nbsp;reduzidos para plantarem goiaba, por exemplo. &#201; uma terra em disputa.&nbsp;</strong></p><p>A gente se refere a essa situa&#231;&#227;o como aperto e press&#227;o econ&#244;mica. A remunera&#231;&#227;o fica menor, a demanda tamb&#233;m. Eles escanteiam o produtor e a produ&#231;&#227;o diversificada vai perdendo espa&#231;o.</p><h4>Os mercados imersos t&#234;m a ver com preservar os modos tradicionais de comer?&nbsp;</h4><p>N&#227;o necessariamente. Voc&#234; pode estar tratando de produtos convencionais tamb&#233;m. A peculiaridade desses mercados imersos engloba arranjos sociais e trocas econ&#244;micas. Dentro dessas trocas tem reciprocidade, troca monet&#225;ria, doa&#231;&#227;o&#8230; s&#227;o diversas as trocas, n&#227;o se d&#225; s&#243; no &#226;mbito da monetiza&#231;&#227;o.&nbsp;</p><p>A produ&#231;&#227;o de leite por exemplo: pode fornecer para uma grande marca, mas tamb&#233;m o pecuarista vai disponibilizar uma quantidade para uma pessoa fazer queijo. Isso &#233; um mercado imerso, mas n&#227;o tem a ver com um modo tradicional de comer. Dentro disso, pode haver tamb&#233;m modos tradicionais de comer.&nbsp;</p><p>Apenas alguns pesquisadores est&#227;o discutindo esse assunto de mercado imerso no Brasil. Mas a FAO [Organiza&#231;&#227;o das Na&#231;&#245;es Unidas para a Alimenta&#231;&#227;o e a Agricultura] j&#225; usa o termo mercado territorial. No Brasil, o debate &#233; iniciante, mas j&#225; vem da ideia de circuitos curtos.&nbsp;</p><h4>H&#225; como recuperar a pot&#234;ncia do PAA?</h4><p>N&#227;o tenho tanta familiaridade no assunto do PAA, ele foi desmontado em 2016/17. As cr&#237;ticas e problemas foram surgindo com a <a href="https://acervodigital.ufpr.br/handle/1884/56541">Opera&#231;&#227;o Agro-fantasma</a>, em que havia a den&#250;ncia de cooperativas com notas fiscais superfaturadas. Eram coisas burocr&#225;ticas. Como o PAA &#233; uma pol&#237;tica p&#250;blica estruturante, ela devia ter um acompanhamento mais pr&#243;ximo.&nbsp;</p><blockquote><h4>O PAA funcionava bem apesar dos percal&#231;os. Era uma din&#226;mica de n&#227;o s&#243; comprar alimentos, mas fazia com que as propriedades agr&#237;colas se organizassem de uma maneira completamente diferente.</h4></blockquote><p>Os agricultores precisavam de uma assist&#234;ncia maior em pap&#233;is e outras coisas, precisaria de um recurso humano para dar conta dessas demandas e d&#250;vidas. Mas depois que estava tudo certo, com apoio e direcionamento, eles conseguiam comprar equipamento, como uma agricultora que comprou uma m&#225;quina de v&#225;cuo para embalar mandioca. <strong>Plantar o pessoal sabe, a quest&#227;o &#233; essa interlocu&#231;&#227;o com a prefeitura e outros &#243;rg&#227;os.&nbsp;</strong></p><h4>Como a extens&#227;o rural pode estar presente nesse setor de pequenos agricultores?&nbsp;</h4><p>Do que eu vi, em dois anos, e hoje o que vejo na minha &#225;rea de pesquisa de campo, &#233; que temos pouqu&#237;ssimos funcion&#225;rios de extens&#227;o rural por regi&#227;o. <strong>As Emater [Instituto de Assist&#234;ncia T&#233;cnica e Extens&#227;o Rural] s&#227;o &#243;rg&#227;os que precisam de recursos humanos e financeiros para dar conta da demanda.</strong> Os agricultores participam de diversos mercados. Ele pode produzir soja, e a&#237; precisa de uma variedade bem produtiva e de indica&#231;&#227;o de agrot&#243;xicos. Mas ele tamb&#233;m vai produzir outras coisas, para outro consumo. Pode produzir hort&#237;colas para o mercado local, e a&#237; precisar de assist&#234;ncia para saber como encontrar esse mercado, onde ele vai fazer feira. Quando tem uma fam&#237;lia morando na propriedade, ela tem mais diversidade, e isso &#233; maior no cooperativismo. Eles contratam um extensionista para a parte de documenta&#231;&#227;o.</p><p>Todas as falas dos agricultores falam sobre ter muito trabalho de m&#227;o de obra e que acabam vendendo para Ceasa ou para a agroind&#250;stria, e n&#227;o para um mercado que pague por esse valor agregado.</p><p>Por exemplo, os caf&#233;s especiais exigem um investimento alto, al&#233;m de embalagem e de saber para onde vai vender esse produto de valor agregado. O agricultor tem que estar disposto &#224;s m&#250;ltiplas fun&#231;&#245;es, dedicar mais tempo para encontrar o mercado que vai pagar por esse caf&#233;. E esses produtos especiais s&#243; se sustentam porque aquele produto em espec&#237;fico &#233; um de uma s&#233;rie de outros que esse agricultor produz. Sempre h&#225; algum n&#237;vel de diversidade de produ&#231;&#227;o nas propriedades.&nbsp;Se n&#227;o, eles n&#227;o continuariam [a produzir algo especial].&nbsp;</p><p>H&#225; defasagem de recursos humanos e financeiros. &#201; muito mais f&#225;cil ter grande parte da produ&#231;&#227;o voltada para soja, arroz ou <a href="https://apublica.org/2022/01/de-modelo-internacional-a-extincao-como-morre-uma-politica-publica/">fumo</a>, porque &#233; um mercado com documenta&#231;&#227;o padr&#227;o. </p><p>As plataformas digitais est&#227;o vindo muito forte, e novos arranjos v&#227;o ser uma realidade muito em breve. Seria interessante que se fomentasse isso, um site que congregasse para o munic&#237;pio todos os canais de escoamento poss&#237;veis para o agricultor familiar. Na minha pesquisa n&#227;o teve esse gr&#225;fico-esquema de cada produtor e consumidores, mas a <a href="https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/232595">Zenicl&#233;ia Deggeroni</a> defendeu a tese dela em dezembro de 2021 e fez [uma tabela com as tipologias de mercado baseadas em <a href="https://www.researchgate.net/figure/Figura-2-Mercados-de-oferta-e-demanda-acessados-por-agricultores-Fonte-Elaborado-pelo_fig2_309202008">S&#233;rgio Schneider</a>].</p><h4>Os centros de abastecimento podem ser entendidos como um canal para garantir a seguran&#231;a alimentar?</h4><p>A g&#234;nese do supermercado &#233; privada. Faz &#233;poca de promo&#231;&#227;o, segura produtos, etc. J&#225; os mecanismos governamentais t&#234;m um lado mais social. A Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) dita o pre&#231;o dos alimentos b&#225;sicos e praticados pela CEASA. Depende de um contexto territorial, porque &#233; uma central de abastecimento. A partir dele, mercadinhos, feiras e outros v&#227;o se abastecer nessas centrais por conta da disponibilidade e do pre&#231;o. E muitos [CEASA] t&#234;m um setor com doa&#231;&#227;o de alimentos. Eles doam para escolas e institui&#231;&#245;es. Os CEASA s&#227;o essenciais no sentido de garantir o abastecimento de alimentos. A CONAB n&#227;o tem mais isso: agora as compras s&#227;o de menor volume, e antes escoavam pelo CEASA esse volume comprado para equilibrar o pre&#231;o. Esses organismos t&#234;m uma import&#226;ncia na seguran&#231;a alimentar e na centraliza&#231;&#227;o de alimentos de uma regi&#227;o e de distribu&#237;-los.</p><h4>O que me traz a uma quest&#227;o que eu gostaria de saber se faz sentido: n&#227;o &#233; s&#243; comprar na feira que garante a exist&#234;ncia da agricultura familiar.</h4><p>N&#227;o. Tem feira org&#226;nica, tem lojas colaborativas, o Instituto Ch&#227;o e o Instituto Feira Livre s&#227;o muito bons, mas a cr&#237;tica principal &#233; que se situam sempre nos bairros de alto poder aquisitivo. E nas periferias, o que tem? Os supermercados de grandes redes, feiras distantes dos adensamentos populacionais. V&#234;-se muita loja de a&#231;a&#237;, por exemplo, minimercados. &#201; um fen&#244;meno muito recorrente. Quero estudar esse fen&#244;meno do sistema alimentar de um grande centro urbano.&nbsp;</p><blockquote><h4>A exist&#234;ncia de feiras na periferia &#233; muito rara e prevalecem os produtos industrializados. Quando voc&#234; v&#234; isso, come&#231;a a pensar de forma diferente. O org&#226;nico n&#227;o &#233; uma prioridade nesse contexto, a quest&#227;o &#233; muito mais embaixo.&nbsp;</h4></blockquote><p>Sempre haver&#225; algu&#233;m para preencher lacunas. A Funda&#231;&#227;o Get&#250;lio Vargas fez uma plataforma que liga os mercadinhos aos consumidores. O que a gente gostaria era que fosse o Estado dando esse suporte.</p><h4>Neste momento de uma alimenta&#231;&#227;o altamente individualizada nos grandes centros urbanos e com base em dietas espec&#237;ficas a qual se atribuem valores diferentes para alimentos (ex: pessoas que acham que &#233; mais saud&#225;vel comer macarr&#227;o sem gl&#250;ten do que comer feij&#227;o com arroz), o que se pode fazer para reconectar as pessoas com a comida local nas grandes cidades?</h4><p>&#201; bem complicado. Na Agronomia a gente discutia educa&#231;&#227;o ambiental. Quem pode discutir isso quando a maior parte tem defici&#234;ncia h&#237;drica e esgoto n&#227;o tratado? H&#225; alguns pesquisadores que trabalham esses temas falando de meio ambiente, mercado e alimenta&#231;&#227;o. Como falar isso no centro urbano? Sempre voltamos para aparatos p&#250;blicos.&nbsp;Penso nas hortas urbanas nas escolas, para todas as faixas et&#225;rias, para criar essa consci&#234;ncia do zero aos 17 anos, de que meio ambiente e alimenta&#231;&#227;o est&#227;o inteiramente ligados.&nbsp;</p><p>Para os adultos, fomentar o debate e relacionar a alimenta&#231;&#227;o com o meio ambiente, que &#233; algo coletivo. Se voc&#234; pode escolher, tamb&#233;m pode escolher como impactar o meio ambiente. Essa &#233; uma grande inquieta&#231;&#227;o minha. Eu fazia uns bicos na feira com os agricultores, e uma vez fui num condom&#237;nio de luxo com eles. Eles faziam a feira uma vez por semana l&#225;.&nbsp;</p><blockquote><h4>A maior preocupa&#231;&#227;o dessas pessoas [de condom&#237;nio de luxo] &#233; que o alimento n&#227;o tenha agrot&#243;xico. Como voc&#234; vai falar com essas pessoas sobre consci&#234;ncia ambiental se o pr&#243;prio modo de vida delas &#233; degradante e do qual n&#227;o sentem nenhuma consequ&#234;ncia?&nbsp;</h4></blockquote><div><hr></div><h4>APOIE A FOGO BAIXO</h4><p>Esta newsletter &#233; uma iniciativa da jornalista <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/sobre-a-autora">Fl&#225;via Schiochet</a> e financiada pelos seus leitores. Todos os ensaios, entrevistas e edi&#231;&#245;es extras estar&#227;o sempre dispon&#237;veis gratuitamente, e voc&#234; pode ler (ou reler) acessando <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/archive">o arquivo da newsletter</a>. Se voc&#234; gostou desse conte&#250;do, compartilhe:</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://flaviaschiochet.substack.com/p/entrevista-nayla-almeida?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Share&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/entrevista-nayla-almeida?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share"><span>Share</span></a></p><p>Caso este link tenha chegado a voc&#234; por um amigo, considere assinar a newsletter. Todo dia 15, uma entrevista no seu e-mail, e todo dia 30 ou 31, um ensaio jornal&#237;stico.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://flaviaschiochet.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe now&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://flaviaschiochet.substack.com/subscribe?"><span>Subscribe now</span></a></p><p>Para os apoiadores do <a href="https://email.mg2.substack.com/c/eJxdkMtuhCAUhp9mWBquigsW3fQ1CMJRSRUcLtPYpy-OqzYh3E4OP99nTYElplMdMRd0TbqcB6gA33mDUiChmiFp7xSnUlA5DKhtHZFCIp_1nAB24zdVUgV01Gnz1hQfw9XBJCVYoFU5Q4YB9yMf6UgIcCxn2U_CTWzgnDF2B5vqPAQLCl6QzhgAbWot5cgP9vGgn23Mm3l5k-3qo12hdLlOuRj71dm4t_J1tMlPgLyimBJCGcaYYCw62lGYCYgRjGCUcQZd4k_uK8CD432hf95CSbWo8OMht-pyAb6vG59u616DL6eGYKYN3I1eboNvGXqBAKmZddoURfrGe_1kECO_SS-bPWMCN5st18XWFdQ_ul9iDIqu">plano mensal (R$ 10) ou anual (R$ 100)</a>, h&#225; agradecimentos no rodap&#233; de todas as edi&#231;&#245;es, um desconto de 10% nos meus cursos e um encontro virtual mensal para discutir o tema mais recente tratado na newsletter.&nbsp;</p><p>O de fevereiro ser&#225; sobre precariza&#231;&#227;o do trabalho no setor de hospitalidade, por causa do ensaio<a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/7-preco-cafe-especial-valor-barista?r=ac3jf"> #7 | o pre&#231;o do caf&#233; especial e o valor do barista</a>. Ser&#225; na segunda, 21, das 17h &#224;s 18h30, e a cada m&#234;s eu mudarei o dia da semana e hor&#225;rio para que todos os apoiadores consigam participar pelo menos uma vez. Os convites para esse encontro ser&#227;o enviados no dia 18 de fevereiro. Ainda d&#225; tempo de entrar!</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[[entrevista: Tainá Marajoara] a gastronomia neoliberal e a tentativa de aniquilação da cultura alimentar]]></title><description><![CDATA["Essa cozinha contempor&#226;nea faz parte do &#225;pice do ultraliberalismo. A origem do ingrediente s&#243; &#233; interessante se for para o marketing", aponta a cozinheira, produtora cultural e ativista]]></description><link>https://flaviaschiochet.substack.com/p/entrevista-taina-marajoara</link><guid isPermaLink="false">https://flaviaschiochet.substack.com/p/entrevista-taina-marajoara</guid><dc:creator><![CDATA[Flávia Schiochet]]></dc:creator><pubDate>Sat, 15 Jan 2022 15:16:28 GMT</pubDate><enclosure url="https://bucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com/public/images/9ed8c32e-b6fa-4be3-a95f-5d273037ad22_852x569.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/interview-taina-marajoara">click here to read this piece in English</a></p><h6><strong>[&#9888;&#65039; aviso: esta edi&#231;&#227;o cont&#233;m links afiliados, o que significa que eu recebo uma pequena comiss&#227;o caso voc&#234; compre o livro indicado &#128579;]</strong></h6><p>Diferentes cosmogonias trazem a palavra como a respons&#225;vel pela cria&#231;&#227;o do mundo. Proferida por uma ou mais entidades, seu som &#233; a g&#234;nese da humanidade e do universo: aparece como o Verbo na B&#237;blia cat&#243;lica e como uma conversa entre Tepeu e Gucumatz no <em>Popol Vuh</em>, o Livro dos Conselhos maia, para citar os exemplos que est&#227;o frescos em minha mem&#243;ria ap&#243;s a leitura de <a href="https://amzn.to/3rfWm7R">O Mundo da Escrita</a>, de Martin Puchner.&nbsp;</p><p>Nas palavras divinas est&#227;o a express&#227;o de um desejo, a enuncia&#231;&#227;o de um decreto, a ordena&#231;&#227;o do mundo e a defini&#231;&#227;o das coisas ao nome&#225;-las. A boca como o portal da cria&#231;&#227;o tamb&#233;m est&#225; no <a href="https://www.sab-astro.org.br/wp-content/uploads/2017/03/SNEA2012_TCO20.pdf">mito original eg&#237;pcio</a> em que R&#225; cospe seu filho Shu, deus do ar, e regurgita sua filha, Tefnut, deusa da umidade. Para n&#243;s, meros mortais, a palavra &#233; continuidade &#8211;&nbsp;desde a fun&#231;&#227;o f&#225;tica da comunica&#231;&#227;o &#224; manuten&#231;&#227;o de tradi&#231;&#245;es e transmiss&#227;o de conhecimento nas culturas orais, ou na pretendida perman&#234;ncia dos registros escritos.&nbsp;</p><p>&#201; pelo discurso &#8211;&nbsp;a articula&#231;&#227;o de todas as linguagens, alfab&#233;ticas ou n&#227;o &#8211;&nbsp;que se encampam os maiores conflitos da hist&#243;ria recente; basta pensar no poder que as narrativas oficiais hist&#243;ricas ainda t&#234;m de esconder e suavizar os crimes coloniais. </p><p><strong>A boca gera, emite e cria; e tamb&#233;m tritura, absorve e homogeniza.</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ib95!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb865a59e-cf80-4848-9ce1-d843dd656ec8_1100x40.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ib95!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb865a59e-cf80-4848-9ce1-d843dd656ec8_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ib95!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb865a59e-cf80-4848-9ce1-d843dd656ec8_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ib95!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb865a59e-cf80-4848-9ce1-d843dd656ec8_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ib95!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb865a59e-cf80-4848-9ce1-d843dd656ec8_1100x40.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ib95!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb865a59e-cf80-4848-9ce1-d843dd656ec8_1100x40.png" width="1100" height="40" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://bucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com/public/images/b865a59e-cf80-4848-9ce1-d843dd656ec8_1100x40.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:40,&quot;width&quot;:1100,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ib95!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb865a59e-cf80-4848-9ce1-d843dd656ec8_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ib95!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb865a59e-cf80-4848-9ce1-d843dd656ec8_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ib95!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb865a59e-cf80-4848-9ce1-d843dd656ec8_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ib95!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb865a59e-cf80-4848-9ce1-d843dd656ec8_1100x40.png 1456w" sizes="100vw" fetchpriority="high"></picture><div></div></div></a></figure></div><p>Talvez eu goste tanto de entrevistas pelo peso que t&#234;m as palavras escritas e faladas; s&#227;o a mat&#233;ria-prima da entrevista. &#201; at&#233; poss&#237;vel escrever uma reportagem apenas observando algo em sil&#234;ncio, conferindo e cruzando informa&#231;&#245;es a partir de pesquisas em base de dados, em fontes prim&#225;rias, como documentos hist&#243;ricos, e referenciando trechos de publica&#231;&#245;es anteriores. A entrevista, n&#227;o. A entrevista requer uma conversa em que um pergunta, questiona ou levanta um tema para que o outro desenvolva um racioc&#237;nio, responda uma d&#250;vida ou analise o conjunto de dados e fatos. A din&#226;mica &#233; a de receber e devolver, e &#233; por isso que, no jarg&#227;o jornal&#237;stico, o tipo de entrevista que publico nesta newsletter &#233; chamada de ping-pong: porque ningu&#233;m consegue jogar&nbsp; sozinho.</p><p>Assim que entrevistei a <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/extra-entrevista-lourence-alves">Lourence Alves</a> em agosto e a ouvi falar sobre questionar os c&#226;nones euroc&#234;ntricos e dialogar com autores fora da epistemologia branca e colonial, lembrei das falas da Tain&#225; Marajoara, cujo trabalho acompanho desde 2015, ap&#243;s ler <a href="http://ebocalivre.blogspot.com/2015/03/uma-garota-do-barulho-quer-roubar-cena.html">essa entrevista</a> no finado blog e-Boca Livre do soci&#243;logo Carlos Alberto D&#243;ria.</p><p>Estive no Ponto de Cultura Alimentar <a href="http://instagram.com/iacitata_/">Iacitat&#225;</a>, em Bel&#233;m do Par&#225;, em 2019, quando tomei o caf&#233; descolonial: caf&#233;, suco do dia, bolo de cacau, beiju, p&#227;o de Abaet&#233; com queijo do Maraj&#243;, pasta de jambu, doce de cupua&#231;u, ovo mexido, mingau e castanhas. Fiz uma s&#233;rie de fotos dessa mesa montada e gravei uma entrevista em v&#237;deo com a cozinheira, produtora cultural e ativista, mas perdi todos os arquivos ao descarreg&#225;-los no computador da reda&#231;&#227;o.&nbsp;</p><p>Aquela foi a minha primeira conversa com a Tain&#225;, e ser&#225; dif&#237;cil de esquec&#234;-la: ao pedir ajuda &#224; ela para compor a descri&#231;&#227;o do queijo do Maraj&#243;, fiz uma compara&#231;&#227;o de sua textura com uma pasta cremosa de queijo muito popular no Brasil. Tain&#225; me respondeu uma sonora negativa, seguida de um breve serm&#227;o. O estrago que fiz pelas palavras: na tentativa de facilitar o entendimento para o leitor, acabei desmerecendo o queijo do Maraj&#243;, sua hist&#243;ria e o saber-fazer contido na sua produ&#231;&#227;o.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DLBW!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F709c38e8-c2f0-45bf-9aff-b67a898bd740_853x1280.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DLBW!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F709c38e8-c2f0-45bf-9aff-b67a898bd740_853x1280.jpeg 424w, 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Foto: <a href="https://www.instagram.com/nailanathiely/">Nailana Thiely</a>/Divulga&#231;&#227;o</figcaption></figure></div><p>A espontaneidade do improviso sempre revela nossa vis&#227;o de mundo e nossas refer&#234;ncias mais basais; no meu caso: sulista, branca e citadina, uma combina&#231;&#227;o de caracter&#237;sticas lidas como "neutra" no mundo atual. &#201; imposs&#237;vel que eu seja outra coisa que n&#227;o esta combina&#231;&#227;o, mas <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/6-comida-do-outro">a maneira como me coloco no mundo e fa&#231;o uso do lugar que ocupo pode ser diferente</a>. Eu poderia ter usado palavras melhores.</p><p>Pedi desculpas pela gafe e hoje uso essa historieta em aula como um exemplo do que n&#227;o fazer. "Eu n&#227;o me lembro dessa situa&#231;&#227;o especificamente, mas sempre ouvimos v&#225;rias compara&#231;&#245;es como essa, "ah, esse queijo &#233; como uma mu&#231;arela", ou que a canhapira &#233; "'uma feijoada", me disse Tain&#225; em 6 de janeiro de 2022. "&#201; um imperialismo alimentar, um n&#227;o-esfor&#231;o de ampliar o repert&#243;rio", completou.&nbsp;</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ib95!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb865a59e-cf80-4848-9ce1-d843dd656ec8_1100x40.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ib95!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb865a59e-cf80-4848-9ce1-d843dd656ec8_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ib95!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb865a59e-cf80-4848-9ce1-d843dd656ec8_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ib95!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb865a59e-cf80-4848-9ce1-d843dd656ec8_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ib95!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb865a59e-cf80-4848-9ce1-d843dd656ec8_1100x40.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ib95!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb865a59e-cf80-4848-9ce1-d843dd656ec8_1100x40.png" width="1100" height="40" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://bucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com/public/images/b865a59e-cf80-4848-9ce1-d843dd656ec8_1100x40.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:40,&quot;width&quot;:1100,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ib95!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb865a59e-cf80-4848-9ce1-d843dd656ec8_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ib95!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb865a59e-cf80-4848-9ce1-d843dd656ec8_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ib95!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb865a59e-cf80-4848-9ce1-d843dd656ec8_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ib95!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb865a59e-cf80-4848-9ce1-d843dd656ec8_1100x40.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><p>O <a href="https://www.brasildefato.com.br/2019/06/24/iacitata-mais-que-um-restaurante-um-ponto-de-cultura-alimentar">Instituto Iacitat&#225; foi criado em 2009</a> por Tain&#225; Marajoara e Carlos Ruffeil, em Bel&#233;m, mapeando ingredientes e preparos da Amaz&#244;nia e estabelecendo uma cadeia curta entre produtores de alimentos e consumidores. Em 2014, o Ponto de Cultura Alimentar Iacitat&#225; abriu as portas para o p&#250;blico no casar&#227;o antigo do bairro Cidade Velha, em que se pode tomar um caf&#233; da manh&#227;, almo&#231;ar, e comprar alimentos, ingredientes e utens&#237;lios produzidos por comunidades amaz&#244;nicas e assentamentos do Movimento Sem Terra (MST). H&#225; mais de uma d&#233;cada, ela constr&#243;i conhecimento junto dos seus, articula debates, prop&#245;e (com toda a pot&#234;ncia do verbo propor) a&#231;&#245;es concretas, e se coloca no corpo a corpo da pol&#237;tica institucional.&nbsp;</p><p>&#201; m&#233;rito de Tain&#225; que a cultura alimentar tenha sido inclu&#237;da na Confer&#234;ncia Nacional de Cultura, em 2013, um entendimento institucional in&#233;dito que afirmou a cultura alimentar como uma express&#227;o cultural brasileira; e que os espa&#231;os de base comunit&#225;ria, agroecol&#243;gica e de culturas origin&#225;rias, tradicionais e populares fossem contempladas pela <a href="https://conferenciassan.org.br/o-que-e-cultura-alimentar-na-lei-aldir-blanc/">Lei Aldir Blanc</a>, sancionada em 2020 (artigo oitavo, item XXIV), uma a&#231;&#227;o emergencial de aux&#237;lio ao setor cultural brasileiro.</p><p>"Ainda que a gente tenha um di&#225;logo com o N&#250;cleo de Hist&#243;ria Oral da Universidade de S&#227;o Paulo, n&#243;s chegamos nesse conceito a partir da escuta com os antigos no Cachoeira do Arari, no Maraj&#243;. Eu fui ouvir o que nossos velhos tinham a dizer para fazer essa incid&#234;ncia acad&#234;mica", diz. Tain&#225; mant&#233;m o "moqu&#233;m aceso" h&#225; anos, continuando o trabalho de resist&#234;ncia e luta de v&#225;rios povos, ainda que muita gente tenha se deparado com algumas quest&#245;es como soberania alimentar e alimenta&#231;&#227;o como direitos humanos mais recentemente, com a guinada destrutiva do governo Bolsonaro.</p><p>Existe uma inten&#231;&#227;o muito clara no governo Bolsonaro de exterminar a multiplicidade de formas de viver e de express&#245;es culturais &#8211; n&#227;o que essa inten&#231;&#227;o n&#227;o existisse antes. Mas estes est&#227;o sendo os piores anos da &#250;ltima d&#233;cada para promover o epistemic&#237;dio, ou seja, o apagamento das formas de entender e de estar no mundo que fogem do ide&#225;rio ocidental neoliberal. "&#201; mais que um apagamento, &#233; aniquila&#231;&#227;o. &#201; para n&#227;o deixar rastro de sua forma de sobreviv&#234;ncia, nem de seu conhecimento", define Tain&#225;.&nbsp;</p><p>Com a intensifica&#231;&#227;o da agenda do agroneg&#243;cio no congresso, 2021 foi o ano em vimos nos grandes jornais e portais not&#237;cias sobre a presen&#231;a da l&#237;der ind&#237;gena <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-11-09/txai-surui-destaque-da-cop26-vivo-sob-clima-de-ameacas-desde-que-me-conheco-por-gente.html">Txai Suru&#237; na COP26</a> e o acampamento de povos ind&#237;genas em Bras&#237;lia <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-08-25/terras-indigenas-nao-comprometem-areas-disponiveis-e-producao-agropecuaria.html">contra o marco temporal</a>. Toda intensifica&#231;&#227;o aumenta o contraste e parece que s&#243; assim, no fim da trilha, &#233; que se permite ouvir o grito do lado atacado.&nbsp;</p><p>No in&#237;cio da pandemia causada pelo Sars-Cov-2, Ailton Krenak disse: <a href="https://www.geledes.org.br/somos-indios-resistimos-ha-500-anos-fico-preocupado-e-se-os-brancos-vao-resistir/">"Somos &#237;ndios, resistimos h&#225; 500 anos. Fico preocupado &#233; se os brancos v&#227;o resistir"</a>. Imagino o qu&#227;o cansativo &#233; manter sua cultura viva por 500 anos quando todo o aparato institucional criado nesse intervalo de tempo trabalha para eliminar cada s&#237;mbolo e cada cent&#237;metro de terra.</p><p>Tain&#225; Marajoara conversou comigo por telefone por aproximadamente uma hora, quando provavelmente repetiu pela en&#233;sima vez o que ela e tantos outros ativistas de grupos minorizados na pol&#237;tica institucional est&#227;o falando h&#225; s&#233;culos. Abaixo a transcri&#231;&#227;o de nossa entrevista, editada e organizada para sua melhor compreens&#227;o:&nbsp;</p><h4><strong>O Ponto de Cultura Alimentar Iacitat&#225; &#233; um exemplo na articula&#231;&#227;o de cadeia curta, que promove os alimentos da regi&#227;o para um p&#250;blico da regi&#227;o. Quais foram as transforma&#231;&#245;es percebidas ao longo dos anos?&nbsp;</strong></h4><p>O primeiro avan&#231;o significativo &#233; quanto &#224; conscientiza&#231;&#227;o pela garantia de direito e abertura de mercados. Existia (e j&#225; foi pior, ainda existe) um preconceito da comida vinda da agricultura familiar. <strong>Existe um racismo na alimenta&#231;&#227;o: "n&#227;o vou comer comida de preto, de pobre, de &#237;ndio"</strong>. <strong>A cozinha necessita ser antirracista para ser de fato transformadora. </strong>Esse posicionamento interfere diretamente na pr&#225;tica de consumo. Tamb&#233;m h&#225; coisas muito pejorativas que fazem parte desse conjunto de preconceito, como achar que &#233; sujo, que n&#227;o presta, que tem verme. A transforma&#231;&#227;o desse consumidor a partir dessa consci&#234;ncia, que vem muitas vezes por ter algu&#233;m doente na fam&#237;lia, abriu espa&#231;os de com&#233;rcio e de comercializa&#231;&#227;o. A gente vai abrindo espa&#231;os pol&#237;ticos a partir da consci&#234;ncia, pol&#237;ticas estruturantes para que essas popula&#231;&#245;es tenham dignidade. Para que a gente possa rumar para o bem viver.&nbsp;</p><h4><strong>A discuss&#227;o sobre soberania e cultura alimentar est&#225; diretamente ligada &#224; quest&#227;o da propriedade de terras, e o Brasil nunca teve uma pol&#237;tica p&#250;blica forte em demarca&#231;&#227;o de terras ind&#237;genas e demais reconhecimentos territoriais, como para quilombolas. Em rela&#231;&#227;o &#224; cultura alimentar, h&#225; um trabalho de registro de saberes pelo Instituto do Patrim&#244;nio Hist&#243;rico e Art&#237;stico Nacional (Iphan), talvez a pol&#237;tica p&#250;blica com uma vis&#227;o mais completa para manter tradi&#231;&#245;es culturais, que inclui a no&#231;&#227;o de territ&#243;rio. Na sua avalia&#231;&#227;o, temos como trabalhar com as pol&#237;ticas p&#250;blicas que sobraram nesse governo ou estamos em situa&#231;&#227;o de terra arrasada?</strong></h4><p>Existem as duas coisas. Existe terra arrasada com a destrui&#231;&#227;o do Minist&#233;rio da Cultura, do Conselho Nacional de Seguran&#231;a Alimentar e Nutricional (Consea), do Minist&#233;rio de Desenvolvimento Social e do Minist&#233;rio de Desenvolvimento Agr&#225;rio e das pol&#237;ticas p&#250;blicas de combate &#224; fome. &#201; uma realidade de terra arrasada. E junto com essa estrutura de governo, caem muitas pol&#237;ticas que, ainda que ruins, tinham algum significado, como era o caso de di&#225;logos nacionais e internacionais sobre diversidade cultural. O Brasil saiu de grupos e discuss&#245;es que criavam uma salvaguarda cultural e ambiental. Tem alguns m&#233;todos que promovem a salvaguarda, mas h&#225; tamb&#233;m a criminaliza&#231;&#227;o de certos processos n&#227;o reconhecidos pela Ag&#234;ncia Nacional de Vigil&#226;ncia Sanit&#225;ria (Anvisa) que faz com que n&#227;o possam ser salvaguardados. O entendimento do que &#233; cultura alimentar e seu papel para o pa&#237;s e para o mundo precisa chegar ao momento contempor&#226;neo. Precisa sair da cabe&#231;a subalternizada pelo colonialismo para poder chegar no tempo de agora, que &#233; um mundo arrasado pelas mudan&#231;as clim&#225;ticas e colapso ambiental.&nbsp;</p><blockquote><h4>Em Bel&#233;m choveu granizo &#224;s 14h. O Pantanal pegou fogo. O Par&#225; est&#225; batendo recorde mais uma vez de desmatamento e chegando a temperaturas muito altas. S&#227;o Paulo escurecendo &#224;s 15h. E se fala de uma agenda de futuro. O futuro &#233; uma inven&#231;&#227;o para protelar o que &#233; para ser feito hoje. </h4></blockquote><p>Quando os povos ind&#237;genas plantam o bacuri, est&#227;o plantando agora para que outras gera&#231;&#245;es comam. N&#227;o &#233; para 2030. &#201; para agora. A necessidade de sobreviver &#233; agora, para que se consiga manter a vida mais tarde.&nbsp;</p><p><strong>Com a destrui&#231;&#227;o das culturas alimentares, os povos passam fome</strong>. E isso &#233; proposital. A fome gerada no campo e no meio da Amaz&#244;nia &#233; uma t&#225;tica de destrui&#231;&#227;o dos povos da Amaz&#244;nia. A Amaz&#244;nia representa o maior &#237;ndice de inseguran&#231;a alimentar do pa&#237;s. Como pode [um bioma] ter a maior biodiversidade e tamb&#233;m o maior &#237;ndice de inseguran&#231;a alimentar?</p><p>S&#227;o muitas camadas de colonialismo e de discrimina&#231;&#227;o para continuar com pr&#225;ticas de domina&#231;&#227;o, uma desterritorializa&#231;&#227;o do paladar. A inser&#231;&#227;o cada vez mais forte da industrializa&#231;&#227;o tira de n&#243;s o gosto do alimento: as pessoas t&#234;m que sair das terras, do campo, para morar na cidade.<strong> &#201; uma quest&#227;o cultural e hist&#243;rica que faz com que povos da Amaz&#244;nia n&#227;o sejam vistos como parte da hist&#243;ria da humanidade, como se a hist&#243;ria da humanidade sempre se encontrasse fora da Amaz&#244;nia. </strong>Est&#225; sempre no Egito, na Europa, na Revolu&#231;&#227;o Americana. Mas nunca o povo marajoara e sua cultura complexa e viva at&#233; hoje fazem parte da hist&#243;ria da humanidade. &#201; mais que um apagamento, &#233; aniquila&#231;&#227;o. &#201; para n&#227;o deixar rastro de sua forma de sobreviv&#234;ncia, nem de seu conhecimento.&nbsp;</p><h4><strong>Uma de suas primeiras cr&#237;ticas que eu li foi em 2015, no blog do soci&#243;logo Carlos Alberto D&#243;ria, sobre a apropria&#231;&#227;o de ingredientes que "grandes chefs" fazem ao usar um ingrediente e ignorar seu lugar de origem e seu contexto de uso. Existe algum jeito poss&#237;vel de esse mundo da gastronomia ser um parceiro da preserva&#231;&#227;o da cultura alimentar ou &#233; uma rela&#231;&#227;o que sempre beneficiar&#225; o lado do chef?</strong></h4><p>O que eu coloco &#233; que o ingrediente &#233; visto como se n&#227;o houvesse uma popula&#231;&#227;o atr&#225;s dele, como se ele aparecesse sozinho na mesa. &#201; o resultado de uma cultura, de um conhecimento. </p><p>O ingrediente pode ser produzido aqui no Furo do Palheta, no Maraj&#243;, e ser consumido at&#233; pela rainha da Inglaterra. A quest&#227;o &#233; que a espetaculariza&#231;&#227;o &#233; feita como se esse ingrediente existisse sem ningu&#233;m, como se a ind&#250;stria produzisse ele do zero, sintetizasse. A cozinha contempor&#226;nea tem uma pauta muito forte no produto, no ingrediente, e essa cozinha contempor&#226;nea &#233; parte do &#225;pice do ultraliberalismo. &#201; um expoente com seus chefs brancos, colonialistas e propriet&#225;rios, que se veem como salvadores dos povos.&nbsp;</p><blockquote><h4>A apropria&#231;&#227;o cultural acontece neste outro mercado: o chef de cozinha quer falar que est&#225; usando um ingrediente amaz&#244;nico falando de sustentabilidade e que &#233; amigo da natureza. Essa &#233; a parte que est&#225; errada. Se ele quiser s&#243; usar o ingrediente, por que ele usa o ingrediente e fala que est&#225; protegendo a minha cultura?</h4></blockquote><p>Para a cozinha contempor&#226;nea, a origem do ingrediente s&#243; &#233; interessante enquanto ferramenta de marketing. Se n&#227;o fosse interessante para o marketing, n&#227;o se falaria da origem. Tem todo um processo de base cultural enraizada ao trazer um ingrediente: s&#227;o outros afetos e percep&#231;&#245;es que comp&#245;em a produ&#231;&#227;o desse alimento. Um ingrediente amaz&#244;nico que voc&#234; encontra a&#237; no Sul ou Sudeste pode ser de uma terra grilada, por exemplo. Voc&#234; n&#227;o v&#234; nenhum chef desses fazendo campanha contra o agrot&#243;xico. Se lan&#231;a livro sobre mandioca e ingredientes amaz&#244;nicos, sobre ingrediente do Cerrado, mas onde &#233; que est&#225; o discurso de que o agrot&#243;xico est&#225; contaminando esse alimento e que esses alimentos est&#227;o rareando nos territ&#243;rios? E se o produto est&#225; rareando &#233; porque quem o produz est&#225; morrendo, est&#225; sendo contaminado.<strong> Os povos entendem aquele ingrediente n&#227;o como um ingrediente de cozinha, mas como uma extens&#227;o do seu corpo, do seu afeto e do seu territ&#243;rio.&nbsp;</strong></p><p>Quem diz que isso [de unir gastronomia e cultura alimentar] &#233; utopia, que somos n&#243;s que falamos de cultura alimentar em contraposi&#231;&#227;o &#224; gastronomia&#8230; Eu n&#227;o s&#243; vejo isso acontecer [unir gastronomia e cultura alimentar], como eu fa&#231;o isso no nosso ponto de cultura alimentar. E tamb&#233;m acontece no Armaz&#233;m do Campo do MST, as cozinhas da terra, os quilombolas que est&#227;o tomando seu espa&#231;o. As pr&#243;prias cozinhas ind&#237;genas. Ficamos felizes de ter acendido esse moqu&#233;m e de este debate estar acontecendo em v&#225;rios pontos do pa&#237;s.</p><h4><strong>Mas h&#225; uma intersec&#231;&#227;o saud&#225;vel que seja poss&#237;vel entre esse mundo da "alta cozinha" e a valoriza&#231;&#227;o da cultura alimentar?</strong></h4><p>Come&#231;a pelo termo "alta cozinha". <strong>At&#233; quando vamos considerar alta cozinha um ambiente que tem precariza&#231;&#227;o de trabalho, uso de alimentos, desperd&#237;cio, ingredientes de terra grilada?</strong> <strong>N&#227;o existe alta cozinha quando pessoas t&#234;m que morrer e serem escravas para que o outro coma.</strong> Isso &#233; imperialismo gastron&#244;mico, colonial e contempor&#226;neo. Est&#225; dentro das universidades, dos cursos t&#233;cnicos, em discursos que falam da evolu&#231;&#227;o das cozinhas.<strong> </strong>N&#227;o &#233; poss&#237;vel chamar de alta cozinha o que se faz em um lugar em que as pessoas s&#227;o subalternizadas para que o outro coma. De 1500 at&#233; hoje estamos falando de um processo de expropria&#231;&#227;o. Essa intersec&#231;&#227;o [entre cultura alimentar e alta cozinha] acontece em alguns momentos, em alguns projetos, mas al&#233;m de focar na alta cozinha, &#233; um discurso constru&#237;do para subalternizar esses povos. Enquanto a "comida do futuro" t&#225; a&#237; prevendo insetos para alimentar as pessoas, a gente est&#225; falando "pare de jogar agrot&#243;xico porque a gente quer continuar comendo nossa comida". Os bancos gen&#233;ticos est&#227;o privatizando sementes de plantas e jogando [o uso de agrot&#243;xico] para o terceiro mundo.&nbsp;</p><p>Em plena Amaz&#244;nia n&#227;o se t&#234;m pol&#237;ticas p&#250;blicas para consumo de produtos locais e se distribui cesta b&#225;sica com ingredientes processados. Temos a maior concentra&#231;&#227;o de oleaginosas, frutas, hortali&#231;as e crian&#231;as ficando doentes, desnutridas. &#201; preciso dar protagonismo aos povos, sem necessidade de uma m&#227;o branca mostrando que est&#225; "salvando a Amaz&#244;nia".</p><h4><strong>A frase "comer &#233; um ato pol&#237;tico" est&#225; aparecendo em cada vez mais lugares, mas o que vejo &#233; que muitas vezes &#233; apenas usada como frase de efeito, sem uma a&#231;&#227;o ou proposta clara. Como voc&#234; tem percebido isso?&nbsp;</strong></h4><p>Vejo que <strong>h&#225; tanto a banaliza&#231;&#227;o [da frase] quanto a descoberta de que comer &#233; um ato pol&#237;tico.</strong> De um lado, a banaliza&#231;&#227;o e apropria&#231;&#227;o desse termo, como foi feito pela ind&#250;stria com o conceito de "comida de verdade'', at&#233; por aqueles que chegaram a amea&#231;ar o conceito de cultura alimentar. Quando voc&#234; v&#234; esses conceitos na boca da ind&#250;stria e de chefs que s&#227;o garotos-propaganda do agroneg&#243;cio, significa que esses conceitos tamb&#233;m fazem sentido para a comercializa&#231;&#227;o de produtos.</p><p>Por outro lado, a gente percebe em muita gente uma vontade de se alian&#231;ar com povos ind&#237;genas, uma vontade muito forte de estar apoiando os Movimentos Sem Terra, de entender a quest&#227;o clim&#225;tica e o colapso do planeta. J&#225; chegamos no ponto de n&#227;o renova&#231;&#227;o dos recursos naturais h&#225; muito tempo. A intensifica&#231;&#227;o desse colapso tamb&#233;m se d&#225; pelas escolhas de consumo. Por um lado, &#233; extremamente necess&#225;rio o entendimento de que s&#227;o as terras ind&#237;genas que ainda garantem ar e umidade onde elas existem. Se n&#227;o fossem essas terras, tudo seria deserto e [haveria] seca.&nbsp;</p><p>Sabemos que n&#227;o &#233; apenas o individual e sim as estrat&#233;gias econ&#244;micas e de com&#233;rcio impostas pelas grandes corpora&#231;&#245;es as respons&#225;veis pelo colapso do planeta. Cidades ficam sem &#225;gua enquanto os latif&#250;ndios consomem a maior parte da &#225;gua pot&#225;vel. N&#227;o &#233; apenas fechar a torneira para salvar o planeta. &#201; uma conjuntura pol&#237;tica e econ&#244;mica que est&#225; a&#237; fazendo press&#227;o atrav&#233;s de lobby.&nbsp;</p><h4><strong>Voc&#234; &#233; uma das pessoas que sempre esteve um passo &#224; frente no debate e nas coloca&#231;&#245;es que faz ao discutir cultura alimentar e gastronomia. Sinto que muita gente est&#225; come&#231;ando a falar hoje o que voc&#234; tem pontuado h&#225; mais de dez anos. Quem s&#227;o seus interlocutores?</strong></h4><p>Eu troco com quem constr&#243;i conhecimento e discute a realidade: s&#227;o os povos ind&#237;genas, a genialidade de <strong>Naine Terena, Eliane Potiguara, Daniel Munduruku, Ailton Krenak, M&#225;rcia Mura</strong>. Troco com os advogados e procuradores, com a promotoria de direitos humanos. Com o <strong>Movimento Sem Terra</strong>, com outros cozinheiros, com <strong>Thiago Vinicius</strong>, da <strong>Ag&#234;ncia Popular Solano Trindade</strong>, com <strong>Eliane Moreira</strong>, promotora socioambiental aqui do Par&#225;. Com os profissionais da <strong>Associa&#231;&#227;o Brasileira de Agroecologia</strong>, com <strong>Ant&#244;nio Nego Bispo</strong>.&nbsp;</p><p>Precisamos descolonizar tamb&#233;m nossas refer&#234;ncias. &#201; preciso uma transforma&#231;&#227;o radical nas estruturas de poder, de constru&#231;&#227;o de pensamento e de espa&#231;os para que a gente possa atuar. <strong>N&#227;o d&#225; para falar de cultura alimentar e permanecer nessa trilha gastron&#244;mica. </strong>Se estou falando de cultura alimentar, ent&#227;o cultura &#233; diversidade. &#201; a partir da diversidade que se chega a conceitos, formula&#231;&#245;es, e &#233; o que vai incidir diretamente na transforma&#231;&#227;o e na constru&#231;&#227;o de pol&#237;ticas p&#250;blicas. </p><blockquote><h4>Chega de conhecimento que veio nas caravelas. A gente precisa dos sopros, do repert&#243;rio das florestas.</h4></blockquote><div><hr></div><h4><strong>MAIS PALAVRAS</strong></h4><p>N&#227;o h&#225; como estudar qualquer g&#234;nero de texto no Brasil sem considerar o rap nacional, e o &#225;lbum <em><a href="https://open.spotify.com/album/2lsICIaiaE3ZOYbX9vm1UL?si=73ulYQ6MTHOh7Fr5n2onfg">Roteiro para A&#239;nouz (vol. 2)</a></em>, lan&#231;ado em novembro de 2021 pelo rapper Don L, &#233; uma epopeia digna de <em>repeat</em> &#8211;&nbsp;se fosse m&#237;dia f&#237;sica, eu j&#225; teria "furado o disco".</p><p>Don L imagina uma revolu&#231;&#227;o popular comunista e ao longo das 17 faixas reconta a hist&#243;ria brasileira, a rea&#231;&#227;o &#224;s injusti&#231;as, a tomada do Estado e dos meios de produ&#231;&#227;o, do per&#237;odo colonial at&#233; a contemporaneidade. &#201; um primor narrativo. S&#227;o tantas camadas &#8211; identidade, desigualdade social, express&#245;es religiosas, capitalismo, auto-estima, reforma agr&#225;ria, seguran&#231;a p&#250;blica&#8230; e esperan&#231;a &#8211;&nbsp;que ainda estou no processo de digeri-lo. Tr&#234;s trechos merecem a aten&#231;&#227;o do leitor desta newsletter:</p><p>Em <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bs5B5VLhqlk">primavera</a></em>:</p><blockquote><p><em>As tecnologias ancestrais n&#243;s temos<br>&#8203;Pra induzir o sonho dentro de um pesadelo<br>Entre um tra&#231;ante e outro<br>Dilatar o tempo e imaginar um mundo novo</em></p></blockquote><p>Em <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kfkcyHvOZCo">pela boca</a></em>:&nbsp;</p><blockquote><p><em>Que se foda seus d&#243;lares na bolsa<br>Suas empresas agora s&#227;o do povo<br>Suas terras s&#227;o floresta de novo<br>Suas mans&#245;es, escolas, seus soldados mortos pelos nossos<br>Quero ver c&#234; falar com o gog&#243; na forca agora</em></p></blockquote><p>Em <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rnQO9mMcwk0">favela venceu/rap das armas</a></em>:</p><blockquote><p><em>Ladr&#227;o foi Colombo, &#233; tudo nosso<br>A gente merece, a gente banca<br>N&#243;s pega a vis&#227;o, eles propaganda<br>Se quem te alimenta te controla<br>Ningu&#233;m quer esmola, a gente planta</em></p></blockquote><p>Sem mais.</p><div><hr></div><h4>APOIE A FOGO BAIXO</h4><p>Esta newsletter &#233; uma iniciativa da jornalista <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/sobre-a-autora">Fl&#225;via Schiochet</a> e financiada pelos seus leitores. Todos os ensaios, entrevistas e edi&#231;&#245;es extras estar&#227;o sempre dispon&#237;veis gratuitamente, e voc&#234; pode ler (ou reler) acessando <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/archive">o arquivo da newsletter</a>. Se voc&#234; gostou desse conte&#250;do, compartilhe:</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://flaviaschiochet.substack.com/p/entrevista-taina-marajoara?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Share&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/entrevista-taina-marajoara?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share"><span>Share</span></a></p><p>Caso este link tenha chegado a voc&#234; por um amigo, considere assinar a newsletter. 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O primeiro &#233; na quarta-feira, 26 de janeiro, &#224;s 19h. Os convites para esse encontro ser&#227;o enviados no dia 20 de janeiro &#8211;&nbsp;ainda d&#225; tempo de entrar!</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[[entrevista: Joana Pellerano] "comer o comestível parece simples, mas comida é uma coisa complicada para caramba" ]]></title><description><![CDATA[quem afirma &#233; a comunic&#243;loga, antrop&#243;loga, pesquisadora, professora e co-autora do Comida na Cabe&#231;a]]></description><link>https://flaviaschiochet.substack.com/p/entrevista-joana-pellerano</link><guid isPermaLink="false">https://flaviaschiochet.substack.com/p/entrevista-joana-pellerano</guid><dc:creator><![CDATA[Flávia Schiochet]]></dc:creator><pubDate>Wed, 15 Dec 2021 21:08:20 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!-T9f!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F58d34294-6200-4a0c-a06a-bdafeb59d51a_968x1280.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/interview-joana-pellerano">click here to read this piece in English</a></p><h6>[&#9888;&#65039; aviso: esta edi&#231;&#227;o cont&#233;m links afiliados, o que significa que eu recebo uma pequena comiss&#227;o caso voc&#234; compre o livro indicado &#128579;]</h6><p>Nas duas manh&#227;s de s&#225;bado em que fiz o curso <em>Movimentos Est&#233;ticos, Movimentos Gastron&#244;micos</em>, de Joana Pellerano, eu segurei o xixi por mais tempo do que o recomendado por urologistas. O motivo &#233; que, como haviam me adiantado, a Joana &#233; capaz de falar 50 palavras por segundo, enla&#231;ando um conceito no outro e tecendo uma linha de racioc&#237;nio com incont&#225;veis refer&#234;ncias. &#201; imposs&#237;vel ficar um minuto longe do computador; seria o equivalente a perder 300 palavras e todos os sentidos que, juntas, elas constroem.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://flaviaschiochet.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">fogo baixo is a reader-supported publication. To receive new posts and support my work, consider becoming a free or paid subscriber.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Motivo pelo qual em menos de seis horas escrevi 11 p&#225;ginas em caderno universit&#225;rio e que revi ambas as aulas na semana seguinte para complementar as anota&#231;&#245;es. Falei consideravelmente durante as aulas tamb&#233;m, porque minha l&#237;ngua, ao contr&#225;rio da minha bexiga, &#233; incontrol&#225;vel (pensando bem, melhor que seja assim).&nbsp;</p><p>Joana &#233; comunic&#243;loga e antrop&#243;loga, pesquisadora da &#225;rea de alimenta&#231;&#227;o e professora da p&#243;s-gradua&#231;&#227;o em&nbsp;Gastronomia, Hist&#243;ria e Cultura do SENAC. Cheguei &#224; ela atrav&#233;s de quem? Dela mesma, <a href="https://www.instagram.com/bianunesdesousa/">Bia Nunes de Souza</a>, a mulher que mais conhece e recomenda gente interessante na &#225;rea da gastronomia.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!-T9f!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F58d34294-6200-4a0c-a06a-bdafeb59d51a_968x1280.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!-T9f!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F58d34294-6200-4a0c-a06a-bdafeb59d51a_968x1280.jpeg 424w, 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E tamb&#233;m a respons&#225;vel por me fazer escrever a punho 11 p&#225;ginas. Foto: Arquivo pessoal.</figcaption></figure></div><p>Em <em>Movimentos Est&#233;ticos, Movimentos Gastron&#244;micos</em>,<em> </em>Joana faz uma retrospectiva a partir da obra <em>Est&#233;tica: de Plat&#227;o a Pierce</em>, de L&#250;cia Santaella e, entremeado ao fio hist&#243;rico, apresenta as transforma&#231;&#245;es pelas quais passaram os atos de cozinhar e comer ao longo dos s&#233;culos. Marchesi &amp; Vercelloni, Montanari e Perullo aparecem para desenrolar o novelo e revelam intersec&#231;&#245;es com os temas identidade, escolhas alimentares, comportamento e constru&#231;&#245;es de significado do comer. Dos autores estimados pelos comunicadores, Bourdieu e Benjamin arrematam o ponto.&nbsp;</p><p>A maior contribui&#231;&#227;o deste curso para quem gosta de pensar comida &#8211;&nbsp;n&#227;o &#224; toa, Joana &#233; uma das das cacholas por tr&#225;s do site de divulga&#231;&#227;o cient&#237;fica <strong><a href="http://comidanacabeca.com/">Comida na Cabe&#231;a</a></strong>, no ar desde 2013 &#8211;&nbsp;&#233; contextualizar a constru&#231;&#227;o social do gosto em diferentes &#233;pocas, evidenciar a complexidade contida nas escolhas do dia a dia (que parecem triviais quando s&#227;o explicadas como "sempre foi assim") e, claro, mostrar como uma classe dominante dita tend&#234;ncias e diferencia-se a partir do consumo de alimentos.</p><p>Foi incr&#237;vel, portanto, poder tomar uma hora do tempo da Joana para fazer algumas perguntas e tamb&#233;m tomar a liberdade de fazer algumas quest&#245;es estapaf&#250;rdias. Abaixo, os principais trechos dessa conversa, editados e organizados para caber neste espa&#231;o:</p><h4><strong>Durante o curso, voc&#234; disse que a contemporaneidade &#233; uma &#233;poca em que temos uma mir&#237;ade de refer&#234;ncias, que nem todo mundo est&#225; olhando para o mesmo passado. Com essa diversidade, temos como apontar exemplos das est&#233;ticas alimentares da nossa &#233;poca?&nbsp;</strong></h4><p>O que a gente tem nesse per&#237;odo de p&#243;s-modernidade est&#233;tica &#233; a possibilidade de acessar v&#225;rias pr&#225;ticas alimentares diferentes, de saber que elas existem e que existe a possibilidade de ouvir outras narrativas, e n&#227;o s&#243; as ligadas &#224;s gastronomias europeias.&nbsp;</p><h4><strong>A possibilidade de termos tantas refer&#234;ncias hoje n&#227;o enfraquece a identidade?</strong></h4><p>A gente tem uma disciplina na p&#243;s que discute exatamente isso [risos]. A gente tem hoje acessos a jeitos de comer; o enfraquecimento das regras da alimenta&#231;&#227;o, que s&#227;o menos claras; e uma individualiza&#231;&#227;o muito grande. S&#227;o tr&#234;s coisas problem&#225;ticas ao mesmo tempo, que faz as pessoas se sentirem livres para tomarem decis&#245;es pr&#243;prias sobre suas escolhas alimentares. Isso n&#227;o quer dizer que obrigatoriamente h&#225; uma perda, porque tamb&#233;m h&#225; um caminho inverso: conforme v&#227;o chegando novidades, as pessoas se sentem impelidas a proteger o que elas t&#234;m.&nbsp;</p><blockquote><h4>Comida &#233; uma coisa complicada pra caramba. Comer o comest&#237;vel parece simples, mas os significados que damos &#224; comida s&#227;o bastantes complexos.&nbsp;</h4></blockquote><p>Uma coisa que sempre gosto de frisar &#233; a complexidade do ato alimentar. As escolhas que a gente faz para comer s&#227;o mais complicadas do que parecem. Quando temos sorte de ter comida dispon&#237;vel e v&#225;rias vezes por dia, esse assunto fica nos bastidores &#8211;&nbsp;todas as decis&#245;es, escolhas, trocas e significados da comida. As pessoas que t&#234;m o privil&#233;gio de comer o que querem e quando querem, que poderiam pensar melhor no ato de comer e nesse significado, n&#227;o pensam nisso. Se tentassem entender essa complexidade, seria ben&#233;fico para todo mundo.&nbsp;</p><h4>Essa linha de racioc&#237;nio de que quem pode escolher o que comer deveria escolher pensando no coletivo &#233; o que eu tentei fazer naquele <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/5-o-vegetarianismo-enquanto-estetica">ensaio sobre vegetarianismo</a>. Agora estou at&#233; com medo de reler e encontrar algum furo argumentativo [risos].&nbsp;&nbsp;&nbsp;</h4><p>A impress&#227;o que me d&#225; &#233; que as pessoas focam na complica&#231;&#227;o errada. Por exemplo: seguir uma dieta vegana. Elas n&#227;o tentam entender a l&#243;gica da dieta, que &#233; comer todas as outras fontes de alimentos que n&#227;o sejam prote&#237;na animal; elas sentem falta de uma orienta&#231;&#227;o objetiva e solu&#231;&#227;o m&#225;gica. A&#237; v&#227;o no <em>influencer</em>, porque acreditam que essas pessoas t&#234;m um segredo que elas n&#227;o t&#234;m.&nbsp;</p><p>O segredo &#233; ter repert&#243;rio e autonomia. &#201; ter informa&#231;&#227;o o suficiente e transform&#225;-la em conhecimento. Mesmo tendo tudo isso, pode ser que elas n&#227;o queiram tomar decis&#245;es ou tomem as que a gente n&#227;o acha corretas. Eu tenho a impress&#227;o que as pessoas acham que se contar para todo mundo que a ind&#250;stria aliment&#237;cia faz mal, as pessoas v&#227;o parar de consumir. Pode ser que parem, mas tamb&#233;m pode ser que continuem a consumir e tomem para si a responsabilidade de suas escolhas, por economizar tempo ou por acharem gostoso.&nbsp;</p><h4>Mesmo que seja dif&#237;cil elencar exemplos da est&#233;tica alimentar do nosso tempo, estava pensando se caberia dizer que h&#225; uma est&#233;tica hegem&#244;nica a partir de produtos com real&#231;adores de sabor e excesso de sal, a&#231;&#250;car e gordura&#8230; Seria a ind&#250;stria aliment&#237;cia uma das vozes mais fortes na narrativa do nosso tempo?&nbsp;</h4><p>A ind&#250;stria aliment&#237;cia &#233; paradoxal porque ela oferece mais variedade, longevidade de prateleira e a possibilidade de trazer coisas de mais longe. Por outro lado, a ind&#250;stria faz escolhas baseada em mais lucros e atende a objetivos espec&#237;ficos que n&#227;o levam em conta a diversidade alimentar, e acaba limitando as possibilidades que a gente tem.</p><h4>Sempre que h&#225; uma ironia ou algo mal explicado em alguma conversa por escrito, eu costumo me perguntar: "ser&#225; que os arque&#243;logos do futuro v&#227;o entender do que realmente se trata isso aqui?" [risos]. Ou seja, com um volume t&#227;o grande de ultraprocessados sendo vendido e propaganda deles por tudo quanto &#233; parte, ser&#225; que daqui a mil anos as pessoas v&#227;o entender que havia muita gente na outra ponta da corda, tensionando esse debate?&nbsp;</h4><p>[risos]<strong> </strong>Tudo se trata dos registros e de como eles v&#227;o ser interpretados. N&#227;o sou arque&#243;loga, mas eu sei que h&#225; uma preocupa&#231;&#227;o em evitar o anacronismo e em entender as evid&#234;ncias dentro do pr&#243;prio contexto. Eu imagino que &#233; poss&#237;vel entender que essas diferen&#231;as existem a partir do que estamos registrando. </p><p>&#201; complicada a batalha contra a ind&#250;stria aliment&#237;cia como um todo, desde os que servem comida pronta at&#233; os que manufaturam o que vem para dentro de casa. Quando essas coisas surgiram, a inten&#231;&#227;o era oferecer mais comida e com uma base nutritiva. T&#234;m a inten&#231;&#227;o de padronizar a produ&#231;&#227;o de modo que n&#227;o o produto n&#227;o v&#225; fazer mal para as pessoas. Um <em>fast food</em> com muito real&#231;ador de sabor, sal, gordura, &#233; a oferta de uma op&#231;&#227;o de comida e de sabor forte e percept&#237;vel &#8211;&nbsp;n&#227;o vou falar se bom ou ruim &#8211;, que fica pronto r&#225;pido e &#233; barato. Uma coisa assim revoluciona o mercado. As pessoas entendem que &#233; algo saboroso, barato e fica pronto rapidamente.</p><p>Temos um ponto de cr&#237;tica muito importante &#224; ind&#250;stria aliment&#237;cia, porque ela ainda precisa mudar muito para oferecer algo ben&#233;fico. Ela traz algumas potenciais vantagens para as pessoas, mesmo que n&#243;s que estudamos alimenta&#231;&#227;o achamos que n&#227;o &#233; uma vantagem. A ind&#250;stria n&#227;o cria uma lacuna de mercado, ela aproveita a lacuna existente e dentro disso, pode resolver uma necessidade ou cri&#225;-la. Mas a lacuna estava l&#225;. O que a ind&#250;stria oferece e que as pessoas apreciam, no geral, &#233; economia de tempo, um atalho, um prato pronto ou, no m&#237;nimo, um ingrediente pr&#233;-processado, minimamente processado. Enquanto cozinheiro dom&#233;stico, a ind&#250;stria te economiza tempo e o fato &#233; que as pessoas precisam de economia de tempo. Cozinhar talvez nem devesse ser a tarefa a ficar a segundo plano, mas tem pessoas que n&#227;o t&#234;m escolha.</p><h4>Isso nos traz &#224; uma quest&#227;o que eu queria muito fazer durante a aula, mas n&#227;o deu tempo. Que &#233;: o leite condensado e a cria&#231;&#227;o do brigadeiro, e o impacto desse produto na cozinha brasileira. Eu acho imposs&#237;vel ser contra o brigadeiro, tem mais lados para analisar nessa hist&#243;ria, certo? </h4><p>O brigadeiro &#233; criado por causa do leite condensado ou logo depois que o leite condensado &#233; criado. A receita tradicional nasce com esse produto industrializado. As pessoas tendem a pensar que o leite condensado &#233; um problema porque ele substituiu varia&#231;&#245;es e receitas que existiam na do&#231;aria brasileira, como por exemplo os pudins. Tinha pudim de tudo quanto &#233; jeito. E a&#237; virou s&#243; um pudim de leite. Isso &#233; um problema porque perdemos variedade e sabor, mas a receita com leite condensado era pr&#225;tica, barata e dava certo. Economizava tempo, dinheiro e frustra&#231;&#227;o, por isso o pudim de leite condensado alcan&#231;ou um espa&#231;o no imagin&#225;rio nacional.&nbsp;</p><p>Antes, voc&#234; tinha dezenas de pudins, tinha as varia&#231;&#245;es pr&#243;prias de cada cozinheiro. Um pudim de laranja, por exemplo, cada um fazia de um jeito diferente: com mais suco, mais a&#231;&#250;car, um media com pires, outro com copo. Depois que o leite condensado toma essa parte do receitu&#225;rio, ela traz um padr&#227;o e a pr&#243;pria lata passa a ser usada como medida. A D&#233;bora Oliveira pesquisou isso no mestrado, e a disserta&#231;&#227;o dela virou um livro: <a href="https://www.amazon.com.br/Dos-cadernos-receitas-latinha-Ind%C3%BAstria/dp/853960258X">"Dos cadernos de receitas &#224;s receitas de latinha: Ind&#250;stria e tradi&#231;&#227;o culin&#225;ria no Brasil"</a>.&nbsp;</p><blockquote><h4>As receitas de hoje em dia s&#227;o descritas nos m&#237;nimos detalhes, mas naquela &#233;poca [s&#233;culo 19 e in&#237;cio do 20], o registro das receitas era para pessoas que sabiam cozinhar. A receita era um lembrete, n&#227;o se precisava de uma orienta&#231;&#227;o detalhada. As pessoas hoje acham que as receitas eram escritas assim porque n&#227;o se queria passar "o segredo", e acredito que isso seja um anacronismo nosso. Naquela &#233;poca, as pessoas usavam seu pr&#243;prio conhecimento para dar o ponto certo, para saber "o quanto basta" desse ou daquele ingrediente.</h4></blockquote><p>Elas se valiam da constru&#231;&#227;o de repert&#243;rio e de conhecimentos culin&#225;rios, que hoje n&#227;o temos mais tanto: as pessoas n&#227;o t&#234;m autonomia para ler uma receita e pensar a quantidade de um ingrediente e o ponto que se espera.</p><h4>Antes da industrializa&#231;&#227;o da alimenta&#231;&#227;o, houve alguma transforma&#231;&#227;o equivalente, que alterou a est&#233;tica do que comemos?&nbsp;</h4><p>As grandes navega&#231;&#245;es alteraram bastante o jeito de comer. Primeiro com as pessoas mais privilegiadas, que era quem conseguia ter acesso &#224;s especiarias e ingredientes, mas no longo prazo alterou totalmente. &#201; s&#243; pensar numa It&#225;lia sem tomate, que &#233; uma planta americano. Outra quest&#227;o &#233; a Revolu&#231;&#227;o Industrial, que mudou at&#233; a agricultura, o nosso modo de cultivar comida. H&#225; uma acelera&#231;&#227;o na sociedade e essas altera&#231;&#245;es s&#227;o rapidamente incorporadas, ent&#227;o o efeito &#233; percebido mais no curto prazo.&nbsp;</p><h4>Preciso te fazer uma pergunta que j&#225; discuti com um amigo, mas n&#227;o me lembro se chegamos &#224; alguma conclus&#227;o. &#201; a seguinte: um prato de comida pode ter aura, conforme o conceito de Walter Benjamin? Pergunto porque, atualmente, entendemos que a alta cozinha tem uma excel&#234;ncia nos pratos que constr&#243;i e apresenta, mas para que ele seja experimentado de fato pelo sujeito, precisa ser repetido. E uma obra de arte reproduzida em escala faz com que seu valor intr&#237;nseco diminua&#8230; fico em d&#250;vida, inclusive, se seria poss&#237;vel aplicar o conceito de aura para comida, porque n&#227;o h&#225; como proporcionar a experi&#234;ncia sem necessariamente reproduzi-la.&nbsp;</h4><p>Pois &#233;, voc&#234; respondeu. A reprodutibilidade j&#225; est&#225; inserida no sistema de produ&#231;&#227;o de um prato de comida. Voc&#234; n&#227;o constr&#243;i pratos na gastronomia para serem diferentes. Mesmo com restaurantes que fazem comida com o que tem no mercado, como buffets, o card&#225;pio muda toda semana e, quando repete o ingrediente, a mesma receita acaba ficando diferente.&nbsp;</p><blockquote><h4>H&#225; uma tiragem limitada de cada ingrediente, digamos, mas a reprodutibilidade do prato faz parte do funcionamento do restaurante. &#201; uma discuss&#227;o interessante. Mesmo que a produ&#231;&#227;o cause uma rea&#231;&#227;o na pessoa, n&#227;o sei se d&#225; para garantir que em algum momento pode ser compar&#225;vel a observar a aura.</h4></blockquote><p>O dadinho de tapioca &#233; uma coisa que tem um ou outro registro anterior &#224; inclus&#227;o do preparo no card&#225;pio do Mocot&#243; [do chef Rodrigo Oliveira] e a partir de quando o Rodrigo Oliveira come&#231;a a servir, passou a ser feito no Brasil e no mundo. Tem massa de dadinho at&#233; industrializada! A Adriana Salay, que &#233; pesquisadora e casada com o Rodrigo, fala que qualquer dia ela vai abrir o instagram e ver uma <em>Dadinharia</em>, que vender&#225; todos os sabores poss&#237;veis de dadinho de tapioca [risos]. Esse &#233; o momento que estamos vivendo. A comida tem sido mais moda que artes pl&#225;sticas. Ela vai sendo usada, reproduzida e entra na vida das pessoas, mesmo que de segunda, de quinta m&#227;o.&nbsp;</p><h4>A escolha da feijoada como prato representante da identidade do brasileiro a partir da ideia da "uni&#227;o das tr&#234;s ra&#231;as" levanta v&#225;rias quest&#245;es, especialmente neste momento em que tentamos trazer interseccionalidade a todos os debates e fazer uma leitura a contrapelo da hist&#243;ria colonial, que apagou culturas de povos origin&#225;rias e de povos escravizados. Nesse contexto, seria poss&#237;vel escolher um prato &#237;cone para qualquer pa&#237;s?</h4><p>Geralmente quando se tenta escolher representa&#231;&#245;es, o que se faz &#233; um recorte. Sempre haver&#225; algo deixado de fora. Quem faz essas escolhas s&#227;o as classes dominantes e que t&#234;m poder de influ&#234;ncia na sociedade. Nem sempre esse poder &#233; pol&#237;tico ou econ&#244;mico, mas &#224;s vezes s&#227;o todos eles juntos.&nbsp;</p><blockquote><h4>A feijoada &#233; adotada justamente numa tentativa de incluir quem estava exclu&#237;do at&#233; ent&#227;o. &#201; uma maneira bastante condescendente para tentar compensar a falta de poder pol&#237;tico que essas popula&#231;&#245;es tiveram dando esse poder cultural, digamos. Como se dando esse poder cultural fosse poss&#237;vel apagar tudo de mal que foi feito a essas popula&#231;&#245;es. A escolha &#233; feita de modo aleat&#243;rio e n&#227;o de acordo com o que os povos identificam que sejam contribui&#231;&#245;es importantes de suas culturas.&nbsp;</h4></blockquote><p>A coisa da representa&#231;&#227;o nacional &#233; dif&#237;cil porque como voc&#234; pode encontrar algo que represente tanta coisa no Brasil, um pa&#237;s desse tamanho, com tanta gente vivendo, falando e comendo de maneiras t&#227;o diferentes? Mesmo a feijoada, que &#233; preparada em tantos lugares no Brasil, &#233; feita de jeitos diferentes: tem com verdura, com frutos do mar, com carne de porco, com carne de boi. Mas tem uns s&#237;mbolos que s&#227;o reconhecidos como brasileiros no Brasil todo, mesmo que algumas pessoas n&#227;o se vejam representadas nele, como por exemplo arroz e feij&#227;o. A farofa tamb&#233;m, mas sua base muda: em alguns lugares vai ser de milho, outras de mandioca.&nbsp;</p><p>A Paula Pinto e Silva tenta encontrar esses ingredientes e modos de comer no livro "<a href="https://amzn.to/3OXLYMC">Farinha, feij&#227;o e carne seca: Um trip&#233; culin&#225;rio</a>", em que ela vai falar desses tr&#234;s ingredientes e de suas varia&#231;&#245;es, como variedades diferentes de leguminosas no lugar do feij&#227;o, a farinha de mandioca ou de milho com diferentes tipos de beneficiamento, e a carne seca, que &#233; a prote&#237;na, e que pode ser charque, carne de sol, camar&#227;o seco ou at&#233; <em>dry-aged</em> [risos]. Olhando por essa tr&#237;ade voc&#234; consegue abarcar mais gente.&nbsp;</p><p>Mas as cozinhas nacionais s&#227;o sempre escolhas, e quase sempre uma escolha pol&#237;tica cujo objetivo &#233; unir as pessoas em torno de algo comum. &#201; uma simbologia visando a uni&#227;o.&nbsp;</p><h6>[ali&#225;s, neste m&#234;s houve dois lan&#231;amentos de livros sobre <a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/alimentacao/a-vinganca-dos-farofeiros">farofa</a>]&nbsp;</h6><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ICn5!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb2695448-02c2-4747-9a40-a6c2623a219e_1100x40.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ICn5!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb2695448-02c2-4747-9a40-a6c2623a219e_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ICn5!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb2695448-02c2-4747-9a40-a6c2623a219e_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ICn5!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb2695448-02c2-4747-9a40-a6c2623a219e_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ICn5!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb2695448-02c2-4747-9a40-a6c2623a219e_1100x40.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ICn5!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb2695448-02c2-4747-9a40-a6c2623a219e_1100x40.png" width="1100" height="40" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://bucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com/public/images/b2695448-02c2-4747-9a40-a6c2623a219e_1100x40.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:40,&quot;width&quot;:1100,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ICn5!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb2695448-02c2-4747-9a40-a6c2623a219e_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ICn5!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb2695448-02c2-4747-9a40-a6c2623a219e_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ICn5!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb2695448-02c2-4747-9a40-a6c2623a219e_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ICn5!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb2695448-02c2-4747-9a40-a6c2623a219e_1100x40.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><h5><strong>Voc&#234; tem uma sugest&#227;o de entrevistado para a FOGO BAIXO? Me escreva! <a href="mailto:schiochetflavia@gmail.com">schiochetflavia@gmail.com</a></strong></h5><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://flaviaschiochet.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe now&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://flaviaschiochet.substack.com/subscribe?"><span>Subscribe now</span></a></p><div><hr></div><h4>PRIMEIROS FRUTOS</h4><p>O ano vai chegando ao fim e eu come&#231;o a pensar que tanta coisa aconteceu mesmo a gente tendo ficado preso em casa! Uma das minhas grandes conquistas esse ano, sem d&#250;vidas, foi tirar do papel o curso <em>Como Escrever Sobre Comida</em>, que teve 80 alunos.&nbsp;</p><p>Uma delas foi a Nila Picarelli, que come&#231;ou uma newsletter em setembro e tamb&#233;m fez parte do <em>Clube da Escrita Gastron&#244;mica</em>. Obrigada pela confian&#231;a, Nila! Recentemente ela <a href="https://organico.substack.com/p/3-exodo">publicou o ensaio pessoal que come&#231;ou a esbo&#231;ar durante os nossos encontros</a>, e considero esse texto um s&#237;mbolo do que eu mais gostei de fazer nesse 2021: ajudar as pessoas a sistematizar seus processos criativos para escreverem com periodicidade.</p><p>Para 2022, quero fazer o mesmo para turmas pequenas ou como mentoria individual. Se voc&#234; quiser saber mais, me escreva: <a href="mailto:schiochetflavia@gmail.com">schiochetflavia@gmail.com</a> &#127808;</p><div><hr></div><h4>IDEIA NATALINA</h4><p>Eu sempre falo que voc&#234; pode <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/subscribe">apoiar financeiramente a newsletter por R$ 10 (mensal) ou R$ 100 (anual)</a> para aproveitar descontos nos cursos que ministrarei em 2022; participar de encontros virtuais mensais para discuss&#227;o do tema mais recente da <strong>fogo baixo</strong>; e ganhar um agradecimento p&#250;blico no rodap&#233; de cada edi&#231;&#227;o.</p><p>Voc&#234; tamb&#233;m pode pagar este apoio como presente para algu&#233;m que gostaria de ter acesso e de participar desse circuito. Que tal? Essa &#233; a ideia da assinatura-presente, e &#233; bem f&#225;cil de fazer. S&#243; clicar aqui:</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://flaviaschiochet.substack.com/subscribe?&amp;gift=true&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Give a gift subscription&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://flaviaschiochet.substack.com/subscribe?&amp;gift=true"><span>Give a gift subscription</span></a></p><p>Psiu: caso voc&#234; queira contribuir de outra forma, divulgue a <strong>fogo baixo</strong>. Seu compartilhamento vale muito!</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://flaviaschiochet.substack.com/p/entrevista-joana-pellerano?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Share&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/entrevista-joana-pellerano?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share"><span>Share</span></a></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://flaviaschiochet.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">fogo baixo is a reader-supported publication. To receive new posts and support my work, consider becoming a free or paid subscriber.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[[entrevista: Ravi Orsini] controvérsias no vegetarianismo ambiental]]></title><description><![CDATA["Deixar de comer carne adia o apocalipse ambiental em dezenas de anos. Reduz o impacto, mas n&#227;o resolve a situa&#231;&#227;o", diz o gestor ambiental]]></description><link>https://flaviaschiochet.substack.com/p/entrevista-ravi-orsini</link><guid isPermaLink="false">https://flaviaschiochet.substack.com/p/entrevista-ravi-orsini</guid><dc:creator><![CDATA[Flávia Schiochet]]></dc:creator><pubDate>Mon, 15 Nov 2021 11:00:35 GMT</pubDate><enclosure url="https://cdn.substack.com/image/fetch/h_600,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffe438163-e13d-4e13-a9cd-15edc266d299_864x598.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/interview-ravi-orsini">click here to read this piece in English</a></p><p>Em <em>A Divina Com&#233;dia</em>, Dante Alighieri encimou a porta do Inferno com a frase "Deixai toda esperan&#231;a, v&#243;s que entrais". &#201; uma senten&#231;a que rejuvenesce a cada s&#233;culo e hoje, 700 anos depois da morte do escritor florentino, seria ideal para saudar quem chega &#224; Terra. O Diabo que se vire para encontrar uma nova placa.</p><p>Durante a <a href="https://news.un.org/pt/search/cop26">COP26</a>, confer&#234;ncia sobre o clima da Organiza&#231;&#227;o das Na&#231;&#245;es Unidas (ONU) realizada em Glasgow, na Esc&#243;cia, entre os dias 1&#186; e 12 de novembro de 2021, o secret&#225;rio-geral das Na&#231;&#245;es Unidas, Ant&#243;nio Guterres, mencionou em seu discurso de abertura que o n&#237;vel do mar dobrou nos &#250;ltimos 30 anos, os oceanos est&#227;o mais quentes do que nunca e Floresta Amaz&#244;nica emite mais carbono do que absorve.</p><p>A humanidade bateu <a href="https://news.un.org/pt/story/2021/10/1768622">recorde na emiss&#227;o de gases de efeito estufa</a> &#8211; grupo do qual fazem parte o di&#243;xido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o &#243;xido nitroso (N2O) &#8211; chegando, respectivamente, a percentuais de 149%, 262% e 123% acima dos n&#237;veis pr&#233;-industriais. Ilustrando as reportagens sobre aquecimento global acelerado pela atividade humana est&#227;o imagens de <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/paises-aderem-ao-pacto-de-reducao-de-emissoes-de-metano/">carros e f&#225;bricas soltando fuma&#231;a</a> e vacas pastando &#8211;&nbsp;&#224;s vezes, <a href="https://g1.globo.com/meio-ambiente/cop-26/noticia/2021/11/02/cop26-97-paises-se-comprometem-a-reduzir-emissoes-de-metano-em-30percent-ate-2030-brasil-aparece-na-lista.ghtml">vacas pastando em frente &#224; fuma&#231;a de queimadas</a>.&nbsp;</p><h6><strong>[tenho uma sugest&#227;o para quem forjar o novo portal da Terra: grifar em mai&#250;sculas a express&#227;o TODA ESPERAN&#199;A.]</strong></h6><p>N&#227;o &#233; o caso de advogar pela desindustrializa&#231;&#227;o: este &#233; um ponto em que o Brasil j&#225; se encontra, e por isso h&#225; tanta vaca e soja nessas paragens. Mas &#233; o caso de pensar em estrat&#233;gias para diminuir a emiss&#227;o desses gases e, assim, adiar em alguns anos o fim do mundo.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://flaviaschiochet.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"><strong>fogo baixo</strong> &#233; uma publica&#231;&#227;o independente da jornalista Fl&#225;via Schiochet. para receber os novos posts e apoiar meu trabalho, assine gratuitamente ou contribua (R$ 10 mensal ou R$ 100 anual).</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Na esfera de a&#231;&#245;es individuais est&#225; a redu&#231;&#227;o do consumo de carne, do uso de combust&#237;veis f&#243;sseis e da cobran&#231;a por pol&#237;ticas p&#250;blicas mais conscientes &#8211;&nbsp;parte delas, ali&#225;s, passa por um controle de processos da pecu&#225;ria (e n&#227;o por obrigar o cidad&#227;o a se tornar vegetariano). Conversei sobre a primeira pr&#225;tica com Ravi Orsini, pesquisador, cientista e gestor ambiental pela Universidade de S&#227;o Paulo, mesma institui&#231;&#227;o em que concluiu seu mestrado, em 2019.&nbsp;</p><p>O t&#237;tulo de sua disserta&#231;&#227;o &#233; <em>Vegetarianismo ambiental: estudo das controv&#233;rsias na rela&#231;&#227;o entre vegetarianismo e emiss&#245;es de gases de efeito estufa</em> e o trabalho est&#225; dispon&#237;vel <a href="https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/106/106132/tde-31072019-153158/publico/DISSERTACAO_RAVI_VEGETARIANISMO_AMBIENTAL_VERSAO_DEFINITVA.pdf">aqui</a> &#8211;&nbsp;na <a href="https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/106/106132/tde-31072019-153158/publico/DISSERTACAO_RAVI_VEGETARIANISMO_AMBIENTAL_VERSAO_DEFINITVA.pdf">p&#225;gina 124</a>, por exemplo, h&#225; uma tabela com estrat&#233;gias para mitigar as emiss&#245;es de gases de efeito estufa na pecu&#225;ria.&nbsp;</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Qixo!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffe438163-e13d-4e13-a9cd-15edc266d299_864x598.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Qixo!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffe438163-e13d-4e13-a9cd-15edc266d299_864x598.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Qixo!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffe438163-e13d-4e13-a9cd-15edc266d299_864x598.png 848w, 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role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">O gestor ambiental e pesquisador Ravi Orsini. Foto: Arquivo pessoal.</figcaption></figure></div><p>Ravi mapeou parte das controv&#233;rsias presentes no debate sobre vegetarianismo (na <a href="https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/106/106132/tde-31072019-153158/publico/DISSERTACAO_RAVI_VEGETARIANISMO_AMBIENTAL_VERSAO_DEFINITVA.pdf">p&#225;gina 136</a> h&#225; um quadro resumindo as sete principais). Como todo trabalho acad&#234;mico &#233; um recorte temporal e espacial, Ravi debru&#231;ou-se sobre algumas das quest&#245;es clim&#225;ticas. "H&#225; in&#250;meras rela&#231;&#245;es entre o vegetarianismo e quest&#245;es ambientais, e mesmo dentro do meu escopo, as sete controv&#233;rsias que encontrei foram as que eu tive tempo para identificar e conectar em minha pesquisa. N&#227;o s&#227;o todas as controv&#233;rsias que existem", explica.</p><p>Vegetariano h&#225; d&#233;cadas, Ravi j&#225; foi ativista pela causa, participou de movimentos e de grupos, mas foi na ci&#234;ncia ambiental que se encontrou. Em sua pesquisa, usa o conceito de vegetarianismo ambiental para apresentar um caminho para a sustentabilidade alimentar, podendo se dar pela absten&#231;&#227;o ou redu&#231;&#227;o do consumo de alimentos de origem animal na dieta humana por motiva&#231;&#245;es de car&#225;ter ambiental (<a href="https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/106/106132/tde-31072019-153158/publico/DISSERTACAO_RAVI_VEGETARIANISMO_AMBIENTAL_VERSAO_DEFINITVA.pdf">p&#225;gina 54</a>).</p><p>"Se par&#225;ssemos de comer carne, ter&#237;amos muita terra agricult&#225;vel, porque 75% das &#225;reas s&#227;o destinadas &#224; produ&#231;&#227;o de animais e gr&#227;os para aliment&#225;-los. Mas a fome n&#227;o tem a ver com a quantidade de alimento produzido. Fome tem a ver com desigualdade social, e n&#227;o tem como tirar isso da equa&#231;&#227;o", explana. Conversamos por telefone por duas horas e editei nossa conversa para caber nessa newsletter.</p><h4><strong>Houve algo que te surpreendeu durante a pesquisa?</strong></h4><p>A magnitude dos impactos ambientais da pecu&#225;ria em rela&#231;&#227;o a alternativas dos produtos de origem vegetal: de toda a terra agr&#237;cola do planeta, 25% &#233; para produ&#231;&#227;o de alimentos de origem vegetal, e o restante &#233; para produzir alimentos para animais ou pastagem. Para cada R$ 1 milh&#227;o de receita proveniente da pecu&#225;ria extensiva no Brasil, tem-se R$ 22 milh&#245;es de impacto ambiental que n&#227;o s&#227;o compensados, muito menos contabilizados no pre&#231;o final. Se pegarmos a soja, outro gigante da agroind&#250;stria, essa cifra de impactos ambientais n&#227;o chega a R$ 3 milh&#245;es (<a href="https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/106/106132/tde-31072019-153158/publico/DISSERTACAO_RAVI_VEGETARIANISMO_AMBIENTAL_VERSAO_DEFINITVA.pdf">p&#225;gina 52</a>).&nbsp;</p><p>Nesses impactos ambientais est&#227;o as pr&#243;prias emiss&#245;es dos gases de efeito estufa que agravam o aquecimento global, o desmatamento, as queimadas, a polui&#231;&#227;o atmosf&#233;rica, a polui&#231;&#227;o das &#225;guas&#8230; <strong>a pecu&#225;ria &#233; uma das ind&#250;strias que mais poluem &#225;gua no Brasil</strong>. </p><p>H&#225; a degrada&#231;&#227;o do solo: desmata, queima, planta capim e coloca os bois para comer esse capim num super pastoreio. Isso acaba com a cobertura vegetal do solo. O gado pisa e compacta o solo, o que prejudica trocas gasosas e a infiltra&#231;&#227;o de &#225;gua, que pode levar &#224; desertifica&#231;&#227;o em &#225;reas mais quentes. Quando voc&#234; grila uma terra, h&#225; um impacto na biodiversidade pela perda de habitat dos animais ao abrir pastagem e pela ca&#231;a dos fazendeiros para eliminar predadores. Por exemplo: pr&#243;ximo do bioma amaz&#244;nico vai ter on&#231;a, e os fazendeiros saem para ca&#231;ar as on&#231;as.&nbsp;</p><blockquote><h4>No Brasil, a pecu&#225;ria &#233; a atividade humana que mais ocupa territ&#243;rio. A agricultura produz muito mais alimento e caloria por metro quadrado em cerca de metade da &#225;rea que a pecu&#225;ria necessita.&nbsp;</h4></blockquote><p>Tem pontos que n&#227;o s&#227;o t&#227;o &#243;bvios. Os rebanhos de ruminantes no Brasil t&#234;m uma emiss&#227;o direta de metano &#8211; eles consomem pastagem e arrotam metano. Temos mais cabe&#231;as de gado do que pessoas no Brasil, e para <strong>cada mol&#233;cula de metano emitida, h&#225; um <a href="https://outline.com/qnHvRP">impacto equivalente</a> ao de 72 mol&#233;culas de di&#243;xido de carbono</strong>. Outras emiss&#245;es diretas s&#227;o os dejetos dos animais. Uma vaca pode produzir at&#233; 50 litros de excremento di&#225;rio, o que gera o &#243;xido nitroso, e <strong>cada mol&#233;cula de &#243;xido nitroso equivale a 310 mol&#233;culas de di&#243;xido de carbono</strong>.</p><p>As contribui&#231;&#245;es indiretas s&#227;o o desmatamento e a queimada para abertura de pastagem, que &#233; a chamada mudan&#231;a de uso do solo. Em uma d&#233;cada, <strong>80% do desmatamento e de queimada no Brasil foi para uso de pastagem, sobretudo para a pecu&#225;ria bovina</strong>. O desmatamento e a queimada geram mon&#243;xido e di&#243;xido de carbono como gases principais. </p><p>Al&#233;m disso, h&#225; outra contribui&#231;&#227;o indireta, que &#233; a produ&#231;&#227;o agr&#237;cola para alimentar animais, em que tamb&#233;m h&#225; o desmatamento e queimadas para abrir a pastagem agr&#237;cola que gerar&#225; os gr&#227;os; a fertiliza&#231;&#227;o dessa agricultura com compostos nitrogenados que v&#227;o emitir o &#243;xido nitroso.&nbsp;Todo o sistema de transporte e de refrigera&#231;&#227;o da carne tamb&#233;m: a quantidade de carne produzida no Brasil precisa de um transporte refrigerado e com isso voc&#234; tem a emiss&#227;o de mon&#243;xido de carbono.</p><h4><strong>A demanda mundial por carne deve dobrar at&#233; 2050 impulsionada pelo desenvolvimento de pa&#237;ses do Brics, especialmente da China, enquanto na&#231;&#245;es menos industrializadas, como o Brasil, diminuem o consumo de carne pelo mesmo motivo: econ&#244;mico. O &#244;nus da produ&#231;&#227;o, no entanto, fica com a gente. Voc&#234; identifica alternativas para lidar com essa situa&#231;&#227;o que n&#227;o sejam individuais?</strong></h4><p>H&#225; de fato esse crescimento do consumo de carne nos Brics e em alguns pa&#237;ses do continente africano. Apesar de essa crescente ser assustadora, os pa&#237;ses ditos desenvolvidos atingiram um teto de consumo de carne. V&#225;rios estudos mostram que <strong>conforme a renda cresce, cresce tamb&#233;m o consumo de carne.</strong> Varia de lugar para lugar, mas &#233; uma regra geral no mundo.&nbsp;</p><p>&#201; preocupante por causa da discrep&#226;ncia que falei: para produzir alimento para o animal, o impacto cresce desproporcionalmente no consumo de recursos. Dito isso, <strong>a exporta&#231;&#227;o &#233; um problema, mas 80% da carne produzida no Brasil &#233; para consumo interno. </strong>20% parece pouco, mas como o volume &#233; grande, faz muita diferen&#231;a. </p><blockquote><h4>Deixar de comer carne adia o apocalipse ambiental em dezenas de anos. Reduz o impacto, mas n&#227;o resolve a situa&#231;&#227;o.&nbsp;</h4></blockquote><p>Vejo dois n&#237;veis de solu&#231;&#227;o: um superficial, remediativo; e um estrutural.&nbsp;No primeiro n&#237;vel, uma coisa &#243;bvia seria ter tanto sistemas quanto pol&#237;ticas p&#250;blicas que auxiliassem as pessoas a reduzir o consumo de carne; ter sistemas legais, pol&#237;ticas p&#250;blicas e mecanismos que atuassem nos impactos ambientais, como maior fiscaliza&#231;&#227;o para o desmatamento de modo a coibir o desmatamento para pastagem, que fosse oneroso mesmo. Tem quem fale em taxa&#231;&#227;o clim&#225;tica sobre a carne, que seria colocar um imposto para o consumo. Esta possibilidade n&#227;o consegui estudar a fundo.&nbsp;</p><p>Indo para o n&#237;vel estrutural, muita gente diz que o Brasil &#233; corrupto e que isso &#233; um problema dom&#233;stico, mas na verdade n&#227;o &#233;. Na disserta&#231;&#227;o, apresento estudos que mostram que o dinheiro que financia essa degrada&#231;&#227;o ambiental e esse sistema pecuarista e agropecuarista industrial como um todo vem de fora. Esse dinheiro, rastreado at&#233; para&#237;sos fiscais, vem de pa&#237;ses europeus. Quem est&#225; ganhando com isso n&#227;o est&#225; no Brasil. A discuss&#227;o estrutural considera que <strong>n&#227;o &#233; s&#243; diminuir o consumo de carne, mas tamb&#233;m envolver o sistema econ&#244;mico de explora&#231;&#227;o de recursos b&#225;sicos no Brasil,</strong> toda essa rede de financiamento de lobby dessas empresas e de fluxo de caixa que vem de pa&#237;ses desenvolvidos.&nbsp;O ideal seria que essas solu&#231;&#245;es, a remediativa e a estrutural, fossem combinadas. </p><h4><strong>Nas conclus&#245;es de sua disserta&#231;&#227;o, voc&#234; indica que a dieta &#224; base de plantas &#233; a melhor op&#231;&#227;o para, individualmente, come&#231;ar a mitigar o impacto. Mas, de acordo com as escolhas de ingredientes e de proced&#234;ncia, isso pode ser s&#243; </strong><em><strong>um pouco menos pior</strong></em><strong>, certo?</strong></h4><p>Eu n&#227;o recomendo individualmente, mas endosso a recomenda&#231;&#227;o dessa dieta. Por mais otimista que a gente seja, nem todo mundo vai querer virar vegetariano. Tem lugares em que discutir a redu&#231;&#227;o do consumo de carne significa impactar a seguran&#231;a alimentar. N&#227;o s&#227;o os centros urbanos. Nem todo mundo vai parar de consumir carne, nem todo mundo deve, mas ainda assim &#233; necess&#225;ria uma dire&#231;&#227;o. E essa dire&#231;&#227;o tem de ser menos carne. O conceito dieta &#224; base de plantas engloba os diferentes tipos de redu&#231;&#227;o no consumo de carnes, inclusive o vegetarianismo.&nbsp;</p><p>Consumir menos carne n&#227;o &#233; a solu&#231;&#227;o final. &#201; uma mitiga&#231;&#227;o de impacto significativo e &#233; o ponto de mudan&#231;a de consumo mais r&#225;pido atrav&#233;s da alimenta&#231;&#227;o, mas n&#227;o &#233; uma solu&#231;&#227;o estrutural. <strong>Se a gente permanecer consumindo a partir da agroind&#250;stria, n&#227;o funciona: precisamos consumir alimentos locais, de produ&#231;&#227;o familiar e fomentar o com&#233;rcio justo.</strong> Um exemplo muito usado &#233; o da quinoa, que teve um impacto negativo social nos pa&#237;ses andinos produtores, porque foi exportada massivamente e o pre&#231;o para os habitantes tem subido.&nbsp;</p><h4><strong>Quando falamos de vegetarianismo ambiental n&#227;o estamos falando de uma realidade que abarca a ca&#231;a de subsist&#234;ncia ou a pesca artesanal. Quais as outras "modalidades" que n&#227;o se encaixam nesse caso? Um rebanho familiar?&nbsp;</strong></h4><p>Sempre que falo do vegetarianismo ambiental, estou descrevendo um recorte da cr&#237;tica vegetariana, de pessoas que pararam de comer carne por causa dos impactos no meio ambiente. Os veganos t&#234;m como quest&#227;o prim&#225;ria a &#233;tica em rela&#231;&#227;o aos animais, mas tamb&#233;m est&#225; a quest&#227;o ambiental.</p><p>Uma das conclus&#245;es da minha pesquisa &#233; que toda essa cr&#237;tica ambiental do vegetarianismo s&#243; faz sentido nesses sistemas industriais que s&#227;o impactantes e dos sistemas de consumo em larga escala que cria essa demanda de querer consumir carne tr&#234;s vezes ao dia.</p><p>Onde essa cr&#237;tica do vegetarianismo ambiental n&#227;o faz sentido: em todos os sistemas em que os animais s&#227;o produzidos e consumidos em pequena escala, localmente, em que aquele microambiente vai absorver os impactos. H&#225; locais em que a seguran&#231;a alimentar da popula&#231;&#227;o depende daquela produ&#231;&#227;o animal. Tem locais, por exemplo, em que o solo n&#227;o permite uma produ&#231;&#227;o agr&#237;cola, apenas pastagem, ou locais em que voc&#234; s&#243; tem gelo, como o povo inu&#237;te. Popula&#231;&#245;es ribeirinhas que praticam pesca de subsist&#234;ncia, popula&#231;&#245;es ind&#237;genas de pesca e de ca&#231;a de subsist&#234;ncia.&nbsp;</p><p>Mais pr&#243;ximo a n&#243;s, temos nossos av&#243;s e bisav&#243;s, para quem mora em &#225;rea rural. Dificilmente tinha carne bovina todo dia. Quando matavam o boi, salgavam a carne e tentavam conservar por muito tempo. Tinham diariamente carne de impacto reduzido, como galinha, e nem sempre todo dia. Se voc&#234; est&#225; lendo essa entrevista, voc&#234; provavelmente n&#227;o se encaixa nessa exce&#231;&#227;o.&nbsp;</p><h4><strong>Voc&#234; lista tamb&#233;m os obst&#225;culos para adotar uma dieta baseada em plantas e os "carnivorismos alternativos". O que voc&#234; identifica como boas pr&#225;ticas dentro dessa alimenta&#231;&#227;o que n&#227;o &#233; (ou nunca ser&#225;) totalmente livre de produtos de origem animal?&nbsp;</strong></h4><p>Carnivorismos alternativos &#233; um conceito da nutricionista e soci&#243;loga Elaine de Azevedo. Isso &#233; outro t&#243;pico importante: esses carnivorismos alternativos (<a href="https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/106/106132/tde-31072019-153158/publico/DISSERTACAO_RAVI_VEGETARIANISMO_AMBIENTAL_VERSAO_DEFINITVA.pdf">p&#225;ginas 35 e 129</a>) levam a pecu&#225;ria sustent&#225;vel, ou seja, de sistemas de produ&#231;&#227;o que s&#227;o menos impactantes e, em muitos casos, at&#233; ben&#233;ficos. </p><p>N&#227;o tem como relativizar: esses sistemas existem e s&#227;o poss&#237;veis. Na pecu&#225;ria sustent&#225;vel h&#225; a pecu&#225;ria intensiva, que reduz a quantidade de desmatamento e otimiza o uso de pasto. H&#225; cr&#237;ticas, e essa &#233; a que eu considero menos sustent&#225;vel. H&#225; menos pastagem, mas o impacto do desmatamento vai para a agricultura: voc&#234; vai precisar de &#225;reas gigantes para produzir gr&#227;os e cereais para alimentar os animais, e o impacto muda de direto para indireto. Como o meu foco &#233; ambiental, eu n&#227;o misturo essas quest&#245;es &#233;ticas porque a&#237; seria outra disserta&#231;&#227;o e outra pesquisa.&nbsp;</p><p>Nada garante que a pecu&#225;ria intensiva n&#227;o v&#225; querer aumentar o tamanho do rebanho e assim aumentar a emiss&#227;o de dejetos e de gases em uma mesma &#225;rea. Essa &#233; a sa&#237;da mais problem&#225;tica e &#233; onde a ind&#250;stria tem apontado cada vez mais.&nbsp;</p><p>Eu coloco o futuro em outra sa&#237;da. A mais sustent&#225;vel seria o sistema extensivo baseado em agrofloresta com pasto, que absorve muito os impactos localmente. N&#227;o diria nem que &#233; uma limita&#231;&#227;o, mas tem um detalhe importante: esses sistemas extensivos t&#234;m uma produtividade menor que os extensivos com desmatamento. De um jeito ou de outro, precisamos consumir menos carne, parar de comer carne tr&#234;s vezes ao dia. </p><blockquote><h4>Eu acredito que dentro desses carnivorismos alternativos, <strong>a carne no futuro que a gente vai consumir ter&#225; de vir desses sistemas agroflorestais, para ser consumida uma ou duas vezes por semana.</strong></h4></blockquote><div><hr></div><h4><strong>CRESCENDO</strong> &#127769;</h4><p>Novos assinantes e apoiadores chegaram em novembro e eu s&#243; gostaria de dizer muito obrigada. Fa&#231;a meu trabalho chegar a mais pessoas, compartilhe a <strong>fogo baixo</strong>:</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://flaviaschiochet.substack.com/?utm_source=substack&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=share&amp;action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Share fogo baixo&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://flaviaschiochet.substack.com/?utm_source=substack&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=share&amp;action=share"><span>Share fogo baixo</span></a></p><p>Se voc&#234; quer apoiar meu trabalho, considere assinar esta newsletter <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/subscribe">mensalmente por R$ 10 ou anualmente por R$ 100</a> &#8211;&nbsp;h&#225;, ainda, a op&#231;&#227;o de PIX do valor que quiser pelo <strong>schiochetflavia@gmail.com</strong>. Assinantes pagos recebem desconto de 10% em todos os cursos ministrados por mim e participam de um encontro mensal virtual para discuss&#227;o dos temas abordados na edi&#231;&#227;o mais recente e agradecimentos p&#250;blicos nominais no rodap&#233; de todas as edi&#231;&#245;es da <strong>fogo baixo</strong>.</p><div><hr></div><h4>AINDA D&#193; TEMPO!</h4><p>Na manh&#227; do dia 28 de novembro, um domingo, ministro uma aula ao vivo e on-line em parceria com a Argenta Caf&#233;s: <em>Leites Vegetais para Cafeterias</em>. Ser&#225; das 10h &#224;s 13h e a grava&#231;&#227;o ficar&#225; dispon&#237;vel por 30 dias para quem n&#227;o conseguir ver ao vivo. </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Uvny!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F250fd054-93b8-45b0-8eaf-82dec616cdb8_4809x3206.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Uvny!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F250fd054-93b8-45b0-8eaf-82dec616cdb8_4809x3206.jpeg 424w, 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Foto: Apneia Filmes/Arquivo pessoal</figcaption></figure></div><p>O material est&#225; completo e explica princ&#237;pios f&#237;sico-qu&#237;micos para que voc&#234; fa&#231;a suas escolhas de ingredientes ou de marcas, seja para uso comercial ou para consumo pr&#243;prio. O ingresso para o segundo lote est&#225; R$ 95, e o valor inclui uma apostila em pdf em formato de livreto, caso voc&#234; queira imprimir.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.sympla.com.br/leites-vegetais-para-cafeterias__1386342&quot;,&quot;text&quot;:&quot;garanta a sua vaga&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.sympla.com.br/leites-vegetais-para-cafeterias__1386342"><span>garanta a sua vaga</span></a></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[[entrevista: Antônio Barbosa] sementes crioulas resistem ao desmonte do Brasil]]></title><description><![CDATA[selecionadas e plantadas por fam&#237;lias do semi&#225;rido, sementes garantiram alimento e sustento ap&#243;s seca hist&#243;rica e durante o pior per&#237;odo da pandemia de Covid-19]]></description><link>https://flaviaschiochet.substack.com/p/entrevista-antonio-barbosa</link><guid isPermaLink="false">https://flaviaschiochet.substack.com/p/entrevista-antonio-barbosa</guid><dc:creator><![CDATA[Flávia Schiochet]]></dc:creator><pubDate>Fri, 15 Oct 2021 19:17:03 GMT</pubDate><enclosure url="https://cdn.substack.com/image/fetch/h_600,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0e9bb013-8f3e-4b72-a59a-706d886d5859_750x502.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/interview-antonio-barbosa">click here to read this piece in English</a></p><p>A edi&#231;&#227;o de hoje inaugura uma se&#231;&#227;o nesta newsletter: as entrevistas mensais. Gostei do formato quando publiquei a <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/extra-entrevista-lourence-alves">conversa com a Lourence Alves</a>, em agosto, e dentro da estrat&#233;gia de aumentar a frequ&#234;ncia de publica&#231;&#227;o da<strong> fogo baixo</strong>, passarei a publicar uma entrevista no dia 15 de cada m&#234;s e um ensaio nos moldes do que voc&#234;s t&#234;m lido nos dias 30 ou 31.&nbsp;</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!KM-A!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F362e9a5c-3246-4deb-b85a-a75d27a98c9b_2200x1500.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!KM-A!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F362e9a5c-3246-4deb-b85a-a75d27a98c9b_2200x1500.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!KM-A!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F362e9a5c-3246-4deb-b85a-a75d27a98c9b_2200x1500.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!KM-A!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F362e9a5c-3246-4deb-b85a-a75d27a98c9b_2200x1500.jpeg 1272w, 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restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 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Ilustra&#231;&#227;o: <a href="https://www.instagram.com/ninakinas/">Marina Kinas</a></figcaption></figure></div><p>E tem outra novidade: agora a designer <a href="http://instagram.com/ninakinas">Marina Kinas</a> vai colaborar com uma ilustra&#231;&#227;o por edi&#231;&#227;o. N&#227;o &#233; incr&#237;vel? Sempre fui f&#227; do trabalho da Marina e nos conhecemos ainda na adolesc&#234;ncia, antes de prestarmos vestibular. Obrigada por querer estar por aqui, Nina!</p><p>Tenho que agradecer publicamente, inclusive, &#224; Luciane Maesp, que come&#231;ou a traduzir as edi&#231;&#245;es em setembro (<a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/extra-issue-black-epistemology">esta</a> e <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/4-what-is-gastronomic-journalism">esta</a>) ap&#243;s ter lido a entrevista que fiz com Lourence. Aos poucos, a <strong>fogo baixo</strong> vai formando uma equipe (!).</p><p>Ainda faltam umas dezenas de pessoas para eu bater minha meta de 500 inscritos at&#233; 31 de outubro. Se eu conseguir, prometo um conte&#250;do extra para novembro. &#129310;</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://flaviaschiochet.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe now&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://flaviaschiochet.substack.com/subscribe?"><span>Subscribe now</span></a></p><div><hr></div><h3>SEMENTES CRIOULAS RESISTEM AO DESMONTE DO BRASIL</h3><p><em>selecionadas e plantadas por fam&#237;lias do semi&#225;rido, sementes garantiram alimento e sustento ap&#243;s seca hist&#243;rica e durante o pior per&#237;odo da pandemia de Covid-19</em></p><p>No final de setembro participei do evento Explorando Pautas Alimentares, da <a href="https://abori.com.br/">Ag&#234;ncia Bori</a>, e l&#225; conheci Adriana Am&#226;ncia, assessora de imprensa da Articula&#231;&#227;o Semi&#225;rido Brasileiro (ASA). Em uma de suas falas, Adriana mencionou um dado impressionante: <strong>70% das fam&#237;lias do semi&#225;rido brasileiro que estocam e plantam sementes crioulas mantiveram o volume normal de produ&#231;&#227;o de alimentos mesmo durante o per&#237;odo mais cr&#237;tico da pandemia de Covid-19.</strong>&nbsp;</p><p>Este &#233; um dos resultados da <a href="https://www.asabrasil.org.br/noticias?artigo_id=11209">pesquisa realizada pela Organiza&#231;&#227;o das Na&#231;&#245;es Unidas para a Alimenta&#231;&#227;o e a Agricultura (FAO&#8211;ONU) e ASA</a> entre julho e dezembro de 2020 com uma amostra representativa das 200 mil fam&#237;lias atendidas pelo programa Uma Terra e Duas &#193;guas (P1+2) da ASA.&nbsp;O programa acrescenta uma cisterna para uso de &#225;gua para produ&#231;&#227;o de alimentos a fam&#237;lias que possuem uma cisterna para armazenar a &#225;gua para usar em higiene e limpeza em casa, constru&#237;das pelo Programa 1 Milh&#227;o de Cisternas, do governo brasileiro. </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OYb_!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0e9bb013-8f3e-4b72-a59a-706d886d5859_750x502.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OYb_!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0e9bb013-8f3e-4b72-a59a-706d886d5859_750x502.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OYb_!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0e9bb013-8f3e-4b72-a59a-706d886d5859_750x502.jpeg 848w, 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role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline 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Foto: Arquivo pessoal</figcaption></figure></div><p>Por isso quis conversar com Ant&#244;nio Gomes Barbosa, soci&#243;logo, mestre em agroecologia, coordenador do DAKI &#8211; Semi&#225;rido Vivo. Ele coordenou o <a href="https://www.asabrasil.org.br/acoes/p1-2">Programa Uma Terra e Duas &#193;guas (P1+2)</a> e o <a href="https://asabrasil.org.br/acoes/sementes-do-semiarido">Programa Sementes do Semi&#225;rido</a>, ambos da ASA.</p><p>Foram entrevistados moradores do semi&#225;rido em nove estados brasileiros: Piau&#237;, Cear&#225;, Rio Grande do Norte, Para&#237;ba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Minas Gerais. A regi&#227;o sofreu com a pior seca j&#225; registrada entre 2012 e 2018 &#8211; em alguns lugares, a seca come&#231;ou em 2010; em outros, estendeu-se at&#233; 2019 &#8211; e na sequ&#234;ncia teve de lidar com a pandemia do novo coronav&#237;rus. </p><p>A pesquisa tinha como objetivo medir o impacto que o isolamento social e o fechamento do com&#233;rcio teve na vida dessa popula&#231;&#227;o. A maior parte dos entrevistados &#233; mulher, tem entre 40 e 50 anos, mora com mais de tr&#234;s pessoas, possui cisterna para uso na casa e para o cultivo, plantam principalmente cereais, oleaginosas, frutas, verduras, tub&#233;rculos, mas tamb&#233;m flores e outros cultivos comerciais. H&#225; tamb&#233;m a cria&#231;&#227;o de animais em pequenos rebanhos, para subsist&#234;ncia.</p><p>O P1+2 &#233; um programa da ASA iniciado em 2007 com o objetivo de garantir o acesso &#224; &#225;gua para planta&#231;&#227;o e pecu&#225;ria a fam&#237;lias que j&#225; estejam atendidas com acesso &#224; &#225;gua para beber. "<strong>O que a pesquisa mostra &#233; que o programa de acesso &#224; &#225;gua para beber e para produ&#231;&#227;o faz as fam&#237;lias mudarem de condi&#231;&#227;o: deixam de ser fam&#237;lias que precisam ser assistidas por programas de distribui&#231;&#227;o de renda para serem fam&#237;lias que produzem alimentos e geram riqueza para a regi&#227;o"</strong>, diz Barbosa.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Buru!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F40a973ef-d544-4c9f-a66a-e1f5f572d9f4_2048x1365.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 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Foto: Maur&#237;cio Pokemon/ASACOM</figcaption></figure></div><blockquote><p>Os principais obst&#225;culos que se imp&#245;em sobre essas fam&#237;lias n&#227;o &#233; o clima do semi&#225;rido, e sim a falta de investimento do Estado em cisternas e outras estrat&#233;gias que permitam estocar &#225;gua; a descontinua&#231;&#227;o de linhas de cr&#233;dito que eram contratadas pelas fam&#237;lias para investir na propriedade e melhorar sua produ&#231;&#227;o; e a monocultura de transg&#234;nicos na regi&#227;o, que acaba contaminando as ro&#231;as e canteiros de sementes crioulas com a propaga&#231;&#227;o de seu p&#243;len.</p></blockquote><p>"&#201; preciso retomar a caminhada do que chamamos de <a href="https://www.asabrasil.org.br/images/UserFiles/File/convivenciacomosemiaridobrasileiro.pdf">a&#231;&#227;o de conviv&#234;ncia com o semi&#225;rido</a>", resumiu Barbosa em sua &#250;ltima resposta. Ele respondeu em &#225;udio uma s&#233;rie de perguntas que lhe enviei por WhatsApp, e a entrevista abaixo est&#225; organizada e editada para melhor compreens&#227;o.</p><h4>Quando falamos de sementes crioulas no semi&#225;rido, temos como exemplificar as principais esp&#233;cies e explicar como se faz esse trabalho de sele&#231;&#227;o, guarda e troca de sementes?&nbsp;</h4><p>S&#227;o muitas esp&#233;cies. O feij&#227;o &#233; uma das esp&#233;cies e essa esp&#233;cie tem variedades. Melancia &#233; a mesma situa&#231;&#227;o. No semi&#225;rido, tem variedades de feij&#227;o e milho em maior quantidade, mas tamb&#233;m favas, tub&#233;rculos e um conjunto de outros materiais gen&#233;ticos que as fam&#237;lias guardam para plantar de novo. Fizemos uma pesquisa com fam&#237;lias do programa de sementes do semi&#225;rido brasileiro, e a maior parte das sementes guardadas por elas s&#227;o da pr&#243;pria fam&#237;lia atrav&#233;s dos anos. Depois, v&#234;m os materiais adquiridos da comunidade, ou seja, de outra fam&#237;lia.</p><p>Quando falamos de semente crioula n&#227;o estamos falando s&#243; quest&#227;o gen&#233;tica, estamos falando inclusive de serem plantas adaptadas ao clima e tamb&#233;m do conhecimento agregado &#224;quele material que as fam&#237;lias mant&#234;m: qual o melhor lugar para plantar, se deve ser plantado consorciado, qual o tempo correto para plantar, o que n&#227;o se deve fazer.&nbsp;</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!3Nsu!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7b166b5d-0ca7-4819-8f4d-39fac61e855a_2048x1367.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 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Foto: Caldeir&#227;o Ripper/ASACOM</figcaption></figure></div><p><strong>As fam&#237;lias do semi&#225;rido s&#243; plantam quando h&#225; chuva e a&#237; separam as sementes entre o gr&#227;o que &#233; alimento e o que ser&#225; guardado como semente. &#201; uma tradi&#231;&#227;o de muitas fam&#237;lias agricultoras de todo o Brasil. </strong>Os agricultores do semi&#225;rido foram perdendo suas sementes, houve uma eros&#227;o gen&#233;tica. E, mesmo assim, eles montam suas estrat&#233;gias: em vez de plantar no ro&#231;ado, plantam no quintal para produzir sementes. <strong>Para a nossa grata surpresa, a pesquisa mostra que quem guardou as sementes teve mais autonomia.</strong> Num per&#237;odo em que estava tudo fechado, at&#233; pra acessar sementes [de outros lugares, como empresas e cooperativas] era mais dif&#237;cil.&nbsp;</p><p>Quem mora no semi&#225;rido sai da regi&#227;o quando n&#227;o &#233; &#233;poca de chuva. Vai para o Norte, Sudeste, Sul, e se ele v&#234; uma semente que n&#227;o conhece, traz junto na volta. Isso faz com que <strong>o semi&#225;rido possivelmente seja a &#225;rea mais biodiversa no campo de sementes do pa&#237;s.</strong> Os agricultores plantam essas novas sementes em pequena quantidade e v&#227;o testando e construindo o conhecimento. A troca acontece muito tamb&#233;m: se um v&#234; um feij&#227;o, planta e d&#225; uma semente para outra fam&#237;lia. Tamb&#233;m h&#225; sementes crioulas que n&#227;o s&#227;o vegetais, como os caprinos &#8211; 93% do rebanho de caprinos est&#225; no Nordeste e maior parte dos rebanhos do Nordeste est&#225; no semi&#225;rido. </p><p><strong>Estamos falando de 1,1 milh&#227;o de fam&#237;lias cuja base est&#225; em guardar, proteger e trocar, testar e adaptar sementes crioulas.</strong> &#201; um trabalho que acaba sendo tamb&#233;m um servi&#231;o ambiental. S&#243; o milho [tem uma hist&#243;ria de cultivo de] uns seis mil anos sendo selecionado. A sele&#231;&#227;o massal [feita a partir do fen&#243;tipo, ou seja, das caracter&#237;sticas vis&#237;veis da planta ou animal], em que selecionam manualmente &#8211; "opa, esse gr&#227;o &#233; melhor que esse outro, ent&#227;o vou separar" &#8211; &#233; um trabalho manual de cuidado e de conhecimento associado que &#233; algo grandioso e encantador.</p><h4>Adriana havia mencionado que as sementes crioulas de milho da regi&#227;o do semi&#225;rido correm o risco de serem contaminadas pela transgenia. Quais s&#227;o os estados e regi&#245;es que essas planta&#231;&#245;es est&#227;o amea&#231;adas e que medidas a sociedade pode tomar para apoiar o pequeno produtor?&nbsp;</h4><p>Hoje a principal amea&#231;a &#233; a contamina&#231;&#227;o dessas sementes por transgenia, sobretudo o milho. Na ASA, fizemos testes de contamina&#231;&#227;o e os n&#250;meros foram aumentando com o passar do tempo. Atualmente estamos com ASA e Embrapa juntas no programa que se chama <a href="https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/46019444/projeto-agrobiodiversidade-do-semiarido-e-lancado-em-petrolina">Agrobiodiversidade do Semi&#225;rido</a> [lan&#231;ado em 2019 com 53 munic&#237;pios nos estados de Sergipe, Bahia, Para&#237;ba, Pernambuco e Piau&#237;], que trabalha em sete territ&#243;rios. N&#227;o existe nenhum estado do semi&#225;rido que n&#227;o tenha contamina&#231;&#227;o, que acontece das mais variadas formas, ora distribu&#237;do por casas de sementes.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!q9Vx!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F159ab7fa-c135-4b14-b8ee-551c020ea9dc_2047x1365.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!q9Vx!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F159ab7fa-c135-4b14-b8ee-551c020ea9dc_2047x1365.jpeg 424w, 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Em Indaiabira, Minas Gerais. Foto: L&#233;o Drummond/ASACOM</figcaption></figure></div><p>Existe muito material transg&#234;nico e o p&#243;len do milho &#233; o que tem a propaga&#231;&#227;o mais f&#225;cil. Em todos os lugares e regi&#245;es, tem material que est&#225; de 60 a 100 anos na fam&#237;lia sendo contaminado. <strong>N&#227;o h&#225; no Brasil nenhuma pol&#237;tica de prote&#231;&#227;o aos agricultores e de seus materiais. N&#227;o existe pol&#237;tica de puni&#231;&#227;o das empresas que contaminam, porque hoje se consegue saber que empresa produziu aquele transg&#234;nico. A pol&#237;tica do Brasil hoje em dia &#233; de amplia&#231;&#227;o da transgenia com tudo o que ela tem direito.&nbsp;</strong></p><blockquote><h4><em>O Estado promove uma pol&#237;tica distributiva de sementes e n&#227;o de incentivo &#224; produ&#231;&#227;o de sementes, de estocagem e de valoriza&#231;&#227;o do material gen&#233;tico local.</em></h4></blockquote><p>Temos trabalhado com pol&#237;ticas de prote&#231;&#227;o para esse material, para que os agricultores colham, fa&#231;am testes de transgenia e n&#227;o plantem aquelas sementes no pr&#243;ximo ano. A&#237; plantem uma parte e fa&#231;am o teste de novo: se estiver contaminado, guarde o primeiro material e recoloque-o.</p><p>A principal cultura do semi&#225;rido &#233; o milho, que representa toda uma l&#243;gica de divindade e de celebra&#231;&#227;o, e esse material em grande parte est&#225; contaminado. Estamos construindo alternativas com a Embrapa como perspectivas de como proteger esse material, discutindo com as casas de sementes, construindo c&#243;pias de seguran&#231;a desse material gen&#233;tico.&nbsp;</p><h4>A pesquisa mostrou que produtores com acesso suficiente a insumos, extens&#227;o, cr&#233;dito e servi&#231;os p&#243;s-colheita mantiveram a renda normal no per&#237;odo de pandemia. Como isto &#233; ofertado na regi&#227;o? No caso do cr&#233;dito, a maior parte &#233; de bancos do estado, mas e a infraestrutura de insumos e de servi&#231;os p&#243;s-colheita?&nbsp;</h4><p>A pesquisa mostra que fam&#237;lias que t&#234;m mais terra e mais acesso a recursos e aos materiais dispon&#237;veis, assist&#234;ncia t&#233;cnica e cr&#233;dito produzem muito mais, e confirma que o <strong>caminho correto &#233; dotar as fam&#237;lias de &#225;gua para beber, de &#225;gua para a produ&#231;&#227;o, construir estrat&#233;gias de bancos e de casas comunit&#225;rias de sementes crioulas e construir estrat&#233;gias de circuitos curtos de comercializa&#231;&#227;o, como feiras agroecol&#243;gicas, espa&#231;os de troca, espa&#231;os de comercializa&#231;&#227;o, como bodegas e quitandas.</strong></p><p>Mas o que temos na maior parte das vezes &#233; o n&#227;o acesso.&nbsp;</p><p>O cr&#233;dito, sobretudo o <a href="https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/produto/pronaf">Pronaf</a>, quase desapareceu. Antes tinha linhas do Pronaf espec&#237;ficas para o semi&#225;rido, para agroecologia, para a juventude, para as mulheres. Mas essas pol&#237;ticas est&#227;o basicamente desmontadas e os agricultores t&#234;m muita dificuldade de conseguir, porque o governo n&#227;o diferencia mais por tamanho de propriedade.&nbsp;</p><p>Uma das formas de obter cr&#233;dito &#233; pelo assessoramento t&#233;cnico <em>[dentre os crit&#233;rios para solicitar cr&#233;dito, h&#225; o de participa&#231;&#227;o de programas de educa&#231;&#227;o no campo, por exemplo]</em>, tanto estatal quanto das organiza&#231;&#245;es que fazem esse acompanhamento gratuitamente. Se voc&#234; desmonta essa estrutura <em>[ou seja, diminui a disponibilidade de forma&#231;&#245;es t&#233;cnicas na regi&#227;o e a presen&#231;a de pesquisadores e profissionais que possam auxiliar o agricultor a trabalhar melhor sua terra]</em>, voc&#234; prejudica o agricultor, que n&#227;o pode construir outras rendas. <strong>A pesquisa reflete a quest&#227;o da pandemia: a pessoa n&#227;o tem cr&#233;dito, saiu de uma grande seca, finalmente vai ter &#225;gua, tem parte das suas sementes guardadas e agora que poderiam voltar a plantar, n&#227;o conseguem comercializar.&nbsp;</strong></p><p>&#201; muito dif&#237;cil mensurar porque s&#227;o v&#225;rios desmontes. A pr&#243;pria pol&#237;tica de &#225;gua est&#225; sendo desmontada: parou no in&#237;cio do governo Temer [<a href="https://deolhonosruralistas.com.br/2017/10/31/com-corte-de-92-para-2018-governo-ameaca-extinguir-programa-de-cisterna-premiado-pela-onu/">no or&#231;amento para 2017, o governo cortou em 92% a verba para implanta&#231;&#227;o de cisternas no semi&#225;rido</a>] e o governo Bolsonaro tenta boicotar qualquer a&#231;&#227;o de &#225;gua no semi&#225;rido [<a href="https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/02/12/bolsonaro-menor-numero-cisternas-desde-origem-programa.htm">em 2020, o Programa 1 Milh&#227;o de Cisternas teve o pior desempenho desde sua cria&#231;&#227;o, em 2003</a>].</p><p>Se voc&#234; apresenta servi&#231;os de assist&#234;ncia t&#233;cnica, disponibiliza cr&#233;dito e terra a essas fam&#237;lias, elas n&#227;o precisam ser benefici&#225;rias de programas de distribui&#231;&#227;o de renda. <strong>Com</strong> <strong>acesso &#224; &#225;gua para beber e para produ&#231;&#227;o, as fam&#237;lias deixam de precisar de assistencialismo para serem fam&#237;lias que produzem alimentos e geram riqueza para a regi&#227;o. </strong>Esse estudo que representa 200 mil fam&#237;lias do semi&#225;rido prova que em plena situa&#231;&#227;o de pandemia quem teve &#225;gua para a produ&#231;&#227;o teve gera&#231;&#227;o de renda.&nbsp;</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!cM6X!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F124467ec-40c8-4be0-9e61-911710fda509_2048x1365.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 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Riacho do Moc&#243;, Jaguarari, Bahia Foto: Manuela Cavadas/ASACOM.</figcaption></figure></div><h4>Olhando para os resultados dessa pesquisa e para a realidade do Brasil hoje, em que a agricultura familiar fica cada vez mais sem apoio, &#233; poss&#237;vel que essas comunidades sigam resilientes com estas pr&#225;ticas por quanto tempo?&nbsp;</h4><p>Passamos pela maior seca da hist&#243;ria que temos conhecimento desde a chegada dos portugueses, e mesmo com a falta de &#225;gua n&#227;o se viu &#234;xodo rural, n&#227;o se viu saque, n&#227;o se viu crian&#231;as desnutridas. E n&#227;o se viu porque essas fam&#237;lias tinham &#225;gua para beber, n&#227;o precisavam sair de suas casas. Essa &#225;gua pode ser coletada de chuva, se n&#227;o tem chuva, distribui-se via caminh&#227;o pipa. <strong>Nunca haver&#225; um rio ou riacho permanente na regi&#227;o do semi&#225;rido, mas pode haver sempre &#225;gua se eu construir estrat&#233;gias para ampliar o armazenamento de modo que a &#225;gua n&#227;o evapore, sobretudo com cisternas, e com a constru&#231;&#227;o de estrat&#233;gias para criar sistemas integrados de acesso &#224; &#225;gua de qualidade. Se essa pol&#237;tica avan&#231;ar, a vida no semi&#225;rido muda.</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!UF8C!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8c1b64f6-0e3f-4502-9ace-1130503be518_2048x1365.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!UF8C!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8c1b64f6-0e3f-4502-9ace-1130503be518_2048x1365.jpeg 424w, 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O casal Ant&#244;nio e Raimunda Alves da comunidade Enjeitado, em Triunfo, Pernambuco. Foto: Vladia Lima/ASACOM.</figcaption></figure></div><p>Mesmo que os dados da pesquisa mostrem que parte dos entrevistados ampliou sua produ&#231;&#227;o e que vive agora uma situa&#231;&#227;o de seguran&#231;a alimentar, essas pessoas tiveram grandes dificuldades. <strong>O Estado n&#227;o estava ali para desempenhar sua fun&#231;&#227;o.</strong> Eles foram construindo suas estrat&#233;gias, como venda por WhatsApp e Facebook, por exemplo. Foi o poder criativo dessas fam&#237;lias que as fez sair do isolamento. Esses elementos a pesquisa n&#227;o conseguiu medir por causa do tempo.&nbsp;</p><p>Tem-se que ampliar e permitir acesso ao <a href="http://mds.gov.br/assuntos/seguranca-alimentar/programa-de-aquisicao-de-alimentos-paa">Plano de Aquisi&#231;&#227;o de Alimentos</a>, permitir que comercializem seus produtos e os beneficiem para agregar valor. Estamos falando de quem gera o alimento consumido naquela regi&#227;o, de quem gera seguran&#231;a e identidade alimentar. &#201; preciso retomar a caminhada do que chamamos de a&#231;&#227;o de conviv&#234;ncia no semi&#225;rido.&nbsp;</p><h4>Sem pensar no cen&#225;rio desolador do Brasil de hoje, que a&#231;&#245;es do Estado voc&#234; considera que os resultados deste estudo poderiam inspirar?&nbsp;</h4><p>O pa&#237;s est&#225; num momento de desmonte. Essa regi&#227;o do semi&#225;rido teve poucas pol&#237;ticas p&#250;blicas, al&#233;m do Programa 1 Milh&#227;o de Cisternas. Hoje h&#225; 1,2 milh&#227;o de cisternas. E a ASA tem uma a&#231;&#227;o de segunda &#225;gua, s&#227;o 200 mil fam&#237;lias no semi&#225;rido que s&#227;o privilegiadas se comparar &#224;s outras, porque elas t&#234;m a segunda &#225;gua para usar na produ&#231;&#227;o. Se essas fam&#237;lias n&#227;o precisam da assist&#234;ncia do Estado, qual o problema delas? Elas n&#227;o precisam acessar cr&#233;dito sempre, mas precisam vender sua produ&#231;&#227;o.</p><p>O desmonte do Programa Aquisi&#231;&#227;o de Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de Alimenta&#231;&#227;o Escolar (PNAE) tem um impacto significativo na vida dessas fam&#237;lias. Imagine para as outras fam&#237;lias, as que n&#227;o t&#234;m acesso de &#225;gua para produ&#231;&#227;o? <strong>Tem fam&#237;lias que precisam tamb&#233;m de acesso &#224; terra, porque se constru&#237;rem uma cisterna em seu terreno ficam sem espa&#231;o para plantar.</strong></p><div><hr></div><h4>ANTES DE VOC&#202; IR EMBORA</h4><p>&#201; inevit&#225;vel pensar que, se uma regi&#227;o esquecida pelo Estado como o semi&#225;rido brasileiro viceja ao usar saberes tradicionais, imagine a pot&#234;ncia que esse sistema alimentar baseado em sementes crioulas teria em uma regi&#227;o hidricamente favorecida e com pol&#237;ticas do governo?</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://flaviaschiochet.substack.com/p/entrevista-antonio-barbosa/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Leave a comment&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/entrevista-antonio-barbosa/comments"><span>Leave a comment</span></a></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[[entrevista: Lourence Alves] epistemologia preta]]></title><description><![CDATA["A cozinha de santo &#233; uma lente poss&#237;vel para a gente pensar o mundo", defende Lourence Alves, historiadora, gastr&#244;noma e doutora em nutri&#231;&#227;o, alimenta&#231;&#227;o e sa&#250;de]]></description><link>https://flaviaschiochet.substack.com/p/extra-entrevista-lourence-alves</link><guid isPermaLink="false">https://flaviaschiochet.substack.com/p/extra-entrevista-lourence-alves</guid><dc:creator><![CDATA[Flávia Schiochet]]></dc:creator><pubDate>Wed, 11 Aug 2021 18:02:42 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!nIv2!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9b341d7d-3b66-4557-a214-7784006a6bfa_600x600.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/extra-issue-black-epistemology">click here to read this piece in English</a></p><p>Recebi mensagens entusiasmadas sobre a edi&#231;&#227;o <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/2-fragmento">#2 | fragmentos de arroz</a>, e a base de assinantes da <strong>fogo baixo</strong> aumentou gostosamente. Agrade&#231;o a todos pelo interesse e apoio ao meu trabalho.</p><p>O recorte que fiz foi considerar que, se a produ&#231;&#227;o ou o fornecimento de fragmento de arroz tivessem aumentado, haveria algum dado relevante ANTERIOR &#224; pol&#234;mica que circulou nas redes sociais, bem como o fragmento de arroz teria sido adotado por pol&#237;ticas p&#250;blicas voltadas &#224; seguran&#231;a alimentar. Os dados que reuni (apesar de algumas institui&#231;&#245;es n&#227;o terem colaborado) n&#227;o comprovam que a produ&#231;&#227;o ou a venda de fragmentos de arroz tenham aumentado, e sim que o arroz (inteiro ou quebrado) est&#225; caro por falta de estoques p&#250;blicos que regulam a oferta e pre&#231;o de alimentos b&#225;sicos.&nbsp;</p><p>Ter publicado este texto me trouxe indica&#231;&#245;es preciosas de leitura. O texto <em><a href="https://medium.com/@onje.cozinha/fragmento-de-arroz-pol%C3%ADtica-fundi%C3%A1ria-e-culturas-alimentares-tradicionais-c006393b3b56?source=user_profile---------2----------------------------">Fragmento de arroz, pol&#237;tica fundi&#225;ria e culturas alimentares tradicionais</a></em>, de Lourence Alves, foi uma delas, enviado pela minha amiga <a href="https://www.instagram.com/aninhaspengler/">Ana Spengler</a>, e trouxe uma perspectiva mais aprofundada do entendimento do que &#233; comida, preconceito alimentar e hierarquiza&#231;&#227;o do gosto. Com uma escrita fluida e did&#225;tica, Lourence amarra diferentes temas em poucas linhas. Cheguei, inclusive, a recomendar este texto no meu <a href="http://www.instagram.com/flavia.schiochet">Instagram</a> umas tr&#234;s vezes. Caso voc&#234; ainda n&#227;o tenha lido, sugiro que leia antes de seguir a leitura desta edi&#231;&#227;o.</p><p>O texto de Lourence &#8211;&nbsp;e sua interpreta&#231;&#227;o do mundo &#8211;&nbsp;&#233; fruto de uma leitura interdisciplinar, constru&#237;da a partir de "te&#243;ricos pretos, de epistemologia preta", e cr&#237;tica aos c&#226;nones, para onde ela olha com sobriedade. Seu didatismo est&#225; tamb&#233;m (&#233; claro) nos cursos livres que ministra on-line, e as rela&#231;&#245;es que faz s&#227;o apresentadas em frases objetivas, simples e eloquentes. Como esta: "A cozinha de santo &#233; uma lente poss&#237;vel para a gente pensar o mundo".&nbsp;</p><p>Recuperando hist&#243;ricos de conversa, o trabalho de Lourence havia sido recomendado por outra amiga, <a href="https://www.instagram.com/bianunesdesousa/">Bia Nunes de Souza</a>, a maior curadora de conte&#250;do gastron&#244;mico que conhe&#231;o. Toda semana pinga no meu zap algum link imperd&#237;vel. Obrigada, Ana e Bia!</p><p>Vamos &#224; entrevista, ent&#227;o.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png" width="1100" height="40" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://bucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com/public/images/86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:40,&quot;width&quot;:1100,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:2685,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 1456w" sizes="100vw" fetchpriority="high"></picture><div></div></div></a></figure></div><h3><strong>PR&#211;LOGO</strong></h3><p>&#8212; Eu queria tirar uma d&#250;vida sobre seu nome antes de come&#231;ar. Se fala <em>Lurrance</em> ou <em>Lour&#234;nce</em>?</p><p>&#8212; Deveria ser <em>Lurrance</em>. Minha m&#227;e leu num livro, ela n&#227;o se lembra mais qual, mas ela fala <em>L&#243;urence</em>.</p><p>&#8212; Particularmente, eu gostei mais.</p><p>&#8212; (risadas)</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png" width="1100" height="40" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://bucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com/public/images/86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:40,&quot;width&quot;:1100,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:2685,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" title="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><p>Lourence &#233; historiadora, gastr&#244;noma e doutora em Nutri&#231;&#227;o, Alimenta&#231;&#227;o e Sa&#250;de pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Seu neg&#243;cio &#233; fazer conhecimento circular e o Onje Cozinha &#233; resultado de parte de sua pesquisa para a tese, intitulada <em>Onje: saberes e pr&#225;ticas da cozinha de santo</em> (no prelo, sem data de publica&#231;&#227;o definida), defendida em 2019. A pandemia acelerou a adapta&#231;&#227;o de seu trabalho para o ambiente virtual, e ela realizou dois cursos &#8211; <em>Introdu&#231;&#227;o &#224;s Ra&#237;zes da Cozinha Brasileira</em> e <em>Encruzilhadas Atl&#226;nticas: margeando sabores Bantu, Akan e Yorub&#225;</em>, este com Karina Ramos e Gabriella Moratelli &#8211;&nbsp;antes de lan&#231;ar a <em>Jornada Onje: Imers&#245;es na Cozinha de Santo</em>, encontros que est&#227;o sendo realizados neste m&#234;s de agosto. Seu recorte &#233; a cozinha de santo da na&#231;&#227;o Ketu, e a escolha pela palavra <em><strong>onje </strong></em>(pronuncia-se com a t&#244;nica na &#250;ltima s&#237;laba: onj&#234;) &#233; porque significa "alimento" na l&#237;ngua iorub&#225;.&nbsp;</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!nIv2!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9b341d7d-3b66-4557-a214-7784006a6bfa_600x600.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!nIv2!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9b341d7d-3b66-4557-a214-7784006a6bfa_600x600.jpeg 424w, 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Eu defendo que a cozinha de santo &#233; uma lente poss&#237;vel para a gente pensar o mundo", define. A cada encontro, Lourence apresenta um elemento e o relaciona com um orix&#225;. "Por exemplo, na dimens&#227;o desse conjunto m&#237;tico-filos&#243;fico, Ogum &#233; o ferreiro, ent&#227;o ele seria o patrono da agricultura, a&#237; falo de Ogum e das ferramentas. No encontro sobre Exu, o tema &#233; mercado, mas da perspectiva mercado-oj&#225;, que fala de troca e n&#227;o de ac&#250;mulo, e da rela&#231;&#227;o e da sociabilidade constru&#237;das nos mercados", exemplifica.&nbsp;</p><p>Conversei por cerca de uma hora e meia com Lourence na tarde de 5 de agosto, por telefone, e transcrevo aqui os principais trechos, editados, para melhor entendimento.&nbsp;</p><h4><strong>A constru&#231;&#227;o do entendimento de comida do brasileiro &#233; euroc&#234;ntrica. Como poder&#237;amos corrigir isso?&nbsp;</strong></h4><p>N&#227;o acredito em uma transforma&#231;&#227;o a curto prazo. Toda a nossa bibliografia de sociologia e de historiografia da alimenta&#231;&#227;o &#233; sustentada em C&#226;mara Cascudo, cuja base s&#227;o os relatos de viajantes, e conversa muito com [a obra de] Gilberto Freyre. Quando se fala em trip&#233; [da alimenta&#231;&#227;o no Brasil Colonial], imaginamos que as tr&#234;s bases estruturais ter&#227;o um mesmo peso e import&#226;ncia, mas n&#227;o &#233; o que aparece nesses relatos. A gente tem o Carlos Alberto D&#243;ria como uma das grandes refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas, e ele reitera que n&#227;o se pode falar da contribui&#231;&#227;o dos escravizados porque, na condi&#231;&#227;o de escravos, essas pessoas n&#227;o tinham capacidade criativa. Mas a verdade &#233; que a nossa capacidade criativa &#233; t&#227;o complexa e potente que <strong>n&#243;s conseguimos criar e inovar dentro de escassez e priva&#231;&#227;o</strong>.</p><p>Eu sempre fa&#231;o provoca&#231;&#245;es. Falo que angu veio antes da polenta, que os cozidos n&#227;o s&#227;o portugueses, s&#227;o de &#193;frica. Mesmo dentro das fazendas, quem estava cultivando plantas rasteiras, matos de comer, chuchu, ab&#243;bora, quiabo... <strong>quem cultivava legumes para engrossar a parca alimenta&#231;&#227;o recebida eram as pessoas escravizadas</strong>. A incorpora&#231;&#227;o de legumes na alimenta&#231;&#227;o era um costume de pessoas escravizadas e n&#227;o dos portugueses, como se costuma dizer do "cozido portugu&#234;s". Remontar isso &#233; um processo de quebra-cabe&#231;a e fazer isso sem estrutura [e apoio &#224; pesquisa] &#233; ainda mais dif&#237;cil.</p><p><strong>A oralidade &#233; desacreditada pela estrutura euroc&#234;ntrica</strong>, mas a oralidade &#233; movimento, &#233; o que mant&#233;m nossos saberes vivos e din&#226;micos. Assisti &#224; defesa da tese ["Um p&#233; na cozinha: An&#225;lise s&#243;cio-hist&#243;rica do trabalho de cozinheiras negras no Brasil] de Ta&#237;s de Sant'Anna Machado e estou ansiosa para ler. Ela recupera a figura da cozinheira negra do per&#237;odo da escravatura at&#233; os dias atuais e fala: "estou fazendo um trabalho oral por n&#227;o ter estrutura para colocar no papel". <strong>&#201; urgente que a gente coloque essa dimens&#227;o de sabedoria oral no papel</strong>, porque se a branquitude as colocar, ela apaga, ela assimila nosso saber e o coloca como dela.&nbsp;</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://twitter.com/taisando/status/1415058934558298113" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!KBXv!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F489726ae-c6a6-4138-9093-c28b1c3ff98f_1586x2245.jpeg 424w, 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restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 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Ilustra&#231;&#227;o de Daiely Gon&#231;alves.</figcaption></figure></div><h4><strong>Pensando nos c&#226;nones da Hist&#243;ria e da Sociologia da Alimenta&#231;&#227;o, que autores voc&#234; adicionaria aos que j&#225; est&#227;o estabelecidos?&nbsp;</strong></h4><p>Eu venho me aproximando novamente da Hist&#243;ria, tanto em contato com historiadores que revisitam os fatos &#8211; e a&#237; a alimenta&#231;&#227;o aparece rapidinho &#8211;, como o professor <strong>Fl&#225;vio dos Santos Gomes</strong>, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e cruzando tamb&#233;m teoria preta, com <strong>Grada Kilomba, L&#233;lia Gonzalez, Patricia Hill Collins.</strong> Vou revendo o que est&#225; posto. <strong>N&#227;o &#233; jogar Gilberto Freyre nem C&#226;mara Cascudo no lixo</strong>, pois tem muita coisa boa pra trabalhar. Mas precisamos ler criticamente. Temos a pr&#225;tica de consumir bibliografia como verdade, mas podemos trabalhar com a linha da possibilidade.</p><blockquote><h4><em>Vou trazer autores que n&#227;o s&#227;o da alimenta&#231;&#227;o, mas que ajudam a trabalhar o c&#226;none de forma atualizada. Tem um trabalho sobre cozinha de santo que se chama "O banquete sagrado: notas sobre os "de comer" em terreiros de Candombl&#233;", de <strong>Vilson Caetano de Sousa Junior</strong>. Fora isso, citaria <strong>L&#233;lia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Antonio Nego Bispo</strong>, que tem uma escrita muito did&#225;tica, muito f&#225;cil de ler. E Grada Kilomba, porque ela traz as ferramentas que fazem com que a gente entenda porque h&#225; este c&#226;none embranquecido, e porque a literatura te&#243;rica preta n&#227;o est&#225; ali no lugar da ferramenta e de m&#233;todo da teoria.&nbsp;</em></h4></blockquote><p>A quest&#227;o toda [de autores negros n&#227;o estarem nos c&#226;nones] n&#227;o tem a ver apenas com a oralidade. L&#233;lia Gonzalez e Beatriz Nascimento produzem [academicamente] desde 1970, mas a estrutura institucionalizada &#233; embranquecida e n&#227;o abre m&#227;o de seus privil&#233;gios. Grada Kilomba mostra um quadro que &#233; sintom&#225;tico: <strong>tudo o que produzimos n&#227;o &#233; associado [pela academia] &#224; ci&#234;ncia, &#224; neutralidade e &#224; racionalidade. &#201; uma escrita subjetiva, escrita nas margens, &#233; uma escrita parcial, sim. E n&#227;o &#233; menos ci&#234;ncia por isso. </strong>N&#227;o &#233; considerado ci&#234;ncia porque n&#227;o estamos olhando para o outro, estamos olhando para n&#243;s mesmos e criando uma nova narrativa para a gente, que contrap&#245;e tudo o que disseram sobre n&#243;s.&nbsp;</p><h6>[a prop&#243;sito: ou&#231;a o <a href="https://open.spotify.com/episode/6Q2r0hEEmuHGc5vWsAVZSf?si=Br5xkkuMQ4C7msbFyUMI4g&amp;dl_branch=1">&#250;ltimo epis&#243;dio do podcast Vidas Negras</a>, que traz uma entrevista com o historiador Fl&#225;vio dos Santos Gomes]</h6><div class="instagram-embed-wrap" data-attrs="{&quot;instagram_id&quot;:&quot;CQRkKAxpDDZ&quot;,&quot;title&quot;:&quot;A post shared by @lo_nacozinha&quot;,&quot;author_name&quot;:&quot;lo_nacozinha&quot;,&quot;thumbnail_url&quot;:&quot;https://bucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com/public/images/__ss-rehost__IG-CQRkKAxpDDZ.jpg&quot;,&quot;like_count&quot;:null,&quot;comment_count&quot;:null,&quot;profile_pic_url&quot;:null,&quot;follower_count&quot;:null,&quot;timestamp&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true}" data-component-name="InstagramToDOM"></div><h4><strong>Em outro trecho do seu texto ["Os saberes em torno da agricultura brasileira s&#227;o heran&#231;as das tecnologias africanas e amer&#237;ndias"], voc&#234; mostra que a reprodu&#231;&#227;o social da classe dominante, desde os tempos de col&#244;nia, s&#243; era poss&#237;vel por causa do trabalho for&#231;ado de pessoas cujo conhecimento era desvalorizado, mas imprescind&#237;vel para o colonizador.&nbsp;Voc&#234; poderia falar mais sobre isto? </strong></h4><p>Desvalorizar o trabalho das pessoas negras e amer&#237;ndias e contrapor trabalho intelectual e bra&#231;al &#233; um projeto, porque mant&#233;m na marginalidade os saberes de quem estava no bra&#231;al. Para n&#243;s, n&#227;o h&#225; essa separa&#231;&#227;o. <strong>Para fazer um trabalho bra&#231;al, voc&#234; precisa saber como funciona, seja na terra, seja no processamento de alimentos, envolve qu&#237;mica e f&#237;sica. </strong>Essas pessoas [negras e amer&#237;ndias] estavam desenvolvendo as duas coisas, o trabalho intelectual e a aplica&#231;&#227;o dele.&nbsp;</p><p>Quando defendo o que chamo de afrobrasilidades &#8211; as tecnologias de resist&#234;ncia das popula&#231;&#245;es escravizadas, como elas desenvolvem e aplicam tecnologias no campo da alimenta&#231;&#227;o &#8211;&nbsp;tem quatro pontos poss&#237;veis: 1) a cozinha quilombola, que &#233; coletiva, mant&#233;m a proximidade com a terra, o que chamam hoje de <em>farm to table</em>; 2) os quintais e todo o dom&#237;nio t&#233;cnico do que se pode comer e como cozinhar estes matos de comer. &#201; a sabedoria de colocar diferentes g&#234;neros agr&#237;colas em um espa&#231;o pequeno sem que eles concorram entre si.&nbsp;</p><p>3) H&#225; uma sapi&#234;ncia em conflu&#234;ncia [dos povos africanos escravizados] com os povos origin&#225;rios, como na aproxima&#231;&#227;o das plantas aut&#243;ctones [do Brasil] com plantas africanas, na arte do mercar que &#233; troca e n&#227;o ac&#250;mulo, na gera&#231;&#227;o de redes de sociabilidade e de solidariedade, a din&#226;mica do movimento, da troca, de rede, de circularidade e na dimens&#227;o da religiosidade. 4) A comida de santo tamb&#233;m &#233; uma tecnologia: por meio do alimento voc&#234; tem uma produ&#231;&#227;o de v&#237;nculo e a atualiza&#231;&#227;o e renova&#231;&#227;o desse mito, uma alimenta&#231;&#227;o da conex&#227;o espiritual.&nbsp;</p><p>Resgatar essa conflu&#234;ncia entre trabalho bra&#231;al, of&#237;cio, servi&#231;o, e o trabalho intelectual, mental e colocar isso no lugar da pot&#234;ncia e da sapi&#234;ncia &#233; uma miss&#227;o urgente.<strong> </strong></p><blockquote><h4><em>A gente sempre foi colocado pela literatura can&#244;nica como quem faz, mas pra saber fazer, precisa ter conhecimento de como fazer, como continuar fazendo e como transmitir esse conhecimento.&nbsp;</em></h4></blockquote><p>Na gastronomia, [os conhecimentos, ingredientes e t&#233;cnicas culin&#225;rias das popula&#231;&#245;es negras e amer&#237;ndias] sempre ocupamos o espa&#231;o aleg&#243;rico. Mas a gastronomia como campo de conhecimento ainda est&#225; nascendo. Estamos come&#231;ando a organizar simp&#243;sios s&#233;rios; antes congresso de gastronomia era evento com aula-show de chef. Ter o curso de bacharelado em gastronomia dentro das institui&#231;&#245;es p&#250;blicas deu uma for&#231;ada nesse movimento [de constru&#231;&#227;o do campo de conhecimento], e vejo que os estudantes do bacharelado empurram muito os professores. Acredito que daqui uns anos a gente v&#225; ter uma base de ensino mais s&#243;lida e isso vai pressionar as faculdades particulares [para acompanhar o movimento]. <strong>S&#243; vai mudar quando tivermos um curr&#237;culo m&#237;nimo para gastronomia. Hoje, qual a base para se aprender gastronomia? Nem existe gastronomia como campo dentro da Capes. Cada faculdade define o seu curr&#237;culo e pronto. Ent&#227;o &#233; preciso disputar espa&#231;o em como o conhecimento &#233; distribu&#237;do.&nbsp;</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png" width="1100" height="40" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://bucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com/public/images/86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:40,&quot;width&quot;:1100,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:2685,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" title="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CZHq!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F86cc058d-1106-4829-bc77-e25301172724_1100x40.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><p>Eu n&#227;o sei voc&#234;s, mas eu quero muito ler e ouvir mais a Lourence. <em>Merci, ch&#233;rie!</em></p><p>Siga a Lourence Alves no <a href="https://medium.com/@onje.cozinha">Medium</a> e <a href="http://instagram.com/lo_nacozinha/">Instagram</a> e tamb&#233;m o perfil do <a href="https://www.instagram.com/projeto.onje/">Projeto Onje</a>.</p><div><hr></div><h3>APOIE A FOGO BAIXO</h3><p>A newsletter<strong> fogo baixo</strong> &#233; uma publica&#231;&#227;o independente da jornalista <a href="https://flaviaschiochet.substack.com/p/sobre-a-autora">Fl&#225;via Schiochet</a>, financiada pelos seus leitores. 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